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Segunda-Feira, 17 de Setembro de 2007, 09h:02 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

Artigo

Mercado de trabalho e suas dificuldades

   Diariamente presenciamos por meio dos veículos de comunicação o caos da saúde pública, com hospitais lotados, sem equipamentos nem suprimentos, com falta de profissionais e pacientes sofrendo. Nos últimos tempos, o foco tem sido a desordem do sistema na região Nordeste, onde muitos médicos entraram em greve e outros mais fizeram uma demissão em massa. Contudo, a situação em Mato Grosso não é diferente de estados como Ceará, Pernambuco, Alagoas e Paraíba.
     Entre 2003 e 2005, o Conselho Federal de Medicina (CFM) realizou um estudo para identificar a realidade vivida pelos profissionais em todo o Brasil. Intitulado "O Médico e seu Trabalho", os resultados das entrevistas com 14 mil médicos foram publicados numa coletânea de cinco livros, divididos por região. Ao final, as constatações não são nenhuma novidade.
     Apenas 17% dos médicos têm um único emprego. Os 83% restantes têm que dividir seu tempo entre pelo menos três serviços, enfrentar plantões de até 14 horas e sobreviver com a média salarial de R$ 1,5 mil pago pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
     O baixo salário e intensa carga horária de trabalho acarretam graves conseqüências tanto para o profissional como para a população. O médico mal pago e cansado não tem condições de investir na atualização de seus conhecimentos e as péssimas condições oferecidas não o atraem para o interior, onde a necessidade é maior. De acordo com a pesquisa, no Centro-Oeste apenas um pouco mais de 20% dos médicos atuam em cidades fora da capital, sendo a maioria deles jovens recém-formados que partem em busca de experiência, mas com planos de voltar para a cidade grande.
     Prova desta falta de condições para investir no aperfeiçoamento profissional está nos números levantados pelo CFM. Em Mato Grosso, quase 65% dos médicos não tiveram a oportunidade de freqüentar algum curso reconhecido de especialização em Medicina. Esse dado não envolve a especialização por meio da Residência Médica, que no nosso Estado não contempla aproximadamente 40% do total.
     O desempenho do profissional em diversas atividades também é comprovado pela pesquisa. Metade dos médicos (51,1%) divide seu tempo entre dois ou três empregos e apenas 12,8% deles se dedicam a somente um. Cerca de 36% do restante tem mais de quatro ocupações, que podem variar entre consultório, setores públicos, privados, filantrópicos e docência. Há ainda 15% de médicos que não tem a Medicina como única fonte de renda.
     Dos médicos que atendem no serviço público, quase 70% deles avaliaram as condições de trabalho como péssimas ou regular. O trabalho é considerado desgastantes por 58% e para 66% nada mudou ou só piorou a qualidade dos serviços em saúde.
     Os dados apresentados não são muito diferentes de lugares como o Norte ou Nordeste e muito ainda precisa ser feito pela melhoria dos serviços em assistência à saúde. A pesquisa completa do Centro Oeste e das demais regiões do Brasil está disponível na Biblioteca Virtual do site do CFM:
     Aguiar target=_blank>www.portalmedico.com.br.

Aguiar Farina é médico ginecologista e mastologista, presidente do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) escreve em A Gazeta às segundas-feiras

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