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Quarta-Feira, 28 de Fevereiro de 2007, 07h:19 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

O novo rei da soja

   O economista Amado de Oliveira Filho, em artigo em A Gazeta desta quarta (28), comenta o que classifica de equívoco do presidente do Grupo Bom Futuro, que soltou a célebre frase: "A crise separou o joio do trigo. Só vão ficar os bons". Confira reprodução abaixo.

  O Brasil já viveu sua experiência monárquica, naquele período tomou força o movimento político denominado Coronelismo. Esta forma de poder era manifestada pela força ou pelo carisma e liderança do tipo salvador da pátria. Tanto a monarquia como o coronelismo passaram. Até porque o que seria da sociedade se de tempos em tempos tivéssemos que reinventar a roda? Jamais teríamos alcançado a modernidade.

Não é o caso de Mato Grosso, estamos reinventando algo meio monarquista coronelista. Trata-se de uma corrida inócua onde a revista Dinheiro Rural de vez em quando tenta coroar o "rei da soja". Este mês, com direito a foto de capa, tentou demonstrar ao Brasil e ao mundo o carisma, a liderança e a competência do presidente do Grupo Bom Futuro, com a célebre frase: "A crise separou o joio do trigo. Só vão ficar os bons".

Os equívocos não param por aí. A matéria considera que o dólar a R$ 2,10 não impacta os custos de produção, mas não avalia seu impacto na comercialização e ainda afirma que as chuvas estão na medida certa em toda a região Centro-Oeste. Centro-Oeste de onde? Não disseram. Porém, fizeram uma profecia que não interessa a ninguém, a de que esta safra deve marcar a volta por cima dos grandes produtores que ficarão maiores assumindo áreas de produtores menos eficientes.

É bom que o novo rei da soja avalie que se um produtor colher 160 mil hectares de soja nesta safra estará colhendo apenas 3,0% dos mais de 5 milhões de hectares plantados. Se considerarmos que o Estado de Mato Grosso este ano estará colhendo 15,0% menos soja que na safra passada, e não quebrará por isto, quem são mais importantes para a economia mato-grossense, um rei ou uma média-burguesia que planta, colhe e consome o fruto da produção dentro do próprio Estado?

Segue a matéria, no entanto, tenho a sensação de que um demônio continua soprando em meus ouvidos a frase "Só vão ficar os bons"! O que é ser bom numa atividade de altos riscos como a sojicultura? Quem é melhor, um produtor que planta 160 mil hectares ou um de apenas 1 mil hectares, que veio para Mato Grosso e aqui criou sua família, educou seus filhos e também sofre as conseqüências do câmbio, do clima e das pragas?

Paradoxalmente, na mesma matéria são citados outros grandes produtores que mesmo mantendo o otimismo, informam que houve a necessidade de venderem carros e fazendas para amenizar as dívidas. Puro bom senso! Afinal, quando o mercado estiver mais favorável, podem voltar à plena atividade. Afirmam ainda que a médio e longo prazos as possibilidades de ganhos são reais, inclusive com uma boa dosagem de diversificação.

Virando a página da fatídica matéria, a Revista Dinheiro publica com o título "Há luz no buraco" a realidade da sojicultura no Brasil e em Mato Grosso. Segundo o conceituado Consultor André Pessoa da Agroconsult, "produtores da região Sul e Sudeste já podem comemorar o fim da crise. Já os do Centro-Oeste vão levar mais tempo para a fase de lucros". Em Mato Grosso, os produtores terão um lucro de R$ 1,5 bilhão para fazer frente a uma dívida de R$ 4,3 bilhões.

É certo que os produtores de soja de menor porte não desaparecerão, é certo também que todos sairão da crise e que as políticas públicas já utilizadas e as que virão para a cadeia da soja e a própria lógica do mercado garantem isto. Também é certo que precisamos de mais produtores e menos reis, afinal, esta é a melhor característica do capitalismo, mesmo com certa dose de mais-valia absoluta, no caso do arrendamento de terras.

Amado de Oliveira Filho é economista em Cuiabá e escreve às quartas-feiras em A Gazeta. E-mail: amadoofilho@ig.com.br

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