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Quarta-Feira, 07 de Outubro de 2009, 08h:57 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:24

MANOBRA

Na surdina, Pires e filho implodem chapa no Sinduscon-MT


Luiz Carlos Alves concorria com chapa única e, com renúncia de 19, o presidente Júlio Flávio cancela eleição
Foto: Rodinei Crescêncio 

   Numa manobra orquestrada pelo pai Jorge Pires de Miranda, que foi preso na Operação Pacenas sob acusação de envolvimento em licitações fraudulentas nas obras do PAC, Júlio Flávio Campos de Miranda, que preside o Sindicato das Indústrias de Construções do Estado (Sinduscon-MT), decidiu cancelar a eleição para renovação da diretoria que estava convocada para esta quarta (7). Fez isso um dia antes e espalhou comunicado, via e-mail, para os associados, principalmente àqueles que faziam parte da chapa única, encabeçada pelo advogado e engenheiro civil Luiz Carlos Alves de Melo, dono da construtora Parakanã.

   Até então vice, Júlio de Miranda assumiu a presidência do Sinduscon devido à renúncia de Luiz Richter Fernandes, um dos 11 que foram presos em agosto após descoberta de fraudes milionárias nas licitações dos projetos do PAC. A partir daí, Júlio e o pai Jorge Pires, que é dono da Concremax, passaram a ditar as regras. Não querem perder o trunfo de conduzir uma entidade num momento em que a construção civil avança no embalo das obras de infraestrutura visando a Copa do Mundo em Cuiabá em 2014. Temendo perder o comando da entidade, eles fazem oposição dura ao nome de Luiz Carlos, que surgiu como candidato único. O mandato é de três anos. A confusão em torno das eleições no Sinduscon começou a partir da inscrição da chapa do sindicato, algo que só foi possível após o lançamento de três editais.

   A chapa de Luiz Carlos apresentava outros 31 membros. Para barrar a candidatura, Júlio Flávio Miranda passou a encaminhar e-mail, desde 1º de outubro, aos integrantes da chapa única. Na carta, pede que renunciem aos cargos e "detona" o candidato Luiz, desqualificando-o. Segundo informações, o presidente fez também ligações telefônicas para os concorrentes, reforçando a tese da renúncia. Com isso, conseguiu implodir a chapa única. Dos 31, nada menos que 19 concordaram em renunciar até às 18 horas desta terça (6). Em poder destas cartas-renúncias, Júlio Miranda decidiu cancelar a eleição. Os documentos estavam sendo recolhidos pelo superintendente da entidade, Manoel Joaquim Coelho, que, às 17h50, fora buscá-los na Concremax, de Jorge Pires, e também na Construtora Três Irmãos, dos irmãos Marcelo e Carlos Avalone, que também foram presos pela PF por fraudes nos processos do PAC.

   Manobras

   Luiz Carlos afirma que está sendo vítima de manobras e articulações de pessoas que tentam dificultar sua eleição. Ele aponta como ato inconstitucional do presidente Júlio Flávio o cancelamento das eleições. Às 15h43 desta terça, um dia antes do pleito, todos os 61 associados, que estavam aptos a votar, receberam comunicado de que a eleição não seria realizada. Na nota, Júlio Flávio afirma que o cancelamento se deve ao fato de ter havido apenas uma chapa registrada e que esta não contempla o número suficiente de candidatos inscritos.

   O problema é que, conforme o Regimento Eleitoral do Sinduscon-MT, a inscrição de uma chapa com até 13 membros pode ser aceita, pois trata-se da quantidade mínima necessária de representantes. Se subtraídas, as cartas-renúncias com o número de membros da chapa que concorria ao pleito para o triênio 2009-2012, sobram 13 pessoas, o que de fato teria como proceder as eleições e consequentemente haver a votação. O comunicado sobre cancelamento do pleito, uma das exigências, não foi fixado no mural até às 18h15 desta terça, conforme o RDNews pôde comprovar na sede do Sinduscon. Estavam no mural apenas as 19 cartas-renúncias. (Lisânia Ghisi)

Reprodução do e-mail do presidente do Sinduscon, Julio Flávio Campos de Miranda, comunicando cancelamento a poucas horas da realização do pleito, tudo para evitar perda do comando da entidade

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Comentários (9)

  • Solange Arruda | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    É muita cara de pau desse Jorge Pires, querer se manter à frente de um Sindicato, através da atuação do seu filho, que não tem condições de dirigir aquela entidade, somente pra tentar amenizar o desgaste pessoal e político que vem por aí, com a continuação das investigações da Polícia Federal, pelo seu envolvimento na operação PACENAS.
    Afinal, o Carlos Avalone já está combinando com o seu Partido a posse na Assembléia, como suplente convocado, e o Jorge Pires está tentando se ajeitar no Sindicato. É uma correria só!!

  • Cuiabano | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Caro leitor, Jacyara....fico impressionado como pode haver pessoas tão desqualificadas para fazer um comentario ridiculo como o seu .....
    O que tem Deus a ver com toda essa palhaçada ...se conhecesse um pouquinho de como funciona o sistema nao falava tanta besteira....

  • luiz fernando | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Quero saber se esta tal de Jacyara é funcionaria da concremax, pq com esse comentário só pode ser! Cada um que aparece aqui!

  • WALTER GUERREIRO | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    essa família desse tal flavio e seu pai jorge é cria dos
    campos. jacyara não é funcionário da concremax, pois é homem com um leve tocKe femenino e é membro da família e profissional da mídia, pasmem!











    esses meninos pires de miranda foram deportados das minas gerais, e, aportaram em jaciara... entenderam né!! coisinha .... depois revelarei mais cosiatas

  • Claudio | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas.
    Queira, por gentileza, refazer o seu comentário.

  • Thiago Moarais | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Pai e filho novamente no olho do furacão... Até qdo o MPE vai deixar esses empreiteiros mamarem nos cofres públicos.. Júlio Flávio na presidência do Sinduscon só pode ser uma piada!!

  • Messias Rocha | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Não sou desta area, mas tenho uma pergunta para o sr. Luis Carlos Aves: Sr. Luis, se lhe é permitida (legalmente) a realização da eleição, porque os senhores membros não recorrem a justiça comum ? Quero registrar aqui que não sou nem um pouquinho simpatico a esse pessoal que ai esta ( na direçao).

  • Jacyara | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    PARABENS Jorginho, tens fibra para lutar e pelo que vejo não te abateu em nada.
    Ninguem, repito ninguem, pode tirar a tua fé em Deus, em Jesus e no Espirito Santo, vá em frente retorne com mais destemor a luta.

  • Maria Regina | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Quer dizer, então, que os Senhores Jorge Pires e Carlos Avalone - suspeitos de corrupção e tráfico de influência junto às licitações municipais para as obras do PAC - novamente se uniram, desta feita para detonar o único candidato que se dispôs a concorrer ao Sindicato? Bem que ouvi dizer pelo representante do MP que esse Sindicato é comandado por uma quadrilha. É melhor o Senhor Luiz Carlos não entrar nessa, pois a briga é por algo que parece já estar corrompido. Qual seria o interesse dos Senhores Jorge Pires e Carlos Avalone, na atual situação, quando novas licitações serão realizadas no Estado e na Capital, visando às obras da COPA, para se manterem à frente do Sindicato? Muito feio...

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