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Quinta-Feira, 15 de Maio de 2008, 14h:53 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:20

Artigo

O alvo já foi escolhido

 O governo de Mato Grosso comemorou cedo demais a saída de Marina Silva, que já saiu tarde demais, é verdade. Lá em 2003 quando Lula montou seu ministério estava mais que claro que não ia dar certo. Ele tentou um governo flex. Colocou no Meio Ambiente Marina que só vê preservação com o extermínio do monstro do agronegócio e na pasta da Agricultura colocou Roberto Rodrigues, um homem do setor, preparado, estudioso, mas que era o antagônico de Marina. Rodrigues tentou de tudo, obteve algumas vitórias e evitou alguns desastres, até durou muito neste governo embriagado, mas saiu a tempo de não deixar que a irresponsabilidade e dubiedade petista manchassem sua história de vida.

  Marina durou por conveniência, porque era interessante a Lula. Em 2003 um funcionário do Ibama denunciou ao TCU um esquema que englobava uma Ong , seu marido, Fábio Vaz de Lima, seringueiros e recursos do BNDES. A coisa foi abafada pelo governo, pois era conveniente.

   No começo eu achava que Marina era inoperante, não incompetente. Com o tempo vi que era o contrário. Ela era operante e graças a Deus, incompetente e discreta. Mas sua saída, apesar de tardia, foi um golpe a Lula, o que por si só já me deixa satisfeita.

   Mas o governo de Mato Grosso comemorou cedo demais. Em entrevista a agência Reuters Maggi disse que o tempo de Marina já tinha se esgotado e que "Se (Minc) vier com o ritmo de trabalho que vinha desempenhando no Rio, será bom para a fluidez dos licenciamentos de projetos no Estado". Sim, está certinho. Sai Marina, entra Minc muito mais ágil, como quer o governador. De tão ágil, antes mesmo de assumir disparou: “tem o governador de Mato Grosso que se a polícia deixar, planta soja até nos Andes, então, é um problema”.

   Isso prova que o “problema” de Mato Grosso não é o agronegócio, não são os produtores rurais, mas a “imagem” e o governador Blairo Maggi por encarnar essa “imagem”, se tornou o “problema” de Mato Grosso.

   Minc não será diferente de Marina, com o agravante de não possuir o mínimo apego à discrição. Pelo contrário, adora holofotes e com aquela cara de galã verde dos anos 70, enfrentará a incontinência verbal de Maggi com muito mais veemência. Pobre produtor! Pobre Mato Grosso!

   Veja bem, o novo ministro diz não conhecer o Brasil, mas já acha que Blairo Maggi é questão de polícia. Isso é muito mais grave que uma ecochata discreta no calcanhar defendendo arvorezinhas. Marina saiu dizendo que prefere “um filho vivo no colo de outro a um filho jazendo em seu colo”. O que ela disse com isso? Que Minc continuará o trabalho que ela não tem mais força política para prosseguir, e, pelas suas declarações antes mesmo de tomar posse, Minc assim fará e se for pressionado como Marina foi, não recuará como ela fez. Ele abrirá a boca e Lula terá que ceder para evitar mais um desgaste internacional envolvendo o meio ambiente. E não se enganem quanto a Lula, ele já queimou aliados próximos para se resguardar. Não terá receio algum de queimar quem quer que seja e a região que for.

   É, tomara que não sintamos saudades da Marina.

  Adriana Vandoni é economista, especialista em administração pública pela Fundação Getúlio Vargas/RJ, professora universitária e articulista do Jornal Circuito Mato Grosso (www.adrianavandoni.com.br)

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