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Sexta-Feira, 04 de Maio de 2007, 09h:51 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Novas estratégias

 

   No jogo político-eleitoral brasileiro, as alianças são imprescindíveis. O estar só ou concorrer sozinho em eleição à chefia do Executivo municipal, estadual e federal não é uma boa estratégia política, o que pode resultar em derrotas. Razões pelas quais os partidos políticos fazem acordos, negociam e, enfim, coligam-se, afinal, está em jogo o poder de mando local, estadual ou nacional, ou os três de uma só vez. Predominam-se, aqui, interesses particulares, individuais e grupais, menos os da coletividade.
   Talvez seja por isso que o Partido dos Trabalhadores somente se aproximava do PC do B e PCB, seus parceiros fiéis e quase permanentes em qualquer briga político-eleitoral. Pelo menos é isso que transparecia ser verdade, ou se comprava como tal. Realidade ou não, o certo é que as campanhas eleitorais para Presidência da República, por exemplo, se sucederam, e o PT sempre saía delas com derrotas. Foram assim contra Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso, sendo três ao todo. Levando as lideranças petistas a pensarem como todas as outras siglas e a se valerem de velhos instrumentos de conquistas e manutenção de poder. As alianças concretizadas nas disputas eleitorais de 2002 e 2006 encaixam-se, fortemente, como exemplos. A candidatura Lula da Silva se fortaleceu com o apoio tanto da considerada ala direita, quanto da esquerda. Esta e aquela se entrelaçam e se entrecruzam, perdendo suas próprias raízes, não ocorreu de modo diferente com o PT, e, nessa metamorfose toda, formam um mesmo tronco, do qual saem braços que, nos dias de hoje, controlam os principais cargos da administração pública federal. A partir desta, outras aproximações são realizadas, desta feita nas unidades da federação, onde um dos partidos lulistas tem o leme. Trata-se, assim, de uma nova estratégia, distinta daquela que gerou o "valerioduto" e o "mensalão", é verdade, mas tão ou mais planejada quanto esta, com objetivos bem definidos, o fortalecimento do grupo nas esferas de poder, com vistas às eleições vindouras.
   A partir desse cenário é que se deve discutir a participação do PT no governo de Mato Grosso. O assumir a pasta da educação estadual por parte de um dos membros desse partido e, em contrapartida, a indicação de um amigo do governador na chefia do Dnit, órgão federal, diga-se de passagem, estabelece a bem da verdade o toma-lá-dá-cá; além, é claro, de costurar uma forte aliança com vistas à briga pela prefeitura de Cuiabá, administrada atualmente pelo PSDB, que se faz passar por oposição tanto do presidente Lula quanto do governador mato-grossense. Não foi por acaso, nem uma decisão solitária, a manifestação pública do deputado Carlos Abicalil em concorrer ao Executivo da Capital. Tudo faz parte de uma mesma engrenagem política, até mesmo as brigas internas petistas no que tange a participação ou não na administração do senhor Blairo Maggi, o que retardou um pouco a despedida do deputado Saguás da Assembléia Legislativa, para a qual fora eleito pela população. Não é de se estranhar, (e)leitor ou (e)leitora, caso o PMDB venha também fazer parte dela; até porque essa agremiação é o elo mais forte da chamada bancada governista no Congresso Nacional, tem a chefia de cinco ministérios e uma porção de cargos de segundo e terceiro escalões, e, no âmbito mato-grossense, tem o posto de vice-governador.

Lourembergue Alves é professor universitário, cientista político e articulista de A Gazeta.

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