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Quinta-Feira, 28 de Dezembro de 2006, 10h:11 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

O dia de amanhã

  O jornalista Carlos Monforte enfatiza, em artigo nesta quinta (28) em A Gazeta, que o presidente Lula deseja que o ano comece em fevereiro para poder ajustar o quadro de ministros.
   Confira na reprodução abaixo:
 
     O presidente Lula está inventando: quer que o ano comece em fevereiro. Pois será assim esse início de segundo mandato. Tudo será como antes e serão poucas, pouquíssimas, as novidades. Até o ministro da Justiça, que já deu como certa sua saída do governo, deixará o cargo a pedido do presidente apenas no fim de janeiro. A briga por seu cargo é grande e, afinal, o presidente precisa de um consultor jurídico à mão.

    As reuniões têm sido intensas e Lula até pediu um pouco de sossego esta semana, para poder se recompor e tirar tanta conversa do ouvido. Ele tem procurado pavimentar na medida do possível o seu próximo mandato, se encontrado com políticos e até mesmo assinou um protocolo de intenções para pôr nos eixos a recomposição do salário mínimo. São arestas que necessitam reparos e quanto mais cedo isso for feito, melhor.

     A área política, essa não tem jeito. Essa história de coalizão é apenas uma boa estratégia, mas que não comove os partidos, os políticos. Todos falam em governar juntos, em abrir mão de espaços, mas tudo fica no discurso. O PT, por exemplo, tem uma arenga para o público externo, mas em suas reuniões o bicho pega, como no encontro que tiveram seus líderes com o presidente. Ninguém quer abrir espaço algum e todos são gulosos por cargos e regalias.

    Depois das festas da posse, o dia de amanhã não será fácil para o presidente, que está obcecado pela infra-estrutura, pela recuperação das estradas e bastante contrariado com as soluções propostas, pouco ousadas e aquém de sua intenção. Mas ele, ao fim e ao cabo, tem culpa no cartório: o salário mínimo político, de R$ 380,00, vai tirar pelo menos quatro bilhões de reais do pacote de medidas para "destravar" a economia.

     A obsessão do presidente deverá se materializar pelo menos no papel no começo (ou no fim?) de janeiro. Apesar de prejudicado pelo novo mínimo e pela correção do Imposto de Renda, o pacote irá prever o corte de impostos para estimular investimentos, mas não será tão robusto quanto se pensava. As primeiras prejudicadas serão as empresas exportadoras. Mas haverá estímulo para a expansão das empresas.

     Na verdade, esse será o ponto crucial de todo o ano de 2007: o crescimento, a maior pedra no sapato de Lula e do governo, que conseguiu manter uma política econômica rígida e, com isso, segurar a inflação, botar o índice de risco-país lá embaixo e até baixar os juros. Mas o crescimento da economia foi pífio, daí o interesse do presidente. Não fala mais em números, mas quer que o país cresça a taxas menos ridículas.

     Mas as idéias, desejos e vontades do presidente terão de enfrentar as incompreensões políticas e a má vontade de quem não quer partilhar. A disputa cada vez mais firme para a eleição das Mesas da Câmara e do Senado pode prejudicar as intenções de Lula, ou pelo menos desgastar a imagem do presidente. Embora muitos queiram separar a eleição dos novos presidentes da composição do ministério de Lula, as coisas vão ficando mais próximas a cada dia. Ele vai precisar de homens de confiança no Congresso para realizar seus sonhos. E isso só deve acontecer no começo de fevereiro, quando Câmara e Senado terão suas direções renovadas. Por isso, o novo ministério vai demorar; por isso, 2007 vai perder um mês.

     Carlos Monforte é jornalista em Brasília e escreve às quintas-feiras em A Gazeta

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