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Domingo, 19 de Julho de 2009, 12h:37 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:23

TRANSPORTE

Minc cita rodovia de MT, "trava" a BR-319 e compra briga

   Romilson Dourado
   De Manaus

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Dos 860 km da BR-319 entre Manaus e Porto Velho, 400 km "do meio" estão intrafegáveis e o ministro Minc impõe regras duras como condicionantes para liberar as licenças ambientais, o que tem provocado polêmica

  Não é só a classe produtora de Mato Grosso que está na bronca com Carlos Minc por causa de suas posições mais ideológicas que técnicas quanto aos projetos de infraestrutura que envolvam questões ambientais. No Amazonas, há um movimento que reúne vários segmentos contra a gestão do ministro do Meio Ambiente. Na quinta (16), Minc foi a Manaus. Ministrou palestra na 61ª Reunião Anual da SBPC. Ele já vive uma queda-de-braço com o seu colega Alfredo Nascimento (Transportes), senador licenciado pelo Amazonas e ex-prefeito de Manaus.

   Em Manaus, Minc peitou a classe política e os segmentos que defendem o licenciamento ambiental da restauração e pavimentação da BR-319, que liga as capitais do Amazonas e de Rondônia. Avisou que só via autorizar as liberações se forem cumpridas todas as condições ambientais exigidas. O governador Eduardo Braga e o seu vice Omar Aziz se mostraram revoltados. "O Minc demonstrou que não quer mesmo que a principal rodovia do Amazonas sejam pavimentada. Isso é um absurdo. Estamos isolados. Os únicos meios de transporte são aérea ou fluvial", reclama o governador em exercício Aziz, em entrevista ao RDNews neste sábado, no aeroporto Eduardo Gomes, enquanto conversava com o governador mato-grossense Blairo Maggi.

  Minc deixou claro os pré-requisitos estabelecidos para a efetivação da obra num trecho de 400 km de estrada, que incluem a implantação de 28 unidades de conservação, sendo 11 unidades federais e 17 estaduais (nove no Amazonas e oito em Rondônia). A estrada que liga Manaus a Porto Velho "cruza a área mais preservada da Amazônia", segundo avaliação do Ministério do Meio Ambiente. São áreas que somam mais de 10 milhões de hectares. Carlos Minc citou a situação da BR-163 (Cuiabá-Santarém). Segundo ele, grandes prejuízos ambientais ocorreram após a autorização da obra por causa da não-obrigatoriedade das condições ambientais.

   Enquanto Minc impõe obstáculos para retomada dos projetos da rodovia 319, o ministro Alfredo Nascimento, que prometeu tornar trafegáveis os 860 km entre Manaus e Porto Velho assim que assumiu a pasta dos Transportes do governo Lula, se vê numa saía-justa. Não consegue cumprir a promessa e o seu projeto de concorrer à sucessão estadual está se inviabilizando.

   Dificuldades

   A construção da 319 se deu na década de 1970. A falta de conservação da rodovia, entretanto, inviabilizou o trânsito na área. Entre os 400 km "do meio", inclusive pouco habitável, existem mais de 20 pontes numa região muito alagada. Para piorar, várias pontes de madeira foram queimadas nesse trecho. Em Manaus, o comentário é de que "assassinaram a BR-319". Restam aos moradores os transportes fluvial e aéreo, principalmente nesta época em que milhares de famílias estão desabrigadas em Manaus, devido a maior cheia da história na região Amazônica dos últimos 56 anos. A última foi em 1953, quando o rio Negro subiu praticamente 30 metros.

    Com 61 municípios e cerca de 3 milhões de habitantes, dos quais 1,5 milhão em Manaus, o Amazonas se vê sufocado por causa da falta de estradas. Diante da confusão e da briga até entre Ministérios por causa da BR-319, o governador Eduardo Braga defende como uma nova alternativa a construção de uma ferrovia num Estado que conta com 1,5 milhão de km2, sendo 98% de áreas preservadas e que reúne a maior população indígena do país, com 60 etnias somente em São Gabriel da Cachoeira. A ideia de ferrovia ou até mesmo de uma hidrovia para essa área em discussão da BR-319 agradou o ministro Minc, para quem haveria menos impacto ambiental.

   A Zona Franca de Manaus, uma potência financeira que atraía milhares de visitantes de todo o Brasil em busca principalmente de aparelhos eletroeletrônicos, se volta hoje para o mercado local. Foi praticamente aniquilada com a decisão do governo Fernando Collor que, em 1990, decretou a chamada abertura comercial brasileira, ou seja, libertou geral as importações em vários segmentos, algo até então restrito à Zona Franca.

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Vista aérea do porto de Manaus, que reúne quase 2 milhões de habitantes; a capital não tem mais a Zona Franca como principal atrativo de visitantes, após abertura das importações desde o governo Collor

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Comentários (2)

  • CARLOS DUTRA PINHO | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    CARLOS MING FOI GUERRILHEIRO PELA DEMOCRACIA...E PÕE A CARA PRA BATER...MARINA SILVA FOI COMPANHEIRA DE CHICO MENDES...TANTO UM QTO OUTRO SABEM O QUE FAZEM...GOSTO MAIS DO ESTILO DO CARLOS MING...A SOLUÇÃO É ÓBVIA...FAZER A ESTRADA E CONSERVAR O MEIO AMBIENTE...SÓ FISCALIZAR COM FIRMEZA E PUNIR OS INFRATORES, PENA QUE O BRASIL TEM DIFICULDADES PRA FAZER ISSO...PARABÉNS AO RDNEWS ALÉM FRONTEIRA!

  • José Eduardo Pessoa | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Esse ministro Minc é uma piada. Não sei porque não caiu do Governo Lula. Sarney continua firme com todas as safadezas. Mas o ministro é do Governo Lula. Já está se tornando ridículo a permanencia dele nesse ministério. Fora Minc.

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