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Segunda-Feira, 01 de Janeiro de 2007, 07h:19 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

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Maggi, euforia e pressão por cargos

       Romilson Dourado  

      O governador Blairo Maggi toma posse hoje para o segundo mandato num clima de euforia. Para dar um caráter mais popular à solenidade, autorizou até a contratação de 20 ônibus para levar as pessoas ao Centro de Eventos do Pantanal, onde acontece a cerimônia de posse. Ele deve ser recepcionado por mais de 3 mil pessoas.

      Enquanto Maggi comemora, alguns aliados, com as atenções voltadas para as próximas eleições, ensaiam conspiração. Até participam da festa, mas observam tudo como se estivessem na trincheira. Sabem que daqui a quatro anos a oposição terá chance maior de vitória na disputa pelo Palácio Paiaguás. Por isso, líderes de partidos como PFL e PMDB, siglas fisiologistas ao extremo, vão aproveitar o fato de não terem sido contempladas a contento com cargos no governo e passarão a agir como opositores.

    A legenda pefelista, por exemplo, é a que mais vem arrumando confusão. Com pretexto de que não foi consultada para indicação de Gilberto Goellner à secretaria de Desenvolvimento Rural, a bancada do PFL na Assembléia programou uma reunião para hoje, duas horas antes do governador tomar posse. Tudo para pressionar e criar ambiente de tensão.

    Motivados pelo senador Jaime Campos, um dos virtuais candidatos a governador em 2010, os cinco deputados pefelistas estão na bronca com Maggi. Vários parlamentares estão acostumados a fazer política na base do fisiologismo. Como, às vezes, o governador não cede as pressões, eles ameaçam com ruptura. Cedo ou mais tarde, a crise vai implodir e o PFL vai sair do governo, assim como o PMDB. Os caciques pefelistas já orientaram a bancada a continuar pressionando de todas as formas. Ao primeiro sinal de reação pública de descontentamento por parte do governador, eles reagirão propondo ruptura e vetando projetos n Assembléia.

     Um governo sob pressão política não anda. Blairo Maggi já prometeu agir mais politicamente, mas, por enquanto, isso não acontece na prática. O risco é abrir muito o governo para o diálogo e virar refém, principalmente dos deputados, que têm a missão de fiscalizar os atos do Executivo e também de apreciar projetos e outras proposituras.

    No primeiro mandato, Maggi montou um quadro de secretários mais técnico. Foram poucos os políticos nomeados. Enfrentou mais problemas administrativos com aqueles assessores com perfil político, como Moacir Pires (PFL), no Meio Ambiente, e Cláudio Pires (PPS), na Imprensa Oficial do Estado. Ambos se envolveram em escândalos e foram até presos.

     Mesmo com a promessa de abrir espaço aos partidos aliados, o governador resiste a idéia. Dos 22 que tomam posse hoje, por exemplo, apenas 2 foram respaldados por indicação partidária: Chico Daltro (PP), na Ciência e Tecnologia, e Gilberto Goellner (PFL), na pasta do Desenvolvimento Rural, em que pese os pefelistas não considerarem o suplente do senador Jonas Pinheiro como indicação da legenda.

     Aos partidos, Blairo Maggi tem dito que em julho deste ano vai promover uma mudança ampla para, assim, contemplar as indicações políticas. Até lá, pelo visto, correntes do PFL e do PMDB já estarão fora da administração. Os dirigentes partidários priorizam tanto a discussão por cargos, motivados por interesses pessoais, que nada contribuem em termos de propostas, projetos e sugestões no sentido de ajudar o governo a resolver problemas administrativos.

    Romilson Dourado é jornalista e editor de Política de A Gazeta (artigo publicado em A Gazeta neste feriado de primeiro de janeiro)

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