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Terça-Feira, 03 de Abril de 2007, 10h:05 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Números sobre Mato Grosso

     O professor Alfredo da Mota Menezes comenta, em artigo nesta terça (3) em A Gazeta, sobre a questão ambiental, ONGs e o governo Blairo Maggi. Confira abaixo a íntegra.

     Segundo se comenta, Blairo Maggi deve ir aos EUA ainda neste semestre para falar sobre meio ambiente e produção econômica em Mato Grosso e na Amazônia.

     Esta coluna defende isso faz tempo. Ficar só na defensiva não é o caminho correto. Aparecem seguidas matérias sobre a realidade do estado apresentadas por algumas ONGs. Tem que haver um contraponto. Deve-se ir lá fora e mostrar números que talvez não sejam conhecidos.

     E existem números que mostram que Mato Grosso não está assim tão feio na foto. Trago alguns números de um par de anos atrás. Se houver mesmo a tal apresentação no exterior, imagino que esses números devem ser atualizados. Uma citação errada daria margem para novas críticas.

     Os números mostravam que a área total do estado é de quase 91 milhões de hectares. Já se desmatou cerca de 27 milhões de hectares. Deste total, a pecuária usaria algo como 18 milhões de hectares ou aproximados 65% do que fora desmatado.

     A agricultura cobriria cerca de cinco milhões de hectares ou uns 18% do total desmatado. Havia um estoque de terras de 4,2 milhões de hectares que são considerados subutilizados. Chega-se então àqueles aproximados 27 milhões de hectares.

     Os números mostravam ainda que o estado possuía ainda algo como nove milhões de hectares para serem desmatados. Se somarmos este número com os cerca de 27 milhões de hectares já desmatados tem-se um total de 36 milhões de hectares.

     Se as contas estiverem corretas, isso daria cerca de 40% do total de terras do estado. Estariam incluídos nesse número, portanto, os 27 milhões de hectares usados pela agricultura e pecuária, mais os noves milhões ainda para ser explorados.

     O estado é hoje campeão nacional de grãos e carne usando aqueles 27 milhões de hectares. Se usasse o restante, nove milhões de hectares (e ainda encontrasse meios para trabalhar nas terras subutilizadas), chegaria a números enormes no campo. Ficariam sem serem tocadas perto de 60% das terras estaduais, portanto.

     Existem números também para essas terras. Os mesmos, como no caso anterior, são colocados sempre de forma aproximada. As reservas indígenas, parques e reservas permanentes teriam algo como 18 milhões de hectares. Quase um milhão de hectares seria de áreas não exploráveis, como encosta de montanhas, beira de rios e outras unidades de preservação desse tipo.

     A chamada reserva legal tem perto de 37 milhões de hectares. Na nossa Amazônia só se pode desmatar, no corte raso, 20% da selva. Os restantes 80% são reserva e só podem ser trabalhados por manejo florestal. No cerrado, pode-se desmatar 65%, os 35% restantes fazem parte também da reserva legal. Isso tudo dá cerca de 56 milhões de hectares ou algo como 60% do total das terras do estado.

     Outros dados existem sobre a realidade do campo no estado que dá para fazer uma defesa tranqüila em qualquer fórum mundial.

     O que não parece correto seria tentar afrontar o exterior num debate desses. Ouvi falar que tem gente propondo que o governador mostre o tanto que foi destruído das florestas no exterior ao longo dos séculos. Que o Brasil fez muito menos estragos que eles. Que a plantação de soja nossa obedece a normas que as deles não obedecem. Que mais isso e aquilo.

     Pode ser tudo verdade, mas o bom senso recomenda não usar esse estratagema na explanação inicial de ninguém. Não provocar a audiência seria uma atitude inteligente. Se a exposição e o debate forem de forma civilizada será um equívoco se alguém entrar por esse tipo de apresentação.

     Uma palavra mal colocada seria a manchete que o mundo tomaria conhecimento. E numa apresentação, em país de língua diferente, envolvendo ataques e defesas, pode haver algum escorregão. Se ocorrer, não teria sido útil a tal viagem em defesa do estado.

Alfredo da Mota Menezes escreve em A Gazeta às terças, quintas e aos domingos. (pox@terra.com.br)


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