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Terça-Feira, 19 de Dezembro de 2006, 05h:06 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

O barulho das ongs

   

    Renato de Paiva, em artigo no Diário de Cuiabá (www.diariodecuiaba.com.br) chama 'os fanáticos e barulhentos 'ongueiros' de levianos.

Leia a seguir a reprodução do artigo do empresário.

     O barulho das ongs

     Os fanáticos e barulhentos “ongueiros” gritam nos jornais, nas emissoras de rádio e TV e nos sites da internet que o Brasil é um dos campeões do mundo em desmatamento. Pura leviandade. Os números disponíveis mostram o contrário: estudo encomendado pelo Governo Federal sobre a cobertura florestal do mundo, feito pela Embrapa, confirma que temos ainda 69% das florestas originais e que a “civilizada” Europa, ninho e criatório das maiores “ongs preservacionistas” do mundo, conservaram apenas 0,3% de suas matas originais. 
     Pois é, são estes europeus que devastaram 99,7% de suas florestas que se colocam como modelos do mundo, exigindo que outros paguem pela sua ganância destruidora.

       A pressão mundial pela preservação ambiental é muito grande. Entretanto não devemos nos iludir sobre a verdadeira causa de tanto zelo. O maior interesse é econômico, sem nenhuma dúvida. As “ongs” internacionais que atuam no Brasil, algumas inocentemente creio, são braços do capitalismo concorrente, dedicados a aliciar os próprios brasileiros para impedirem o progresso do país, principalmente do nosso agronegócio, sabidamente dos mais competitivos do mundo.

        Aqui no Brasil, às vezes até com apoio de alguns políticos inconseqüentes, como é o caso do governador do Paraná, os militantes de tais “ongs” invadem instalações particulares de pesquisa de sementes, destruindo trabalho de muitos anos e atrasando estudos de organismos geneticamente modificados. Também, através de protestos ruidosos que a mídia reproduz, dificultam ao máximo a aprovação de projetos de rodovias, ferrovias e hidrovias. Enquanto isso países de agricultura desenvolvida como Estados Unidos, Canadá e Argentina plantam transgênicos, muito mais produtivos e rentáveis e os transportam de trens e navios, que são os meios mais baratos. Nós, pressionados por “ongueiros” sonhadores, cultivamos grãos tradicionais e os transportamos em caminhões, que congestionam estradas e portos encarecendo o produto. 
        Há casos de interferência de “ongs” que poderiam ser classificados como anedota, se não causassem tanto transtorno à população: aqui mesmo em Mato Grosso o gasoduto Brasil/Bolívia, sofreu um atraso considerável porque teve seu traçado alterado por causa de um “condomínio de morcegos” em uma caverna por onde deveria passar a tubulação. Ouvi dizer que também aqui, foi alterado o estudo da ferrovia que passava originalmente a 2 km de uma aldeia indígena o que poderia perturbar o sono dos bravos guerreiros. No Paraná, “ongs” impediram temporariamente a construção da duplicação da Rodovia Regis Bittencourt, até que um casal de passarinhos terminasse de chocar seus ovos e tirasse sua prole da árvore que seria derrubada. Por aí dá pra ver os males que os românticos verdes podem fazer quando estimulados pelo capital internacional e principalmente custeados por ele. 
       Esta minoria estridente certamente vai intensificar suas ações neste momento em que despontamos no cenário internacional como o país de maior potencial na produção dos agroenergéticos. Além das barreiras tarifárias e sanitárias que são grandes e poderosas, certamente serão ampliadas as exigências ambientais.

         Combate a incêndio, às vezes, exige fogo de encontro. Para contrapor o discurso interesseiro e direcionado das “ongs” internacionais, creio que deveríamos criar um movimento voltado para a recuperação das florestas dos Estados Unidos e da Europa, usando nosso vasto potencial de “recursos humanos românticos”. Podemos trabalhar inicialmente exigindo a reposição de 10% das florestas originais, em um prazo de 10 anos.

         Alguns estudantes da Unemat que ainda ontem exibiam uma faixa com os dizeres “Menos grão, mais educação’ poderiam ser nossos primeiros militantes. Quem desconhece que a Universidade Estadual de Mato Grosso depende basicamente da receita de ICMS para sua manutenção e que essa receita está diretamente vinculada à produção de grãos, tem bom potencial para integrar qualquer “ong”. 
         Olha que temos moral para exigir esse pequeno sacrifício dos desenvolvidos, diante do nosso exemplo de preservação de quase 70% de nossas florestas.

        Claro que não vamos, a despeito do exemplo, conseguir repor uma só árvore na hipócrita Europa e nem nos gananciosos Estados Unidos. Também não é esse o objetivo. O que conta é o “auê” tirar o Brasil do foco dos ambientalistas e colocar os verdadeiros devastadores na berlinda. A idéia é fomentar uma luta de festivos-verdes-românticos contra românticos-verdes-festivos, enquanto os empreendedores plantam, colhem e produzem riquezas de que o país precisa e ainda gerar sobras para manter tanta gente ociosa e festeira. 

        * RENATO DE PAIVA PEREIRA, empresário

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