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Quinta-Feira, 27 de Março de 2008, 07h:25 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:20

MEIO AMBIENTE

Maggi não intervém junto a Lula sobre operação

  Assim como o governador romano Pôncio Pilatos, personagem do cristianismo que, após algumas tentativas de absolvição, acabou lavando as mãos e não se envolveu na condenação de Jesus Cristo, o governador Blairo Maggi preferiu fazer o mesmo em relação ao clamor de alguns políticos e madeireiros do Nortão, que protestam contra a Operação Arco de Fogo, deflagrada em solo mato-grossense há 17 dias. O Estado está sob intervenção federal em sua gestão ambiental. A decisão partiu do presidente Lula, na tentativa de combater a extração e venda clandestina de madeira na Amazônia Legal. Dos 36 municípios que mais desmatam na região, 19 são de MT.

   Com base em Sinop e Alta Floresta, agentes da Polícia Federal, da Força Nacional de Segurança e fiscais do Ibama fiscalizam madeireiras. A ordem é fechar o cerco contra as atividades de extração, comercialização e industrialização de madeira, e também, de quebra, coibir licenciamentos ambientais das áreas que integram a Amazônia Legal.

   Agentes públicos da região, como prefeitos e alguns deputados defendem que Maggi, enquanto governador, deveria intervir junto ao presidente Lula, de quem é aliado, no sentido de bloquear a operação. Entendem que está havendo exagero. O governador, por sua vez, lavou as mãos. Saiu em defesa dos madeireiros, criticou a forma como a Arco de Fogo vem sendo realizada, mas não deu um telefonema para Lula no sentido de reclamar da medida, adotada com base no Decreto 6.321, assinado pelo próprio presidente conjuntamente com a ministra Marina Silva (Meio Ambiente).

    O governo estadual insiste na tese de que os números do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) estão equivocados e que MT não desmatou tanto em 2007 como figura nas estatísticas do órgão federal. Enquanto isso, o clima no Norte do Estado continua sob tensão. Na Assembléia, a "bancada madeireira", composta por deputados como José Riva (PP), Pedro Satélite (PPS), Dilceu Dal Bosco (DEM), Juarez Costa (PMDB) e Ademir Brunetto (PT), se revezam nas sessões para defender o setor, cobrar providências do Estado e atacar o governo do presidente Lula. Para não se indispôr com o setor, ninguém se arrisca a declarar apoio à decisão de combater crimes ambientais.

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Comentários (4)

  • Chico Bento | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    O comparativo ficou bem interessante. Nessa polêmica sobre os madeireiros, o governador acabou ficando acuado. Na verdade, muitos deputados entraram na briga por interesses pessoais.

  • Fernando Siqueira Alves | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Acho que o governador está correto. Não tem que se indispor por causa de muitos madeireiros desonestos, que querem se enriquecer em cima de nossas florestas

  • Guilherme Filho | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Matéria muito interessante, em que pese a comparação ser um tanto injusta com o governador. Pela teoria bíblica Pilatos teria lavado as mãos numa atitude muito clara de covardia e traição com Jesus, que era de fato um inocente sentenciado de morte por crimes que jamais cometera.
    Não é o caso destes madeireiros, fazendeiros e outros covardes exploradores da floresta. São criminosos que ao invés de serem apoiados por instituições e organismos públicos deveriam sim era serem julgados por crime contra a humanidade.
    Com atitude de indiferença com a chiadeira destes oportunistas, o governador Blairo Maggi demonstra ser um empresário convertido a uma realidade cada vez mais evidente. É insustentável esse discurso de que é nescessário dizimar a floresta para sobreviver. È um discurso tão ridículo que chega a subestimar a inteligência das pessoas.

  • Alipio Cassol Barros | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Parece que a ficha está começando a cair para o Governador e ele tenha desistido de confundir a população. O Decreto 6.321 que identificou os 36 municipios se baseou-se EXCLUSIVAMENTE nos dados do PRODES dos ULTIMOS 3 ANOS, ou seja não foram usados os dados do DETER do segundo semestre. Notem que o DECRETO Nº 6.321, DE 21 DE DEZEMBRO DE 2007. foi editado em dezembro de 2007, antes que o INPE concluisse os trabalhos do DETER agosto-dezembro, que só foi divulgado no meio de janeiro de 2008. Quem fez a lista dos municipios e os criterios foi o Ministério do Meio Ambiente. Portanto a falácia de dados superestimados pelo INPE através do DETER não procede. O Maggi tem jogado com a plateia estadual, mas talvez tenha percebido que esta não é a melhor estratégia Trata-se de uma briga perdida, pois o PRODES vai registrar aumento das áreas desmatadas. Ou talvez os próximos índices de desmatamento não sejam tão grandes graças a ação da Polícia Federal, da Força Nacional de Segurança e fiscais do Ibama. Difícil dizer.
    Será que o Governador começou a perceber que está muito mal assessorado na área de sensoriamento remoto e geoprocessamento por falsos experts e oportunistas que entraram na SEMA, inclusive com o ganho de altos cargos e fazendo lobbi para a continuidade da TECNOMAPAS nessa Instituição? Será que o Governador finalmente compreendeu que a TECNOMAPAS não tem metodologia comprovada para realizar a dinâmica do desmatamento para contrapor os dados do INPE? E quanto a base cartográfica construída pela TECNOMAPAS e paga pelo dinheiro público quando será homologada pelo IBGE e o DSG ?

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