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Segunda-Feira, 11 de Maio de 2009, 09h:35 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:23

VARIEDADES

Juiz determina que MTU pague 10 mil de indenização a usuário

Reclamante: LAURICO CONCEIÇÃO DA SILVA.


Reclamado: ASSOCIAÇÃO MATOGROSSENSE DOS TRANSPORTES URBANOS - MTU.

VISTOS,

 Deixo de apresentar o relatório com fulcro no artigo 38, in fine da Lei nº. 9.099/95.

 DECIDO.

   Trata-se de Reclamação Cível que Laurico Conceição da Silva move em desfavor da reclamada Associação Matogrossense dos Transportes Urbanos - MTU, alegando em síntese, que teve o seu cartão de transporte bloqueado indevidamente apesar de ter crédito para com o reclamado. Aduz ainda que tal fato causou-lhe grandes constrangimentos de natureza moral. Ao final, requer a procedência do pedido com condenação da empresa Reclamada ao pagamento dos danos morais.

    A Reclamada apresentou contestação, argüindo a preliminar de incompetência deste Juízo em razão  da matéria, alegam que os fatos narrados na inicial dão conta de que os supostos danos morais sofridos são decorrentes de defeito na prestação de serviço objeto de contrato de transporte, tanto que, o própria reclamante fulcra sua pretensão nas disposições do art. 14 do CDC, mas tal preliminar se confunde com o mérito e como tal será analisada.

    No mérito, alegou em síntese que inexiste qualquer ato ilícito da sua parte, pois reconhece que o cartão de vale transporte do autor possuía créditos e que necessitava de prazo de 72 (setenta e duas) horas para que os mesmos possam liberar as catracas dos ônibus. Ao final, requer que seja julgada improcedente a presente reclamação.

    Inexistindo mais preliminares suscitadas, passo a análise do mérito da causa.

    A inteligência do art. 6º da Lei nº. 9.099/95 nos mostra que: “O Juiz adotará em cada caso a decisão que reputar mais justa e equânime atendendo os fins sociais da Lei e as exigências do bem comum”. (negritei e destaquei). Isso demonstra que o Juízo, poderá valer-se da interpretação teleológica com mais liberdade como forma de buscar a solução mais justa para o caso, permitindo uma discricionariedade, amparada na Lei.

   O Magistrado ao decidir, deve apreciar as provas, subministradas pelo que ordinariamente acontece, nos termos do disposto no art. 335, do Código de Processo Civil Brasileiro.

   A jurisprudência é neste sentido:

   “O Juiz não pode desprezar as regras de experiência comum ao proferir a sentença. Vale dizer, o juiz deve valorizar e apreciar as provas dos autos, mas ao fazê-lo pode e deve servir-se da sua experiência e do que comumente acontece”. (JTA 121/391 – apud, Código de Processo Civil Theotônio Negrão, notas ao artigo 335). (negritei).

    O Superior Tribunal de Justiça assevera ainda que: “É entendimento assente de nossa jurisprudência que o órgão judicial, para expressar a sua convicção, não precisa aduzir comentários sobre todos os argumentos levantados pelas partes. Sua fundamentação pode ser sucinta, pronunciando-se acerca do motivo que, por si só, achou suficiente para a composição do litígio”. (STJ - 1ª Turma - AI 169.079- SP - Ag.Rg, - Rel. Min. José Delgado - DJU 17.8.1998). (destaquei e negritei).

   Entendo que o Poder Judiciário junto com os demais poderes são o sustentáculo necessário para o convívio em sociedade, assim sendo, somente com decisões firmes e coercitivas se fortalece e gera seus efeitos, a razão de sua própria existência. Para tanto, medidas legais são previstas e devem ser utilizadas com seriedade e eficiência. Que não seja desproporcional e injusta, mas que seja o suficiente para ser intimidativa e preventiva, para que outros atos de injustiça não sejam realizados.

   Inicialmente tenho comigo que devemos repugnar a famosa “Lei de Gerson”, onde uma das partes sempre quer levar vantagens indevidas em cima de outrem, portanto necessário se faz a intervenção do Poder Judiciário para impedir o enriquecimento sem causa de uma das partes litigantes.

   Numa ação de cunho indenizatório, além da ação ou omissão, há que se apurar se houve ou não dolo ou culpa do agente no evento danoso, bem como se houve relação de causalidade entre o ato do agente e o prejuízo sofrido pela vítima. Concorrendo tais requisitos, surge o dever de indenizar. Prelecionam os artigos 186 e 927 do Código Civil:

   “Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imperícia, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.” (negritei).

   “Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.” (negritei).

   A respeito da responsabilidade civil o Professor SILVIO RODRIGUES nos ensina que os pressupostos dessa responsabilidade são: “a) ação ou omissão do agente, b) relação de causalidade; c) existência do dano e d) dolo ou culpa do agente.” (in "Direito Civil", Ed. Saraiva, v. 1, p. 30). (destaquei).

   A Culpa é representação abstrata, ideal, subjetiva. É a determinação jurídico-psicológica do agente. Psicológica, porque se passa no seu foro íntimo. Jurídica, em virtude de ser, muitas vezes, a lei quem estabelece a censurabilidade da determinação, mesmo que o agente não esteja pensando sequer em causar danos ou prejuízo, como ocorre nas hipóteses típicas de culpa “stricto sensu”.

  Para que essa responsabilidade emerja, continua o mestre, necessário se faz "(...) que haja uma ação ou omissão da parte do agente, que a mesma seja causa do prejuízo experimentado pela vítima; que haja ocorrido efetivamente um prejuízo; e que o agente tenha agido com dolo ou culpa. Inocorrendo um desses pressupostos não aparece, em regra geral, o dever de indenizar" (in "Direito Civil", Ed. Saraiva, v. 1, pág. 30). (destaquei e negritei).

 In casu, o Reclamante que teve o seu cartão de transporte bloqueado unilateralmente e indevidamente, sob a alegação que apesar do mesmo ter crédito, era necessário o prazo de 72 (setenta e duas) horas para a sua liberação, mas tal assertiva não merece qualquer respaldo legal visto que o trabalhador quando necessita do transporte não pode ficar a mercê de prazos a serem cumpridos pelas empresas gestoras do negócio, demonstrando que houve na verdade um erro crasso do reclamado, BLOQUEANDO INDEVIDAMENTE O CARTÃO DE TRANSPORTE DO AUTOR.

 Aliado a isso, e neste particular, a reclamada não juntou aos autos qualquer comprovante de que realmente necessitava de tal prazo para efetivar os créditos e os extratos juntados fazem prova em favor do autor pois comprovam que efetivamente nos dias em que foi barrado na catraca do ônibus possuída crédito em seu cartão e sua passagem foi negada, e sendo ele parte nitidamente hipossuficiente na relação de consumo, é ônus da Reclamada a comprovação do alegado, nos exatos moldes do artigo 6º, VIII, do Código de Defesa do Consumidor Pátrio:

   Art. 6. São direitos básicos do consumidor:

   VIII – a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências; (negritei).

   Sob esse enfoque, tem como ratio essendi da vedação à proibição imposta ao fornecedor de, utilizando de sua superioridade econômica ou técnica, opor-se à liberdade de escolha do consumidor entre os produtos e serviços de qualidade satisfatória e preços competitivos. Ao fornecedor de produtos ou serviços, consectariamente, não é lícito o bloqueio unilateral do cartão de crédito, principalmente com os seus pagamento todos em dias, pois configura o descumprimento de vínculo contratual.

   Sobre o assunto:

   48182209 - CIVIL. CDC. AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS MATERIAIS. PLANO DE SAÚDE EMPRESARIAL. PRIMEIRA RECORRENTE ADERENTE. CESSÃO ENTRE RECORRIDAS. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE DA CESSIONÁRIA. AFASTADA. SUSPENSÃO ATENDIMENTO SERVIÇOS, QUANDO ADIMPLENTES OS CONSUMIDORES, CONFIGURA DESCUMPRIMENTO DE VÍNCULO CONTRATUAL DAS ADMINISTRADORAS DO PLANO, AINDA MAIS, PORQUE SEM PRÉVIO AVISO. PEDIDO DE DEVOLUÇÃO, EM DOBRO, QUANTIAS PAGAS E NAS PERDAS E DANOS, PROVIDO. DECISÃO. RECURSO PROVIDO, SENTENÇA REFORMADA. 1- Em havendo cessão entre empresas para administrar contrato empresarial, do qual a primeira Recorrente é aderente, em momento anterior ao ajuste, afasta-se a preliminar de ilegitimidade passiva da cessionária. 2- A suspensão unilateral dos serviços, sem que haja inadimplemento do consumidor, configura descumprimento do vínculo contratual que vigia entre as partes. 3- O cancelamento do contrato, em momento que as mensalidades do plano de saúde estavam quites e, ainda, sem prévio aviso, configura, sim, descumprimento do vínculo contratual. 4- É de se devolver em dobro os valores recebidos a título de prestação de serviços não efetivados, bem assim os valores tidos como perdas e danos. 5- Recurso provido, sentença reformada. (TJ-DF; AC 2006.01.1.025200-4; Ac. 275399; Segunda Turma Recursal dos Juizados Especiais; Relª Juíza Iracema Miranda e Silva; DJU 03/07/2007; Pág. 182). (grifei e negritei).

   62057980 - agravo inominado. Interrupção no fornecimento de energia elétrica. Consumidores adimplentes. Defeito do serviço. Reparo do módulo da caixa de energia. Responsabilidade exclusiva da concessionária. Violação do dever de continuidade na prestação do serviço público essencial. Descumprimento de ordem judicial. Dano moral in re ipsa. Redução do quantum reparatório. Critérios de razoabilidade e proporcionalidade. Legitimidade da multa horária aplicada. Incidência a partir da intimação da ré. Efetivação da tutela de urgência. Valor da condenação por danos morais acrescido de juros de mora, a contar da data da citação. Correção monetária incidente a partir da data da prolação da sentença. Verbete n.º 97 da súmula do tjerj. Quantia arbitrada a título de astreints. Juros moratórios e correção monetária aplicados desde a data do descumprimento da decisão judicial. Agravos inominados a que se negam provimento. (TJ-RJ; AC 2006.001.69677; Quarta Câmara Cível; Rel. Des. Fernando Fernandy Fernandes; Julg. 08/03/2007). (grifei e negritei).

   66054023 - IRREGULARIDADE NULIDADE ART. 51 INC. XI CONSIGNACAO EM PAGAMENTO CANCELAMENTO INDENIZACAO SEGURO APOLICE AVERBACAO CDC SEGURO. TRANSPORTE DE CARGA. Constatação unilateral de irregularidade na averbação dos embarques - Recusa de indenizar, mediante cancelamento automático da apólice - Inadmissibilidade - CDC, art. 51, XI - Rejeição da preliminar de nulidade - Ação de consignação em pagamento procedente - Apelação desprovida. (TACSP 1; Proc. 868922-7; Décima Segunda Câmara; Rel. Des. Manuel Matheus Fontes; Julg. 31/08/2004).

   Temos por regra, que a responsabilidade pelas vendas e/ou serviços para clientes é da empresa que fornece diretamente ou disponibiliza os seus produtos.

 De efeito, à hipótese em testilha aplicam-se as disposições da Lei Consumerista, comparecendo a Reclamada como fornecedora de serviços e a Reclamante como consumidora final.

 

O artigo 14, do CDC, preceitua que:

   O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre a sua fruição e riscos. ( grifei e negritei).

  Como decorrência da responsabilidade objetiva do prestador do serviço, para que ele possa se desonerar da obrigação de indenizar, deve provar que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste, ou, a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro (3º, inc. I e II, do art. 14, do CDC). Sendo o ônus da prova relativo a essas hipóteses do prestador do serviço, e pelo fato de não ter se desincumbido de tal ônus, será responsabilizado pelos danos causados à Reclamante.

  Ainda, merece aplicabilidade ao caso o disposto no artigo 6o, inciso VI, do Código de Defesa do Consumidor, que garante ao consumidor “a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais e difusos”. (negritei).

   O mestre Nehemias Domingos de Melo em seu trabalho publicado na Revista Júris Síntese nº. 47 – Maio/Junho de 2004, nos mostra que o Código de Defesa do Consumidor é para o consumidor o que a Consolidação das Leis do Trabalho é para o trabalhador: ambas são legislações dirigidas a determinado segmento da população, visando a uma proteção especial aos mais fracos na relação jurídica.

   Tanto é assim que o Código do Consumidor não se limitou a conceituar o consumidor como destinatário final de produtos, na exata medida em que previu o consumidor vulnerável (art. 4º, I), o consumidor carente (art. 5º, I), o consumidor hipossuficiente que pode vir a ser beneficiário da inversão do ônus da prova (art. 6º, VIII) e o consumidor que necessita da proteção do Estado, ao assegurar o acesso aos órgãos judiciários e administrativos, com vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos (art. 6º VII). (negritei).

  Assim, podemos concluir que a efetiva proteção ao consumidor, encontra ressonância no princípio geral da vulnerabilidade que, em última análise, busca garantir o princípio da isonomia, dotando os mais fracos de instrumentos que se lhes permitam litigar em condições de igualdades pelos seus direitos, seguindo a máxima de que a democracia nas relações de consumo significa tratar desigualmente os desiguais na exata medida de suas desigualdades, com o único fito de se atingir a tão almejada justiça social. Ressalte-se que esta vulnerabilidade refere-se não apenas a fragilidade econômica do consumidor, mas também técnica.

 Eis o entendimento jurisprudencial dominante:

   “INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA – RELAÇÃO DE CONSUMO – PRECEDENTES DA CORTE – 1. Dúvida não mais existe no âmbito da Corte no sentido de que se aplica o Código de Defesa do Consumidor aos contratos firmados entre as instituições financeiras e seus clientes. 2. A inversão do ônus da prova está no contexto da facilitação da defesa, sendo o consumidor hipossuficiente, nos termos do art. 6º, VIII, do Código de Defesa do Consumidor, dependendo, portanto, de circunstâncias concretas, a critério do Juiz. 3. Recurso Especial não conhecido.” (STJ – RESP 541813 – SP – 3ª T. – Rel. Min. Carlos Alberto Menezes Direito – DJU 02.08.2004 – p. 00376). (negritei).

   “AGRAVO DE INSTRUMENTO – AÇÃO DE REVISÃO CONTRATUAL DE CARTÃO DE CRÉDITO – RELAÇÃO DE CONSUMO CONFIGURADA – Inversão do ônus da prova embasada no Código de Defesa do Consumidor (art. 6º, inciso VIII). Possibilidade. Hipossuficiência técnica do consumidor. Caracterização. Faculdade da produção de prova pelo banco agravante. Ciência das conseqüências da sua não realização. Recurso desprovido.” (TAPR – AG 0258398-6 – (207550) – Curitiba – 10ª C.Cív. – Rel. Juiz Macedo Pacheco – DJPR 06.08.2004). (negritei).

    Ressalte-se que, para a caracterização do dano moral, por se tratar de algo imaterial, conquanto se encontra ínsito na própria ofensa, desnecessária a prova de prejuízo, pois possui natureza compensatória, atenuando de maneira indireta as conseqüências da conduta praticada pela Reclamada, afigurando-se inviável a exigência da prova do efetivo dano, pois isso decorre do próprio fato, de acordo com as regras de experiência comum.

    Isso porque se trata de hipótese de dano moral in re ipsa, que dispensa a comprovação da extensão dos danos, sendo estes evidenciados pelas circunstâncias do fato. Nesse sentido, destaca-se a lição de Sérgio Cavalieri Filho, Desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro:

    “Entendemos, todavia, que por se tratar de algo imaterial ou ideal a prova do dano moral não pode ser feita através dos mesmos meios utilizados para a comprovação do dano material. Seria uma demasia, algo até impossível, exigir que a vítima comprove a dor, a tristeza ou a humilhação através de depoimentos, documentos ou perícia; não teria ela como demonstrar o descrédito, o repúdio ou o desprestígio através dos meios probatórios tradicionais, o que acabaria por ensejar o retorno à fase da irreparabilidade do dano moral em razão de fatores instrumentais.

   Neste ponto, a razão se coloca ao lado daqueles que entendem que o dano moral está ínsito na própria ofensa, decorre da gravidade do ilícito em si. Se a ofensa é grave e de repercussão, por si só justifica a concessão de uma satisfação de ordem pecuniária ao lesado. Em outras palavras, o dano moral existe in re ipsa; deriva inexoravelmente do próprio fato ofensivo, de tal modo que, provada a ofensa, ipso facto está demonstrado o dano moral à guisa de uma presunção natural, uma presunção hominis ou facti, que decorre das regras de experiência comum.” (Programa de Responsabilidade Civil, 5ª ed., Malheiros, 2004, p. 100/101). (negritei).

   É pacífico na nossa jurisprudência que o dano moral não depende de prova, bastando comprovação do fato que o causou, mesmo porque, o dano moral apenas é presumido, uma vez que é impossível adentrar na subjetividade do outro para aferir a sua dor e a sua mágoa.

   Eis o entendimento jurisprudencial dominante:

   “AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS – INSCRIÇÃO INDEVIDA DO NOME DO AUTOR NO SERVIÇO DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO – REPARAÇÃO – DANO MORAL – DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO PREJUÍZO – AÇÃO JULGADA PROCEDENTE – RECURSO DESPROVIDO – 1. "Dispensa-se a prova de prejuízo para demonstrar ofensa ao moral humano, já que o dano moral, tido como lesão a personalidade, ao âmago e a honra da pessoa, por vezes é de difícil constatação, haja vista os reflexos atingirem parte muito própria do individuo - o seu interior". (RESP 85.019/RJ, 4ª Turma, Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, DJU 18.12.98, p. 358). 2. Para fixação do montante a título de indenização por dano moral deve-se levar em conta a gravidade do ato, culpabilidade e capacidade econômica do agente, os efeitos surtidos sobre a vítima e sua condição social.” (TAPR – AC 0264955-8 – (210814) – Curitiba – 1ª C.Cív. – Rel. Juiz Ronald Schulman – DJPR 27.08.2004). (grifei e negritei).

   INDENIZAÇÃO – ACIDENTE DE TRÂNSITO – CONFISSÃO – INEXISTÊNCIA – DEPOIMENTO PESSOAL – REPERGUNTAS – NULIDADE – INOCORRÊNCIA – ALEGAÇÃO DE COISA JULGADA AFASTADA – TRANSAÇÃO – PRESCRIÇÃO VINTENÁRIA – DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DOS DANOS MORAIS – VALORES FIXADOS COM EQÜIDADE – " 1 – Não há que se aplicar a pena de confissão aos autores por se tratar de litisconsórcio unitário, devendo a lide ser resolvida de forma equânime para todos os autores, nos termos do art. 320, I, CPC. Ademais, não houve intimação pessoal dos autores para prestarem depoimento sob pena de confissão, formalidade exigida pelo art. 343,  1º, CPC; 2. Descabível a pretensão de obter a nulidade do depoimento pessoal em razão de terem sido permitidas reperguntas pelo próprio advogado da parte depoente, se não resta demonstrado prejuízo ao contraditório e ao princípio de igualdade de tratamento das partes, à ausência de vedação legal e porque desinfluente para o desfecho da demanda; 3. A causa que veicula pedido de reparação de dano moral por acidente também invocado em causa anterior e já julgada, na qual veiculado pedido de indenização de danos materiais, desta difere, porquanto de comum ambas ostentam apenas a causa de pedir remota, não a próxima, podendo assim ter o seu mérito enfrentado, sem o óbice da coisa julgada; 4. A transação interpreta-se restritivamente, atingindo apenas a parte capaz - art. 386, CC/1916; 5. Para casos como o presente o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça está consolidado no sentido de ser aplicável a prescrição vintenária do artigo 177 do Código Civil e não a qüinqüenal do artigo 27 do Código de Defesa do Consumidor. Ademais, "proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício, a demora na citação, por motivos inerentes ao mecanismo da Justiça, não justifica o acolhimento da argüição de prescrição ou decadência." Súmula 106 do STJ; 6. É pacífico na nossa jurisprudência que o dano moral não depende de prova, bastando comprovação do fato que o causou, no caso a culpa do motorista da requerida. Decorre do próprio resultado do acidente. 7. Valor do quantum fixado com razoabilidade, em consonância com os critérios mencionados pela doutrina e jurisprudência; 8. Os juros legais são pedidos implícitos, nos termos do art. 293, CPC. Fixada a indenização por dano moral em valor certo, o termo inicial da correção monetária é a data em que esse valor foi fixado, ou seja, da sentença; quanto aos juros moratórios, fluem a partir da citação, em caso de responsabilidade extracontratual (Súmula 54 do STJ);.” (TAPR – AC 0266204-4 – (212274) – Guarapuava – 1ª C.Cív. – Rel. Juiz Antonio de Sá Ravagnani – DJPR 10.09.2004). (grifei e negritei)

 Quanto ao valor a ser arbitrado na indenização por danos morais deve-se atender a uma dupla finalidade: reparação e repressão. E, portanto, deve ser observada a capacidade econômica do atingido, mas também dos ofensores, de molde a que não haja enriquecimento injustificado, mas que também não lastreie indenização que não atinja o caráter pedagógico a que se propõe.

 De acordo com o magistério de Carlos Alberto Bittar, para a fixação do valor do dano moral “levam-se, em conta, basicamente, as circunstâncias do caso, a gravidade do dano, a situação do lesante, a condição do lesado, preponderando em nível de orientação central, a idéia de sancionamento ao lesado”. (in “Reparação Civil por Danos Morais”, 3ª ed., São Paulo, Editora Revistas dos Tribunais, 1999, p.279). (destaquei e negritei).

 É de se salientar que o prejuízo moral experimentado pelo Reclamante deve ser ressarcido numa soma que não apenas compense a ele a dor e/ou sofrimento causado, mas especialmente deve atender às circunstâncias do caso em tela, tendo em vista as posses do ofensor e a situação pessoal do ofendido, exigindo-se a um só tempo prudência e severidade.

 A respeito do valor da indenização por dano moral, a orientação doutrinária e jurisprudencial é no sentido de que:

 “No direito brasileiro, o arbitramento da indenização do dano moral ficou entregue ao prudente arbítrio do Juiz. Portanto, em sendo assim, desinfluente será o parâmetro por ele usado na fixação da mesma, desde que leve em conta a repercussão social do dano e seja compatível com a situação econômica das partes e, portanto, razoável”. (Antônio Chaves, “Responsabilidade Civil, atualização em matéria de responsabilidade por danos moral”, publicada na RJ nº. 231, jan./97, p. 11). (grifei e negritei).

 “CIVIL – DANO MORAL – BANCO – FINANCIAMENTO – ATRASO NO PAGAMENTO – INSERÇÃO DO NOME DO MUTUÁRIO EM CADASTRO DE INADIMPLENTES – MANUTENÇÃO INDEVIDA, APÓS O PAGAMENTO – POTENCIALIDADE LESIVA – DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE REFLEXOS MATERIAIS – CULPA CARACTERIZADA – OBRIGAÇÃO DE INDENIZAR – FIXAÇÃO DA INDENIZAÇÃO EM VERBA INCOMPATÍVEL COM AS CIRCUNSTÂNCIAS DO FATO E A REPERCUSSÃO DANOSA – EXCESSO – REDUÇÃO DO VALOR, MANTIDA NO MAIS A SENTENÇA – 1. É antijurídica e lesiva ao acervo moral da pessoa, a conduta da instituição financeira que, apesar de efetuado o pagamento da dívida, mantém, injustificadamente, por longo tempo, o nome do devedor inscrito em cadastro de inadimplentes, causando-lhe constrangimentos e restrições. 2. A imposição da obrigação de indenizar por dano moral, em decorrência de injusta manutenção do nome em cadastro de maus pagadores, independe de comprovação de reflexos materiais. 3. A indenização por dano moral deve ser arbitrada mediante estimativa prudencial que leve em conta a necessidade de, com a quantia, satisfazer a dor da vítima e dissuadir, de igual e novo atentado, o autor da ofensa (RT 706/67). Comporta redução o quantum, quando arbitrado em quantia excessiva e desproporcional ao evento e suas circunstâncias. Provimento parcial do recurso.” (TJPR – ApCiv 0113615-8 – (8666) – São José dos Pinhais – 5ª C.Cív. – Rel. Des. Luiz Cezar de Oliveira – DJPR 17.06.2002). (grifei e negritei)

 ISTO POSTO, diante da doutrina e da jurisprudência, e com fulcro no artigo 269, inciso I, do Código de Processo Civil c/c artigo 6º da Lei nº. 9.099/95, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido inicial, e CONDENO a Reclamada, ASSOCIAÇÃO MATOGROSSENSE DOS TRANSPORTES URBANOS - MTU, a pagar ao Reclamante, LAURICO CONCEIÇÃO DA SILVA, o valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), pelos danos morais, acrescidos de juros e correção monetária a partir deste decisum.

 Sem custas e honorários advocatícios nesta fase, a teor dos artigos 54 e 55 da Lei 9.099/95.

 Transitada em julgado, execute-se na forma da Lei, alertando que caso o condenado não efetue o pagamento no prazo de 15 (quinze) dias, o montante da condenação será acrescido de multa no percentual de 10% (dez por cento) – (art. 475-J do CPC).

 P. R. I. C.

 Yale Sabo Mendes
Juiz de Direito

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