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Domingo, 26 de Julho de 2009, 08h:00 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:23

JUDICIÁRIO

Lessa acusa Travassos de forçar dados com pagamentos

 Fernando Ordakowski

Paulo Lessa e Mariano Travassos estréiam novo capítulo da "novela" sobre os embates pessoais no TJ

   O ex-presidente do Tribunal de Justiça (2007/2009), desembargador Paulo Lessa, alegou, em documento encaminhado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que o seu sucessor Mariano Travassos agiu de má-fé e de forma maliciosa ao informar ao órgão de controle externo que ele (Lessa) autorizou pagamentos de verbas irregulares. “A má-fé é tanta que o denunciante (Travassos) não cuidou em informar a quais exercícios tais pagamentos se referiram. Da forma como colocado, faz parecer que o informante (Lessa) deferiu quatro abonos pecuniários referentes ao exercício de 2007”, reagiu, numa referência ao pagamento de gratificação à esposa e servidora aposentada Déa Maria de Barros e Lessa.

   A troca de farpas, agora envolvendo os desembargadores Lessa e Travassos, é mais um capítulo de uma triste novela no Poder Judiciário mato-grossense, tendo como protagonistas de denúncias e escândalos juízes e desembargadores.

   Na resposta ao CNJ, Lessa bate duro em Travassos. “Para não restar dúvidas acerca dos fatos e também para comprovar que é absurdo o quantum afirmado ter sido recebido pela servidora Déa M. B. Lessa, faz juntar cópia do requerimento (anexou ao documento em que faz sua defesa ao CNJ) em que ela solicita ao atual presidente certidão discriminada acerca dos créditos pendentes que recebeu”. Segundo o ex-presidente, Travassos fez cálculos errados de forma proposital. Lessa destaca também que dois filhos de Travassos, os servidores do TJ Leonardo Leventi Travassos e Paulo Renato Leventi Travassos, também receberam créditos pendentes a que teriam direito na gestão do ex-presidente.

    Num outro trecho, Lessa questiona o presidente do TJ. "(...) Ressalta o denunciante (Travassos) estar despido de qualquer opinião ou julgamento de cunho pessoal sobre o anterior presidente do TJ/MT (Lessa) ou sobre servidores envolvidos, mas esqueceu-se, propositadamente, usando o princípio da impessoalidade como escudo protetor, de mencionar os nomes de Leonardo Leventi Travassos e Paulo Renato Leventi Travassos, seus filhos, (...) bem como de Suseth Terezinha Taques Lazarini e Eva Lopes de Jesus, diretora-geral e vice-diretora-geral de sua gestão, dentre outros servidores que compõem sua equipe de confiança, os quais, como os citados em seu esdrúxulo relatório, também receberam créditos pendentes a que faziam jus na gestão do ora subscritor (Lessa)”.

   Segundo o ex-presidente, Travassos enviou ao CNJ relatórios e planilhas com dados inverídicos. “O que (...) Travassos fez foi uma verdadeira invasão de privacidade, expondo a individualidade remuneratória de vários servidores deste poder, com a demonstração de dados inverídicos, cálculos forjados e muita confusão na apresentação desses cálculos. Além do que aumentou o quantum recebido pelos servidores”. Ao final, Lessa demonstra consultas feitas ao Tribunal de Contas do Estado antes de liberar os pagamentos das gratificações entre 2007 e 2009. Também cobra de Travassos a apresentação de certidão detalhada dos valores brutos pagos na gestão anterior e que, segundo o atual presidente, são irregulares. (Andréa Haddad)

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Comentários (22)

  • MARCOS AVILA | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Agora a coisa pegou, a casa caiu, os anoo de omissão e até mesmo corrupção podem ter chegado ao fim. O CNJ esta ai para fazer Justiça e o Ministro Gilson Dip não é homem de deixar a coisa terminar em pizza. Tem muito DESEMBARGADOR que não dorme mais a noite com medo de ir para aposentadoria expulsória, e pior, ter que devolver todo o dinheiro recebido.
    Hoje a Sociedade de Mato Grosso esta mais feliz.

  • João Tertius | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Desde quando é invasão de privacidade a divulgação de dados de interesse da população? Todo gestor público deve prestar contas do que faz com o dinheiro público. Esse é um princípio de qualquer república. Quero saber como explicar os pagamentos feitos para a própria mulher em valores que nenhum servidor ou juiz do TJMT irá receber na vida. É brincadeira esse ex-presidente do TJMT. Até agora explicou, explicou e mais e mais se enrolou.

  • Agnello | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    O Tribunal de Justiça de Mato Grosso é uma vergonha. em termos de escândalos e falta de respeito ao herário público, fica devendo pouco a Câmara de Cuiabá. Nos últimos anos, o TJ, infelizmente, tem servido como fonte de recursos para os familiares dos desembargadores. o CNJ precisa fazer uma devassa no TJ/MT

  • José Eduardo Pessoa | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Quanta roupa suja deverá ser lavada. Depois, tudo termina em voce interpretou mal o que eu disse
    vamos esquecer. Está tudo bem agora etc etc etc.
    Resta saber até onde o povo vai aceitar tamanha safadeza com nosso dinheiro, enriquecendo e favorecendo famílias e a sí próprio, dentro de uma corte que deveria ser exemplo para nós Matogrossenses. O pior é que sabemos quem é quem nesses Tribunais(todos) e estamos atados até o pescoço, sem saber prá quem reclamar. É um caso sério. Sómente DEUS para nos salvar destes DEMONIOS. Não corta não Romilsom

  • edson martins | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    engraçado, o TJ começou a lavar a roupa suja e o MP segue no mesmo caminho. Só quero ver quando começarem a aparecer as verbas indenizatórias pagas pelo dr Marcelo Ferra a servidores DAS escolhidos a dedo. Se com os servidores está agindo assim imagine com o promotores que podem votar nele para uma segunda sucessão? é com que Conselho Nacional de Justiça dê uma passadinha por Mato Grosso também, vai descobrir que tem muita roupa suja pra ser lavada. Nepotismo é uma delas!

  • João Carlos | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Como diriam meus conterrâneos gaúchos é uma barbaridade. Antigamente os transgressores da lei eram os mais nescessitados agora mudou. São os ricos. Tribunal de Justiça-MT, Tribunal de Contas-MT. É UMA VERGONHA. Onde vamos parar

  • Servidor do TJ | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Parabéns Romilson por levar tudo isso a público. Espero que continue nos informando sobre os meandros dessas falcatruas. Tem muito mais coisas...... só pegar

  • Carmelita Afonso de Andrades | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Isso e uma vergonha onde ja se viu a nossa maior corte esta desse jeito imagine o povo que prescisa deles como irao se r ajudado´por quem nao sabemos onde se agarrar esta dificil mesmo e um comendo o outro.

  • Antonio Carlos Cuiabano | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    O juduciário de MT e do Brasil, ainda vivem como na época das cortes européias... Acham que estão acima do povo e quiça de Deus.

  • Adv Luiz António | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Tá na hora de abrir uma CPI e passar a limpo não só o Poder Judiciário,o Ministério Público Estadual,o Governo do Estado(em especial a SINFRA,SAD,Saúde,Educação,SECOM)ai voces vão ver os horrores da malversação do dinheiro publico dos matogrossenses,escorrendo pelo ralo. E uma pena que os nosso Deputados-Caititus estão tambem muito desmoralizados e atrelados ao Blairo Maggi,tambem pudera 24 cidadãos custando 16 milhões de reais por mês. Não dá para confiar na criação de uma CPI,não se consegue 8 assinaturas necessárias,nem a paú.Meus pezames gente de nosso sofrido Mato Grosso.

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