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Sábado, 06 de Outubro de 2007, 07h:05 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

Artigo

O dilema da baixada cuiabana

     Aquela velha expressão popular "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come" encaixa-se perfeitamente para a situação caótica que enfrentamos em Cuiabá nos últimos meses. Se tivermos a benção de São Pedro e a chuva vier nos próximos dias, aliviando esta nuvem de fumaça, teremos um problema sério com a interrupção de energia na baixada cuiabana. Isso tudo porque, como venho expondo nas sessões da Assembléia Legislativa, nos meus artigos e em qualquer oportunidade que tenho, Mato Grosso está retroagindo em relação a sua auto-suficiência energética.
     Estou alertando já há algum tempo que a paralisação do fornecimento do gás natural pela Bolívia desestabiliza o nosso sistema elétrico (por falta de insumo na produção de energia pela Usina Mário Covas - Termelétrica de Cuiabá) e qualquer interferência externa, como "chuvas e trovoadas", problemas nas linhas de transmissão e acidentes, poderá gerar "apagões freqüentes" por força de não termos uma "reserva" no maior centro de consumo que é Cuiabá.
     Temos notícia que vários apagões ocorreram no último mês na baixada cuiabana, mesmo que estes números ainda não estejam sendo oficialmente divulgados. A situação se agrava porque estamos numa época de aumento de temperatura, que naturalmente acarreta ampliação no consumo de energia elétrica. Sem a Termelétrica de Cuiabá, são pelo menos 135MW a menos no sistema elétrico de Mato Grosso pela última negociação feita entre a EPE e o governo boliviano.
     Sabemos que a concessionária de fornecimento de energia elétrica do Estado está trabalhando com limite de 6,5% acima da capacidade nominal, e que uma solução a curto prazo seria a substituição de gás natural pelo óleo diesel na produção de energia elétrica pela Usina Mário Covas. No entanto, esta "pseudo" alternativa ampliaria os custos de produção em 7 a 10 vezes, refletindo diretamente no bolso do consumidor final, além do pesado impacto ambiental daí decorrente.
     Minha indignação fica por conta da inércia do governo brasileiro, que deu preferência ao compromisso de abastecimento de gás natural para a Petrobrás, em detrimento do contrato com Cuiabá.
     Mais uma vez afirmo que não podemos deixar que Mato Grosso seja prejudicado por acordos que não levam em conta as necessidades regionais. Estamos num momento muito complicado e precisamos dar prioridade a esta questão, para não ficarmos rezando às avessas, pedindo chuva, "mas só um pouquinho".

 

Carlos Avalone é Deputado Estadual, líder da bancada do PSDB na Assembléia Legislativa e vice-presidente da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso.   

 

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