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Quinta-Feira, 14 de Fevereiro de 2008, 00h:01 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:19

EXECUTIVO

Maggi institui comissão contra trabalho escravo

  Num Estado campeão em desmatamento e queimadas ilegais e, para piorar, no topo nacional quanto aos registros de prática de trabalho análogo, o empresário e governador Blairo Maggi (PR) resolveu reagir. Após bombardeio de críticas sobre o governo até no cenário internacional devido a esses fatores que mancham a imagem de Mato Grosso, Maggi instituiu a Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo. Por coincidência, tomou essa decisão 20 dias após o seu primo Eraí Maggi ter sido multado pelo Ministério Público do Trabalho por prática de trabalho escravo. Ele foi acusado de manter trabalhadores em regime de escravidão em uma de suas fazendas em Tapurah (a 477 km da Capital) - leia mais aqui.

   A comissão será composta por 21 representantes de órgãos estaduais e entidades ligadas à área ambiental. Do governo, foram convocados um representante de seis pastas: Justiça e Segurança Pública, Meio Ambiente, Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social, Desenvolvimento Rural, Saúde e Educação. No ato assinado por Maggi e pelo secretário de Justiça e Segurança Pública, Carlos Brito, foram designados ainda um membro das polícias Civil e Militar.

   De acordo com relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT), MT é o segundo Estado com mais trabalhadores libertados nos últimos 12 anos. Além do Estado figurar entre os que mais desmatam da Amazônia Legal e que mais deixam arder as chamas em época de queimadas, ainda consta na chamada "lista suja" por apresentar maiores índices de trabalho escravo do país.

   De acordo com levantamento realizado pela Ong Repórter Brasil, as fiscalizações dos últimos 5 anos revelaram que o avanço da derrubada das matas coincidiu com a prática da escravidão contemporânea em 72% dos 141 municípios mato-grossenses. Passou da hora do poder público agir. (Pollyana Araújo)

A Comissão de Erradicação do Trabalho Escravo:

  • Marcos Aurélio Veloso e Silva (Justiça e Segurança Pública)
  • Alessandro Borges Ferreira (Meio Ambiente)
  • Teresinha Ferreira (Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social)
  • Valquim Félix da Silva (Desenvolvimento Rural)
  • Edson Lima Ferreira (Saúde)
  • Clau Eduardo Franco (Educação)
  • Elias Miguel Daher (Polícia Civil)
  • Zózima Dias Santos Sales (Polícia Militar)
  • Shelma Lombardi Kato (Tribunal de Justiça)
  • Marcelo Caetano Vacchiano (Ministério Público)
  • Márcio Gley da Silva (Empaer)
  • Luiz Ricardo Alcântara (Tribunal Regional do Trabalho)
  • Valdiney Antônio de Arruda (Delegacia Regional do Trabaho)
  • Newton Quinzani (Polícia Rodoviária Federal)
  • Marcelo Mozart Rocha Galli (Polícia Federal)
  • José Pedro dos Reis (Ministério Público do Trabalho)
  • Deizimar de Oliveira (Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho)
  • Júlio Viana (Central Única dos Trabalhadores)
  • Adriano da Silva Félix (Comissão Pastoral da Terra)
  • Inácio Werner (Fórum Mato-Grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento)
  • Leonir Carlos Peruzzo (Comissão Pastoral do Migrante)

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Comentários (9)

  • Rinaldo Cosme Marques Dias | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Senhor Governador,

    Nessa Comissão está faltando um representante do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Será que essa Autarquia está tão desprestigiada assim no Estado, pela turma da botina, que não merece fazer parte de uma Comissão de alto nível como essa?

  • Pelado | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Espero que esta comissão traga resultados concretos para a sociedade Matogrossense, pois estamos cheios dos governantes criarem comissões só para melhorar os seus discursos e para falar que está preocupado com o problema e na prática não tem resultados nenhum para a população.

  • helio | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    tem lugares na cidade e no campo msm que a diferença para não dizer que é trabalho escravo, é que o patrão paga, e as vezes com carteira assinada..masa forma de serviço é o msm..

  • Pablo | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Toda vez que um gestor público institui uma comissão para resolver qualquer problema, na maioria das vezes o faz não para resolve-los e sim para dar uma satisfação a sociedade.
    Dúvido que o senhor Governador quando tem algum problema em suas empresas institui qualquer comissão para resolve-los.
    Finalmente, penso que tal comissão deveria iniciar os seus trabalhos investigando, quem sabe, as fazendas do Sr Iraí Maggi.

  • Antonio Cavalcante Filho | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Os latifundiários brasileiros, mesmo tendo uma nova roupagem desenvolvimentista do agronegócio, são na realidade, herdeiros e continuadores da velha estrutura agrária feudal e escravocrata, cujo objetivo principal, é assegurar o monopólio das terras nas mãos das classes dominantes egoístas e corruptas.

    Este regime implantado desde a chegada das caravelas de Pedro Álvares Cabral, foi responsável pela expansão atual dos grandes latifundiário exterminadores dos povos nativos, escravocratas e todos os tipos de crimes ambientais.

    Os crimes praticados por eles, que é até difícil de enumerar, se enquadram numa evolução que remonta ao século XVI. O trabalho escravo hoje, por exemplo, está associado às madeireiras ilegais e à grilagem de terras públicas pelos latifundiários inescrupulosos dessa terra sem lei. È mais ou menos um modelo das Capitanias Hereditárias.

    Para por fim a tudo isso, somente uma reforma agrária expropriadora e radical e capaz de fazer.

  • Luciana Alves Brito | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Parabéns pela notícia e pela comissão de luta para a erradicação do trabalho escravo no Mato Grosso, um trabalho de grande relevância social e que deve estar nas pautas escolares com certeza, é uma das propostas de prevenção que acato, principalmente em minha cidade.

  • Paulo Mattos | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Somente após inúmeras denúncias em âmbito nacional e internacional quanto à prática de alguns crimes em nosso Mato Grosso (desmatamento ilegal, escravidão de seres humanos, dentre outros de forte relevância) o Governador Blairo Maggi, desgastado ante esses fatos, resolveu criar um Comissão para apurar o trabalho escravo em Mato Grosso. Embora tardiamente, vez que esse crime remonta há anos e anos atrás e não é um privilégio de seu Governo, a bem da verdade, esse proceso deveria ter sido inaugurado há muito tempo atrás, a fim de que não se chegasse ao extremo atual. É necessário que se apure em toda a sua plenitude a prática de escravização de sêres humanos em fazendas e propriedades de Mato Grosso e, acima de tudo, ao se exterminar essa prática, penalize com rigôr os responsáveis por tão hediondo e desumano proceder contra uma parcela da sociedade.A composição de instituições encarregadas de se apurar essa modalidade criminosa está muito bem formada, representada por pessoas de vasto conhecimento de nossa sociedade e que tem condições de contribuir eficazmente nesse processo. Basta apenas e tão somente que trabalhem efetivamente e não fiquem somente na pretensão de se aparecer aos holofotes da mídia. Devem seus integrantes, de plano, elaborar um plano de trabalho e apresentar, no menor espaço de tempo possível à sociedade, o resultado de suas incursões no combate a esse ramo de atividade criminosa e desumana.

  • Leocadio Melo | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Essa tal comissão criada pelo ilustre governador do Mato Grosso, ganhador do prêmio motoserra de ouro em 2007, só tem uma função: não funcionar.

    Essa é mais uma medida daquelas que se encaixam no antigo e sempre atual ditado ""tal coisa é só para inglês ver".

    O problema não é a comissão em si, mas o tamanho dela. Já pensou a dificuldade que vai ser para reunir 21 pessoas? Pois é. Medida bonita, mas inócua.

  • Miranda Muniz | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Prezado Romilson e demais internautas,
    Vocês já ouviram aquela estorinha da notícia boa e da notícia ruim? Pois é, nesse caso, a notícia divulgada é apenas a boa, ou seja, a decisão do governador Blairo Maggi em instituir oficialmente a tal Comissão, isso após mais de dois ano de cobrança do Fórum Estadual pela Erradicação do Trabalho Escravo. A notícia ruim, não divulgada explicitamente, diz respeito a composição dessa comissão. Vejam bem, de 21 membros apenas 4 são integrantes das entidades e dos movimentos sociais. A grande maioria dos demais, com raras e honrosas exceções, são representantes dos próprios órgãos governamentais. Cadê a Federação dos Trabalhadores na Agricultura – FETAGRI, os sindicatos de trabalhadores rurais, o MST, órgãos que atuam diretamente no meio rural, a exemplo do INCRA, IBAMA, etc.? Ou seja, com essa composição, dificilmente tal comissão encaminhará a contento ações que efetivamente irão contribuir para erradicar essa mazela que, infelizmente, ainda ocorre em nosso Estado, inclusive praticada por pessoas ligadas diretamente ao poder político, a exemplo do Sr. Eraí Maggi, primo do governador Blairo Maggi.

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