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Sexta-Feira, 31 de Agosto de 2007, 09h:18 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

Artigo

Mundo das sombras

     O escurecimento global, fenômeno que age como máscara do efeito estufa, é responsável pela menor incidência dos raios solares na Terra. O artigo anterior abordou sobre o esfriamento que vem ocorrendo nos últimos anos, como conseqüência da poluição visível que aumenta, a cada ano, e afeta a energia solar no planeta. Mas, isso não é uma contraposição ao aquecimento global? É o que ainda intriga a comunidade científica.
     O assunto é realmente instigante e complexo, mas a Terra poderia estar pior. Descobertas há 40 anos, em Israel, mostraram um paradoxo. O cientista Gerry Stanhill, biólogo, precisava medir a intensidade da radiação solar para organizar sistemas de irrigações em solo israelense. Ele precisava medir a radiação solar para saber a quantidade de água que as plantações precisavam.
     Foi aí que ele se surpreendeu, ao saber que 20 anos mais tarde, houve uma grande redução da energia solar naquele país, que chegou a 22%. Então, se isso fosse verdade, Israel não teria que estar congelando? Tinha que haver algo errado, já que a temperatura no mundo inteiro continuava aumentando.
     Após outras constatações, entre as décadas de 1950 a 1990, da queda da incidência de radiação solar, como na Rússia, em mais de 30%, nos EUA, na Antártida e em partes das ilhas Britânicas, Stanhill percebeu que se tratava de um fenômeno em escala planetária, e deu a ele o nome de Global Dimming, escurecimento global.
     Biólogos australianos como Michael Roderick e Graham Farqurar, que mediam a taxa de "Evaporação de Panela", uma medição diária da quantidade de água necessária em um local, para voltar ao nível da água do dia anterior, constataram que o índice estava diminuindo, em relação aos últimos 100 anos de coletas.
     Surgia a contradição: como a taxa de evaporação da água nas panelas estava menor se a temperatura do planeta estava aumentando? A queda da evaporação também sincronizou com a diminuição da luz solar na Terra, segundo demais estudos em várias partes do mundo. Então os biólogos entenderam que se a taxa estava caindo, era porque tinha menos radiação no solo.
     Eis os dois mundos, o do aquecimento e o do escurecimento global. O efeito estufa aquece e o escurecimento esfria. Um mascara o outro. Outra questão era a de que o Sol, em todo esse período, não emitiu menos radiação. Então, o que seria responsável por isso? A única conclusão é que poderia ser algo que estivesse na Terra. Viram que as nuvens de fumaça da queima de combustíveis estavam tornado-se espelhos gigantes que além de refletir de volta os raios solares, podiam alterar o padrão de chuvas globais.
     O renomado climatólogo Veerabhadra Ramanathan, da Universidade da Califórnia, fez um estudo nas Ilhas Maldivas, um conjunto de mais de 1.800 ilhotas desertas no oceano Índico, onde constatou duas correntes de ar vindas de diferentes locais. As ilhas do Norte eram atingidas por uma corrente de ar poluído, com mais de 3 quilômetros de altura, vinda da Índia, enquanto as ilhas do Sul eram atingidas por uma corrente de ar puro e limpo vinda da Antártida.
     As ilhas do Norte recebiam menos energia que as do Sul, em média 10%, devido às nuvens espessas de poluição. Os quatro anos de pesquisa de Ramanathan mostraram que a queima de combustível produz a poluição invisível, que aumenta o aquecimento global, tanto quanto a radiação visível, pequenas partículas de fuligem e outros compostos, que dificultam a radiação do Sol. Mas, na época, a comunidade científica ignorou os estudos apresentados.
     O conhecido aquecimento global pode ser apenas a parte visível do grande iceberg destrutivo que pode pôr fim à raça humana e a transformação das formas de vida no planeta. O mundo precisa ficar mais atento. Pois as conseqüências da destruição são, vertiginosamente, arrasadoras.
     Afinal, a humanidade corre o perigo de viver no mundo do aquecimento ou das sombras? Se correr o bicho pega; se ficar, o bicho come. Eis o enigma. Será que todas as previsões sobre o futuro do nosso clima podem estar erradas? É o que veremos no próximo artigo desta série.

Jair Donato é jornalista em Cuiabá, consultor - Life Coach -, professor universitário - e especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida ( jairdomnato@gmail.com )

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