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Terça-Feira, 19 de Fevereiro de 2008, 16h:37 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:19

EDITORIAL

Notícia real que emociona e fere sentimentos

  Quando o "fazer jornalismo", mesmo imbuído da missão de bem informar de forma ética, imparcial e responsável, esbarra ou fere questão sentimental, levanta-se muita polêmica. Antecipar publicamente um fato que causa comoção traz consequências, às vezes danosas, machuca corações, fere sentimentos, gera inconformismo e motiva protesto. Poucos compreendem.

   O momento porque passa a família do senador Jonas Pinheiro é um dos mais delicados. Ele deu entrada na UTI do Amecor, em Cuiabá, no último dia 11, após infarto. Quatro dias depois teve morte cerebral. A família foi comunicada pelos médicos mas, como ainda há esperança do restabelecimento de sua saúde, ninguém aceita que os aparelhos sejam desligados.O boletim médico desta segunda (18) trouxe "morte encefálica".

   Na madrugada do último sábado (16) recebi um telefonema de uma pessoa da família do senador. Contou que os familiares tinham sido avisados pelos médicos sobre a morte cerebral horas antes. Era às 4h. Não consegui dormir mais. As informações batiam com outras checadas no dia anterior. Conversei com outro membro da família, que, chorando, me disse que acabara de falar com um dos médicos e concluiu: "pois é, infelizmente, perdemos o Jonas. Agora só um milagre!".

     A notícia em si seria a morte cerebral. Me veio a dúvida: divulgá-la ou não! Consultei minha família. Comovida, minha esposa Suely foi radicalmente contra e ainda me questionou: "Se fosse o seu pai ou sua mãe, você divulgaria?". O meu filho Jonathan emendou: "pai, o senhor não tem sentimentos?". Fiquei em silêncio por alguns instantes. Em seguida, apresentei dois argumentos que me motivaram a tomar a decisão de revelar publicamente a morte cerebral do senador: o fato de se tratar de uma pessoa pública e o comprometimento com o leitor e com a informação.

   Às 5h55 do mesmo sábado a matéria entra na ar, em destaque - confira aqui. A reação foi imediata. A imprensa, vários políticos e amigos do senador correram para o hospital. A família, que havia decidido que naquele mesmo dia permitiria a divulgação do boletim médico sobre a morte cerebral, sugeriu aos médicos que postergassem a informação oficialmente - veja aqui. A luta científica e religiosa continua pela sobrevivência de Jonas.

    Naquele momento, eu passei por mentiroso. Os colegas jornalistas me chamaram de irresponsável. A ex-deputada e esposa do senador Jonas, Celcita Pinheiro, ficou irritada comigo. Em nenhum momento, tive a intenção de agir com sensacionalismo e muito menos com desrespeito. Fui prudente na matéria. Essa é a minha árdua missão, às vezes, pouco compreendida. O despreendimento de noticiar uma informação segura fala mais alto. Veja aqui o resultado. (Romilson Dourado)

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Comentários (17)

  • Eduardo De Lamonica Freire | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Se a fonte era fidedígna, o bom jornalismo exigia(como foi corretamente realizado)que a notícia fosse registrada. Por mais dolorosa que a notícia possa ser, o público tem o direito sagrado de ser informado com a maior correção. Isto é Democracia! Por ser um Blog ético,equilibrado, comprometido com a correção da notícia, e,muitas vezes, corajoso em divulgá-la(como foi neste caso), é que eu pessoalmente o elegi como uma das principais fontes de referência para o meu dia-a-dia, no que se refere aos acontecimentos ocorridos em Mato Grosso. Humanismo é o que foi feito: divulgar a notícia com ética, respeitando o interese da opinião pública.

  • Marco Polo Pinheiro | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Meu amigo Romilson, os homens publicos da dimensão de Jonas Pinheiro são queridos pelo seu povo promovendo comoção,quando encontram-se numa situação de agonia como essa. Cabe a imprensa comunicar a verdade, informar sua gente, e isto vc fez com o respeito, a prudência e a dignidade que o Senador Jonas e sua famila merecem.

  • Jeovaldo Rosa Magalhães | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Venho aqui, mandar os pesames, para a familia emlutada, e ao mesmo tempo agradecer ao Senador, por deixar uma Emenda Parlamentar de 2km e 500 metros de asfalto para o nosso Bairro. E que Deus o coloque num lugar muito expecial ao seu lado lá no Céu. Aqui ficamos rezando e ourando para o fortalecimento de sua familia e amigos, como nós. Amém.

  • Junior | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Romilson..
    Você é um bom jornalista...Mas dai a querer antecipar fatos envolvendo uma vida, sem levar em consideração todas as variantes que o caso requer, demonstrou de um primarismo inaceitável. Aliás, você não foi primário. Na verdade, você tentou ser esperto, querer ser o dono da verdade, e agora faz "choraminhongas" para justificar sua falha como profissional. Que a situação era grave e que o fato de não responder aos estimulos demonstrava claramente que evoluiria, como evoluiu, para a morte cerebral, isso qualquer analbético em medicina saberia dizer. Você foi sim, irresponsável. Lastimável! De qualquer forma, continue trabalhando. Que saudade de Antônio de Pádua

  • Carla | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas.
    Queira, por gentileza, refazer o seu comentário.

  • JOSE RONALDO SPINOLA BARBOSA | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    É doloroso para a familia, mas entendo que sendo o Senador Jonas Pinheiro um homem publico, toda informacao, mesmo que sendo dificil para a familia, deve ser divulgada para a população, este é o papel do jornalista.
    Aproveito a oportunidade para dizer que convive politicamente com o Senador Jonas Pinheiro e sempre o admirei pela sua postura de homem publico e defensor do agronegocio brasileiro.
    Será uma grande perda para minha cidade, Juscimeira, para o Mato Grosso e para o Brasil.

  • Nelson Francisco | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Caro Romilson!

    Infelizmente em situações com essa ficamos numa encruzilhada. Já passei por isso no que se refere a lideranças regionais que tentam a todo custo coibir o trabalho da imprensa independente. Guardadas as devidas, e óbvias proporções, o exemplo de Jonas é parecido com o de Tancredo Neves. Todos sabiam da gravidade do caso por fontes familiares e médicas. Em tempo, não existiam essa proliferação de sites e blog. Porém, aguardou-se o pronunciamento oficial da Presidência da República. Em que pese da dor da família - e todos nós temos -, lamentavelmente, e por ser uma pessoa pública, a imprensa faz o seu papel. E você corretamente.

    Nelson Francisco
    O Estado de São Paulo

  • Edivaldo de Sá | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Romilson, quando li a matéria, não tive duvida da sua veracidade, por que o sonheço e sei que jamais seria irresponsável, mentiroso ou algo parecido, sua trajetória no jornalimos, é serena, pautada pela informação correta, sem sensacionalismo. Divulguei-a no meu programa matinal de rádio, e me ligaram dizendo que estavamos "matando" o senador. Por várias vezes, nos ultimos meses, entrevistava por telefone, Jonas Pinheiro, a última antes do encontro do DEM em Barra do Bugres.
    Essa é a nossa tarefa, ardua, incompreendida, mas primordial, no processo democrático, e principalmente algo seguro, checado com a responsabilidade de um grande jornalista. Parabéns pelo seu trabalho, continue assim firme no propósito de levar a informação correta, mesmo que isso gere comentários maldosos.

  • Esmeraldo Rodrigues de Jesus | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    ...Jornalismo não tem coração. não tem família, portanto,informar é o que vale, você informou o fato com precisão. Os milhares de eleitores do Senador Jonas Pinheiro precisa ser informado da verdade, no momento exato em que ela aconteça! A dor, a revolta será inevitável...Mas a veracidade da notícia tem que estar em primeiro lugar. Mesmo sendo esta a verdade, resamos mais ainda pela recuperação deste bravo Senador.

  • Nilson Conceição de Almeida | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Romilson você fez certo, o seu dever é dar a notícia, nós eleitores de mato grosso estamos pronto para receber a mesma tanto que seja ruim ou boa. porque é que quando a notícia é de agrado todo mundo fica satisfeito. Outro que o Senador Jonas Pinheiro é um homem público, e quando acontece qualquer coisa com os nossos políticos, e ainda mais se tornando o Sr. Jonas Pinheiro, quem é que não queria saber seu estado de saúde, sendo bom ou sendo ruim, afinal a maioria em mato grosso votaram nele.
    Estou fazendo as minhas orações para que saia dessa o mas breve possível, JESUS é maior em todos e tudo confia nele e ele te salvará !!! O milagre acontece é só ter fé.

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