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Quarta-Feira, 11 de Abril de 2007, 09h:15 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

O Pantanal e os interesses políticos

Em artigo abaixo, Luiz Alves Corrêa e Oriana Paes de Barros discorrem sobre dois projetos de lei que tratam do Pantanal Mato-Grossense, criticam parlamentares do Estado que fomentam a idéia de divisão territorial e se posicionam radicalmente contra as propostas. Confira abaixo.

 

      A sabedoria de um homem está, não em seus conhecimentos e estudo, mas em seu equilíbrio e inteligência em discernir o que é certo do que é errado, aplicando o que sabe, com harmonia e tendo sempre em vista, o bem comum e não os seus interesses ou  os de alguns.

      Parece que hoje, os nossos homens públicos não estão exercendo suas funções com a sabedoria necessária.

      Os dois Projetos de Lei que tratam do Pantanal, atingem em cheio esse princípio, pois afinal, os nossos representantes, mais do que  deter o Poder, deveriam saber exercê-lo, olhando sempre para a coletividade.

      O que se fala no mundo inteiro hoje? O aquecimento global, a perspectiva clara e imediata de desaparecimento de ecossistemas, animais, flora, recursos hídricos, aumento da temperatura (no Pantanal seriam quatro graus a mais), derretimento das calotas polares, desastres ambientais infindáveis.

      Aqui em nosso Estado, na contramão dessa História recente e bem real, os nossos políticos caminham em direção diametralmente oposta. Discutem e querem impor uma legislação que limita o Pantanal, o nosso Pantanal e de outro Estado e outros países,  à planície alagável. Parecem desconhecer que a Câmara dos Deputados também está discutindo a questão, sob o enfoque das mudanças climáticas no Pantanal e que lá, naquela Casa de Leis, tramita um Projeto de Lei desde 1997, do então Senador Júlio Campos, que trata do Gerenciamento do Pantanal Mato-grossense, envolvendo os dois Estados. Mesmo com tantos Parlamentares, com exceção do então Deputado Wilson Santos, nenhuma, absolutamente nenhuma emenda foi apresentada e o Projeto está lá, para ser levado a votação. Como eles se interessam pelo pantanal e pelo pantaneiro...

      Remam, como se fosse possível fazer as águas dos nossos Rios, ao invés de caminharem drenadas pela planície, subirem de volta às suas cabeceiras.

      Limitar o Pantanal não é só um erro técnico, é uma demonstração inconteste da limitada visão dos nossos Políticos em relação às questões ambientais. É uma prova do desinteresse de vários deles, para com as causas que verdadeiramente interessam a este Estado e a este país.

      O Pantanal senhores, não é só Patrimônio Nacional. É um patrimônio genético e natural que ultrapassa todos os limites de conhecimento dos homens. A natureza é sábia, é dócil, é produtiva, é contemplativa, mas, provocada, ela pode ser um inimigo feroz. Que o digam os povos da Indonésia, da China, dos Estados Unidos com seus furacões e enchentes, enfim, todos os povos que habitam o planeta Terra, que dá bons frutos, se boas forem  as sementes.

      Muitos desses políticos que aí estão, alguns tentando se promover, outros se escondendo para não ter que se pronunciar, são gente estranha, que embora vindo viver em Mato Grosso, não carregam com eles, os compromissos de lealdade à nossa gente ou aos nossos recursos naturais. De onde vem, estes já foram destruídos.

      Esses homens públicos, não amam o Pantanal. Não têm com ele, ou com os pantaneiros, ligações de cultura, de história, de família, de origens longínquas das quais viemos nós, os seres da água, água do Pantanal. De geração em geração, aqui estivemos, tornando a região economicamente importante e com quantas dificuldades...

      Não adianta discutir com eles as Leis que propõem, porque o que eles querem mesmo é fazer descer pelas nossas gargantas, o fruto de suas ambições e de seus compromissos escusos. Fizeram isso em Poconé, em uma Audiência Pública na qual muitos falaram, menos o homem humilde do Pantanal, que nem sempre tem representantes à altura da sua dignidade. Porque se há uma coisa que esse povo tem, é altivez, honra, coragem, determinação, equilíbrio e sabedoria. Tudo isso, na sua fala mansa e nem sempre ouvida ou compreendida. Só poderá compreender a grandeza dessa gente, quem viveu ou tiver a coragem de viver  como ela, no isolamento, na falta de apoio desses mesmos homens, que hoje querem nos impingir, traiçoeira e acintosamente, uma “política” para o Pantanal,  justamente  para nós, pantaneiros de gerações e gerações, e ainda assim, aprendizes. O que dizer deles então. 

      A sagacidade dos senhores jamais será maior que a nossa dignidade.

 

Luiz Alves Corrêa é Médico-Pantaneiro

Oriana Paes de Barros

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