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Segunda-Feira, 24 de Setembro de 2007, 09h:07 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

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O novo Mato Grosso que chega (1)

     Uma nova onda vem se desenhando rapidamente na economia de nosso estado. Aliás, já houve muitas fases anteriores iniciadas lá atrás na extração mineral e chegando à atual. Hoje tem-se o agronegócio em transformação, a pecuária, a extração da madeira, a indústria e todos os setores de serviços.
    A crise do três primeiros setores em 2005, criou valores novos para a economia. Por exemplo, os produtores de soja sofreram um baque muito grande e um número ainda não calculado, deixou de plantar porque tem dívidas, não tem capital ou porque tem medo de tomar mais prejuízos. No lugar deles, os grandes estão arrendando as terras e plantando. Empresários como Eraí Maggi, Otaviano Pivetta, para citar só dois mais conhecidos, estão arrendando grandes áreas e incorporando-as para plantio.
    Por detrás estão o custo de plantar que está cada vez mais pela burrice fiscal do governo federal que só quer arrecadar para manter o projeto de poder político pessoal do presidente Lula. Aliás, nunca se arrecadou tanto imposto no Brasil e nunca se jogou tanto dinheiro fora como se joga no governo Lula. Mas isso é outra conversa. O fato é que hoje não se planta mais sem muita tecnologia e muito capital, coisas que os pequenos e médios produtores não possuem mais.
    Aquela cultura do produtor de soja iniciada há dez anos quando a Fundação Mato Grosso de Pesquisas criou um espírito de união e deu rumos e técnicas a todos, pequenos, médios e grandes, desaparece a partir da safra que se plantará a partir do mês que vem. Leitura crítica: a agricultura de Mato Grosso passará às mãos dos grandes produtores e se tornará corporativa para agüentar os trancos da burrice do governo e para enfrentar as oscilações dos mercados. Desaparece para sempre o plantador individual e familiar. Primeiro ele arrenda a terra. Depois, só Deus sabe...!
   No lado da pecuária, não é muito diferente. A tendência são as grandes áreas de pastagem serem assimiladas pela agricultura e a pecuária especializar-se em cadeias do tipo, um produz os bezerros, outro cria, outro confina e engorda e o frigorífico mata. Todos amarrados em contratos de fornecimento. Aqui também prevalecerá a tecnologia, porque os custos e os mercados tendem às exigências crescentes. Logo não haverá mais espaços para os pequenos e os médios fazendeiros de gado. No lugar, enormes confinamentos de gado, casados com a produção de grãos e com o aproveitamento de resíduos agrícolas.
     São novos tempos muito distantes do ciclo pantaneiro da pecuária mato-grossense que prevaleceu até os anos 80. O gado criado solto nas planícies alagadas dava garantia de vida e de renda aos pecuaristas. Esse ciclo que também se refletiu na política com a construção de um poder político, saiu de cena com a modernidade das pastagens de capim braquiária nos cerrados altos.
     É um tema muito longo que pretendo abordar no correr da semana, depois da gratificannte série das crianças e o futuro, na tentativa de avaliar os seus desdobramentos econômicos, políticos e sociais. Concretamente, estamos diante de um novo e profundamente desconhecido ciclo de mudanças.

 

Onofre Ribeiro é articulista deste jornal e da revista RDM (onofreribeiro@terra.com.br)         

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