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Quinta-Feira, 04 de Janeiro de 2007, 06h:41 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

O final do fim de ano

    O economista Paulo Ronan revela, em artigo publicado nesta quinta (4) no Diário de Cuiabá, que coleciona amigos e menciona alguns deles.

Confira abaixo a reprodução na íntegra do artigo.

   Tem pessoas que colecionam revistas. Outras, discos. Tem algumas mais afoitas que colecionam mulheres. Têm as endinheiradas que já preferem fazendas, quadros, bois etc. Eu coleciono amigos. Tenho uma boa coleção, e entre os melhores exemplares tem o Aylon e sua família. Marcamos de encontrar uma vez no Rio de Janeiro. Eu, meu povo e o povo dele. Mas problemas me impediram de chegar no dia combinado e fui aparecer quando faltava um dia para eles virem embora. Cheguei em tempo de irmos esvaziar umas garrafas (muitas delas, diga-se passagem) lá no Bar Urca, no bairro do mesmo nome. O boteco que já foi motivo de uma mobilização de quase todos os bebedores da cidade contra um decreto do prefeito César Maia, que proibia mesas na calçada em frente ao boteco.

    Realmente, tinham lá os técnicos de postura da prefeitura suas motivações técnicas. O bar fica numa calçada e a turma só senta do outro lado da rua na mureta que dá de frente para a Enseada de Botafogo. É um eterno vai e vem cruzando a rua. É garçom, filhos ainda criançasdos freqüentadores, bêbados indo ao banheiro etc. E motorista de ônibus buzinando, “rolo para mais de metro”. Mesmo assim o prefeito cedeu aos sofisticados argumentos da turma da cana e o decreto foi revogado.

    Aylon tem um cunhado. Todos nós temos cunhados. E este cunhado fez um comentário neste dia lá no boteco da Urca. Ao fecharmos a conta para batermos em retirada ele lembrou que no último dia das férias - já que iria embora no outro dia - parecia que estava tudo começando, de tão boa que foi a farra. Coisa de especialista.

    Lembrei deste fato diante deste final de ano. Quando parecia que tudo já tinha acontecido o final do fim apareceu com novidades.

    O crime do Rio se uniu nos últimos dias do ano e desafiou o governo com uma série de atentados contra a população e alvos militares. Faz isso por vingança por conta da crescente presença dos grupos paramilitares no negócio da cocaína e da maconha na cidade. Lula de improviso classificou tal movimentação como terrorismo e foi o que saiu de sua posse na imprensa internacional, ou seja, a entrada do Brasil no circuito do terror, o que pode atrapalhar a candidatura da cidade a promover as olimpíadas e o país a sediar a copa de 2014. Os adversários gostaram e a Colômbia pediu explicações a Fifa que a desclassificou da disputa conosco exatamente por conta da violência das suas cidades. Prejuízos já poderão ser sentidos agora nos Jogos Pan-Americanos.

    No dia 30 de dezembro, portanto penúltimo dia do ano, a justiça iraquiana resolveu antecipar a execução da pena de morte imputada a Saddam Hussein. Todos esperavam que ele fosse executado depois do dia 15 de janeiro. Quarta-feira, ontem, dia 3, cinco dias depois da execução o promotor do caso decclarou que chegou a pensar em adiar a execução quando Saddam já era carregado pelos carrascos. Os advogados de Saddam não entraram com recurso e as filhas dele elogiaram sua postura diante dos carrascos. Parece que ele gostou deste fim. A falta de recurso me intriga. A rapidez também. Tudo me intriga nesta coisa.

    E por ultimo, também no dia 30, a nota mais triste. O ETA rompe a trégua na Espanha. Zapatero anunciou ontem o fim do diálogo. Nossa imprensa ainda absolvida pelas as notícias de posses e discurso dos novos governadores vem trazendo muito pouco sobre as motivações desta reviravolta. Uma pena. Eu queria que fosse com o partido socialista no poder que estas agressões fossem enterradas na Espanha. Agora é rezar.



* PAULO RONAN é economista, ex-professor de Economia da UFMT (cpmpj@uol.com.br)

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