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Domingo, 31 de Dezembro de 2006, 11h:22 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Mudança e cidadania

     O professor universitário Lourembergue Alves destaca, em artigo assinado em A Gazeta nesta sexta (31) que é hora de "avaliar o que se conquistou ao longo dos últimos 365 dias e, ao mesmo tempo, de pesar o que não se realizou no referido período".

Confira reprodução abaixo.

Lourembergue Alves

      Hoje, derradeiro dia de 2006, data de balanço, ou seja, de avaliar o que se conquistou ao longo dos últimos trezentos e sessenta e cinco dias e, ao mesmo tempo, de pesar o que não se realizou no referido período. Nem sempre o pêndulo pende para o lado dos prós, mas nada de desânimo, afinal o país não alcançou o crescimento tão propalado pelo presidente, ainda mais durante a campanha político-eleitoral, muito embora o mercado mundial tenha contribuído bastante com a balança comercial, denunciando assim a falta de planejamento tão necessário para "agüentar as pontas", particularmente quando o dólar elevava-se, encarecendo sobremaneira o custo da produção agropecuária, ou quando ele caia de valor, em relação ao real, obrigando os produtores a comercializar o resultado da safra por um preço muito aquém do esperado, acarretando-lhes prejuízos, pois havia contraído dívidas no momento de alta. Tanto nesta, quanto naquela, vale repetir-se, o planejar é fundamental, e isso, evidentemente, se estende ao cotidiano individual, familiar e grupos sociais, alcançando assim a vida societária, pois é na esfera do Estado que se dá à plena realização humana, por meio é claro da política.

     Acontece que para se alcançar a plena realização humana é imprescindível uma mudança de postura e de atitude daqueles que se investem, via eleição, no papel de representante da população na Câmara Municipal, Assembléia Legislativa, Congresso Nacional e no Executivo local, regional e federal. Tal mudança, porém, ainda está muito longe de vir a ocorrer, particularmente em um país como o Brasil, no qual predominam o patrimonialismo, cartorialismo e o "jeitinho", cujos alicerces educacionais formaram e continuam a formar o conjunto de políticos da nação. Daí toda a prática de fazer do público uma extensão do privado, sob as mais variadas formas, desde o nepotismo até a utilização do erário para proveito próprio, de um grupo ou de uma facção partidária, via intercâmbio empresa particular e o Estado, com a prestação de serviços superfaturados, tal como se viu com o chamado "valerioduto". Por isso, não se deve esperar iniciativas "revolucionárias" na forma de "fazer e ver a política" por parte desses senhores em 2007. Nada disso. Porém, não é por essa razão que se deve desesperar, deixar de acreditar no futuro, pois o amanhã pode não estar tão distante assim, mesmo que o tão falado futuro permaneça incerto.

     Assim, se os políticos não mudam, mudem então os brasileiros, os comuns, e não há momento melhor que a passagem de ano para carimbar o passaporte para uma nova era, o da conquista da cidadania. Não é esta uma tarefa fácil, bem sabe o (e)leitor, pois requer um comportamento diferente do até então utilizado, tais como o de recorrer aos parlamentares para conseguir empregos em um órgão público, o de valer-se de parentesco ou amizade com alguma autoridade para pleitear privilégios ou atendimento vip e o de utilizar-se do famoso "jeitinho" para dirigir sem habilitação, deixar de pagar as taxas e os tributos e, por fim, que não é a etapa final, mas o começo de tudo, ignorar o direito de outrem em proveito próprio.

     Mudar, na esfera da sociedade política é ver a coletividade primeira e a "res publica", como um bem precioso, e nada, nem ninguém, nem mesmo a importância de determinadas figuras públicas, do prefeito ao presidente do país, passando por membros do Judiciário e do Parlamento, deve sobrepor aos demais cidadãos, independentemente onde estejam, até mesmo no trânsito, no qual o chefe de Estado ou o ministro do Supremo deve aguardar a sua vez, e não se utilizar à força policial ou do cargo para pegar a dianteira. Cidadania requer respeito a quem está do lado ou à frente, mesmo que seja o mais simples dos integrantes do Estado brasileiro. 2007 pode ser o começo de tudo, depende de você (e)leitor. Portanto, boa passagem de ano, que o vindouro seja de fato bem melhor do que agora se vai.

    Lourembergue Alves é professor da Unic e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. (lou.alves@uol.com.br)

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