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Domingo, 02 de Dezembro de 2007, 11h:55 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:19

ARTICULAÇÃO

Nadaf lista projetos, caso MT venha sediar Copa

Sem a subsede da Copa, MT não terá R$ 1 bi em projetos

Romilson Dourado
Editor de Política

Sem alarde, o líder empresarial Pedro Nadaf se tornou um dos principais interlocutores técnicos e políticos do governador Blairo Maggi. Ele comanda a pasta do Desenvolvimento do Turismo e preside o Comitê Pró-Copa 2014. Nadaf discorre com tanta empolgação e otimismo sobre as perspectivas para o Mundial no Brasil que parece atleta quando marca um gol decisivo e sai para comemorar a vitória com a torcida.

Na sua avaliação, a chance é real de Cuiabá vir a ser escolhida como uma das subsedes. Assegura que os números negativos, como de deficiência na rede hoteleira, de precariedade do transporte e de falta de infra-estrutura, vão ser superados com investimentos. Adianta que a previsão de R$ 1 bilhão em projetos macro em Cuiabá e Várzea Grande só serão concretizados se, de fato, Mato Grosso for escolhido.

Nesta entrevista para A Gazeta, o secretário admite que há um estudo do governo para avaliar a possibilidade de fusão das secretarias de Cultura, Desenvolvimento do Turismo, Esportes e Lazer, mas pondera que a intenção não é levá-las à perda de autonomia ou de estrutura, mas sim para garantir uma gestão política única. Ele não sabe se, de fato, o governador colocar o projeto em prática. Nadaf nega que, uma vez implantada, se tornaria o supersecretário. Ele também comenta as potencialidades turísticas e destaca investimentos no setor.

Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista.A Gazeta - O sr preside o Comitê Pró-Copa 2014. Está otimista com a possibilidade de Cuiabá sediar uma das subsedes do Mundial?

 

Pedro Jamil Nadaf - Sim. A Fifa definiu que a América do Sul vai sediar a Copa de 2014 e somos o centro da América do Sul. Então, Cuiabá teoricamente não poderia estar fora.

A Gazeta - Mas os números não estão tão favoráveis, principalmente na questão de infra-estrutura?

Nadaf - Os números que nós apresentamos estão com a Fifa, no caderno de atendimento público. Existe uma prova de que o Brasil precisa passar por uma reformulação. Já foi avisado que todos os estádios serão refeitos para atender a demanda da Copa de 2014.

A Gazeta - Então, não é só o Verdão de Cuiabá?

Nadaf - Não é só o verdão. Todos os Estados terão que ser readaptados. Agora, temos um maior apelo para a Copa vir. É a questão do meio ambiente, da preservação da água e do ar. MT é o único dos Estados que têm os três biomas distintos: Amazônia, cerrado e pantanal. O governador Blairo Maggi foi o único do Centro-Oeste a ser convidado pelo presidente da CBF e nem Mato Grosso do Sul foi convidado para ir naquela reunião, na qual foi anunciado o Brasil como sede da Copa de 2014. Então, mostra o interesse que há por MT. O Centro-Oeste terá duas subsedes, uma vai ser em Brasília. Estamos disputando com Campo Grande e Goiás. Vejo que Goiânia, pela sua proximidade com Brasília, passa a ser uma região metropolitana e então seria contemplada por Brasília. Então nós estaríamos disputando com Campo Grande (MS).

A Gazeta - O sr acredita que a articulação política contribuirá para uma eventual escolha de MT, principalmente considerando que o governador Maggi se tornou forte aliado do presidente Lula? Isso influencia?

Nadaf - Influencia. Quero deixar claro uma coisa: esses investimentos anunciados pelo governador de R$ 1 bilhão só acontecerão caso a copa efetivamente venha para cá. Não são recursos já existentes. São recursos que a própria Fifa destina para investimentos internacionais. São investimentos que o Brasil vai abrir em seu orçamento. Vejo questionamentos de alguns que defendem que esses recursos poderiam ser aplicados em outras áreas. Tem um detalhe: só vão vir com a Copa.

A Gazeta - Então, se MT sediar a Copa de 2014, projetos macro seriam antecipados?

Nadaf - Tudo se anteciparia. Nós entraríamos na rota mundial. Vamos ter 1,5 bilhão de pessoas dentro de Cuiabá para o jogo da Copa. Todas as cidades que receberam um tipo de evento internacional, inclusive dessa amplitude, tomaram outra dimensão no conceito mundial. Então, isso é uma oportunidade para nós colocar Cuiabá numa rota internacional. Assim, seremos um grande seleiro não só de produção agrícola, mas de reputação da população mundial.

A Gazeta - Contrapondo esse otimismo do sr, temos transporte coletivo e rede hoteleira deficitários e uma média de público pagante nos estádios decepcionante se comparado a outros Estados, além da preocupação com a segurança pública. Esses dados não vão tirar MT dessa competição?

Nadaf - Vamos por parte. No caso da rede hoteleira, até lá vamos ter uma rede satisfatória. Na infra-estrutura, vai ter ajustes e a questão dos estádios os dois centros de treinamento vão ser feitos, assim como nas outras cidades que estão competindo. Quanto ao transporte, vamos ter de estudar meios para implantação de sistemas mais rápidos e melhor. Agora, a questão da segurança e outros itens, o Brasil todo tem o mesmo nível que nós temos de situação. Temos uma vantagem: uma rede hospitalar muito melhor que a de Goiás e de Mato Grosso do Sul.

A Gazeta - O sr vem demonstrando gosto pela política. Pretende ser candidato a deputado nas eleições de 2010?

Nadaf - Não. Não sou candidato nem a deputado estadual, nem a federal e nem a prefeito. Já recebi no passado convite duas vezes para ser candidato a prefeito de Cuiabá devido a essa trajetória de liderança empresarial. Também recebi convite para ser candidato a vice-governador. Nunca aceitei esses convites que partiram de vários partidos. Não faz parte do meu projeto, pelo menos em 2010.

A Gazeta - Muito se discute sobre turismo em Mato Grosso mas, para explorar as potencialidades do setor não deveria haver antes uma preocupação para resolver a falta de estrutura logística?

Nadaf - O Estado hoje tem uma política para turismo. Temos procurado trabalhar na divulgação, na capacitação e na questão de infra-estrutura em Mato Grosso. Evoluímos muito. Temos uma previsão para início do ano de aumentar em 20% as demandas de pessoas vindas para MT. Vamos fechar este ano com 40% a mais em demanda. Nos últimos 2 meses temos tido praticamente 100% de ocupação nos hotéis na Baixada Cuiabana, encontrando até dificuldade de ocupação em determinados períodos. Mudamos a política de capitação de eventos para cá porque o Estado não tem uma tradição turística do ecoturismo. Estamos trabalhando com parcerias políticas para tentar captar eventos para termos o turismo de negócios. O Estado tem sido grande alvo na busca de negócios, consequentemente no ecoturismo, que é a linguagem hoje de todo o planeta, temos uma demanda de procura como nós nunca tivemos dentro da secretaria. São jornalistas nacionais e internacionais querendo vir conhecer o Estado. Temos lista de espera para receber estes veículos de comunicação. Mudamos a forma de apresentar o Estado nas feiras nacionais.

A Gazeta - O sr está muito otimista com a área do turismo, mas o empresariado tem correspondido a essa expectativa e ao menos se preocupa em melhorar a infra-estrutura?

Nadaf - O empresário responde pela demanda de crescimento de consumo que ele tem no seu produto. Para ter uma idéia, estamos com quatro plantas de novos hotéis para serem implantados em Cuiabá.

A Gazeta - Aliás, a rede hoteleira é deficitária.

Nadaf - È um problema. Quatro grandes investimentos serão feitos nos hotéis de rede nacional e internacional. O governo do Estado tem se preocupado com a questão da infra-estrutura. Para se ter uma idéia, o governador assegurou com a bancada federal R$ 460 milhões de investimentos, por meio de emendas parlamentares, para atender o setor. Nos últimos anos foram R$ 160 milhões, tudo voltado à infra-estrutura turística, quase um terço, se analisarmos os problemas na área de saúde, educação e segurança. O governo está priorizando quase 30% para o turismo, uma veia para geração de empregos e distribuição de renda.

A Gazeta - Se o turismo é tão prioridade do governo assim por que tem um orçamento pequeno em relação a outras secretarias?

Nadaf - Temos que fazer cada real valer três. Isso nós temos feito, através de parcerias, buscando fazer este tipo de ação. Neste ano fizemos centenas de eventos em MT. Isso pode não ter uma abrangência, uma aparência, mas trouxemos uma pauta da linguagem do turismo. Hoje se fala tudo em turismo nesse Estado. Você pode ver todos os eventos que serão realizados. Eles têm a linguagem do turismo por trás. Conseguimos colocar na mídia nacional esse ano e quase todos os veículos de comunicação expressivos mostram o que representa o turismo no Estado. Somos o único Estado que temos os idiomas distintos e uma localização geográfica extremamente privilegiada.

A Gazeta - Como está a relação do turismo-emprego?

Nadaf - Aumentando. Este ano vamos fechar, com as parceiras do Senac, Sebrae, Setec e Cefet e faculdades, cerca de 4 mil profissionais capacitados para a demanda de mão-de-obra e ainda é pouco. Temos cursos de gastronomia e garçons. Antes de eles terminarem o curso já estão empregados. Agora, o que acontece é que as pessoas não percebem o processo evolutivo porque as coisas acontecem no dia-a-dia. Se pegarmos a fotografia de 5 anos atrás, ou de um há um ano mesmo, já vai sentir a diferença. Temos feito fiscalização no aeroporto Marechal Rondon, na rodoviária, nas beiras de estradas contra as vans e ônibus clandestinos, contra os guias clandestinos. Isso não são ações importantes para se somar porque você vai tirar a clandestinidade, os camelôs do turismo. Então, estamos tentando combater este tipo de ação e criamos o selo de normatização de chancela do reconhecimento do governo pela qualidade do serviço da área turística.

A Gazeta - Como o sr avalia o estudo encomendado elo governo, prevendo a fusão das secretarias de Cultura, Desenvolvimento do Turismo e Esportes e Lazer?

Nadaf - Eu sei que a secretaria de Administração tem os estudos sistêmicos. É um sentimento do governador trazer essa redução da máquina. Isso vem desde a sua primeira eleição, há 5 anos. Não recebi nada oficialmente nesse aspecto. Eu vejo que isso trará uma certa agilidade. Tenho visto comentário que não mudaria as estruturas. Só iria mudar a gestão política em única, mantendo todos os orçamentos e todas as estruturas com os adjuntos tocando isso. Mas, oficialmente, não tenho condições de comentar isso.

A Gazeta - O sr seria o supersecretário?

Nadaf - Não tenho conhecimento disso. Não recebi nenhum tipo de convite. Quero deixar claro uma coisa: até acredito que não seria eu esse gestor mas, através das instruções, já fui executivo, não tenho desconhecimento dessas áreas, uma das coisas questionadas muitas vezes em relação a mim. Como gestor, implantei o Sesc-Arsenal, que é uma usina de cultura no Estado, implantei no Sebrae o sistema da gestão na Casa do Artesão e na área esportiva também tem toda essa vasta condição pois temos instrução nesse tipo de trabalho. Confesso duas coisas: que não recebi oficialmente nenhum convite e que não recebi também comunicação oficial dessa proposta (de fusão das 3 secretarias).

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