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Quinta-Feira, 02 de Agosto de 2007, 09h:06 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

Artigo

O Potencial do Pantanal

     O crescimento populacional, leva a um conflito inevitável entre o uso da terra e o espaço que o homem ocupa nela. Com isso a produção orgânica ganha força, contrapartindo com as técnicas atuais do uso de produtos químicos e do desmatamento, para que se possa ter um aumento de produção.
     Como a pecuária orgânica se preocupa na preservação do meio ambiente, do animal e do bem estar humano, a procura por melhorar as técnicas de criação de gado orgânico cresce no Brasil. Isso acaba indo de encontro com as técnicas de manejo sustentável, técnicas essas muito comuns na região do Pantanal. Esses sistemas em áreas de rica biodiversidade coloca o Pantanal imediatamente na rota de valorização, seja de suas terras como de seu rebanho, pois o manejo tradicional da pecuária extensiva tem contribuído para a conservação local, podendo ser melhorada através da implantação e adaptação de algumas tecnologias que são únicas para a região.
     A Embrapa Pantanal, tem dados animadores para os que vivem na região da planície alagada. Esse detalhe acaba indo de encontro com a diminuição das pastagens nas regiões mais altas, devido ao aumento na produção de soja, milho, algodão, etc... Com isso, os produtores acabam levando o rebanho para as pastagens naturais do Pantanal. Porém os consumidores deste nicho de produtos, ainda desconhecem esses pontos, obrigando os produtores a ter que investir em meios de divulgar a carne pantaneira.
     Outro grande motivo que anima os proprietários de terra da região do Pantanal, é o crescimento de investimentos em torno da região, como a construção de usinas de biodisel, plantações de cana-de-açúcar, milho, girassol, mamona, etc... Esses investimentos acabam valorizando as terras pantaneiras, tornando-as mais confiáveis e viáveis, pois o gado é visto como essencial para a conservação do Pantanal, levando em conta que os rebanhos têm de ser levado das pastagens altas para as da baixada. Assim ganham todos, os produtores de biodisel, o meio ambiente, os pecuaristas, as cidades vizinhas, as fazendas que tem pastagens naturais de sobra, fora a geração de emprego e fontes de renda em macro e micro ambiente.
     Outro detalhe que ajuda a alavancar o valor das propriedades pantaneiras, são as diversas atividades que podem ser feita na região. Além da pecuária que fornece o bezerro desmamado e o vitelo pantaneiro orgânico, tem-se as opções de criação de animais silvestre como o jacaré, a produção de mel orgânico e, na ponta dessa “alavanca” esta o turismo ecológico, com atividades variadas, como: pesca esportiva, safári fotográfico, trekking ecológico, cavalgadas, passeios arqueológicos, etc... Sem contar, que essa enorme diversificação de atividades podem na sua maioria ser realizada em uma só localidade, aproveitando as diferentes épocas do ano para serem melhor exploradas. Sendo justamente essa variedade de opções, que leva o Pantanal a ser visto hoje como uma nova fronteira econômica no Brasil.
     Porém, esses investimentos e valorização têm um preço, que é o conflito ambiental que todo crescimento gera. Para isso, a fiscalização nas ações devem ser severas, consecutivas e seguir as normas de acordo com os estudos que definiram o perfil da região do Pantanal. Pois como já se sabe, a degradação feita no planalto é que causa todo o desequilíbrio na bacia pantaneira, levando desde o assoreamento de rios a contaminação por agrotóxico e mercúrio.
     Essa visão otimista anima até mesmo aqueles que viam o Pantanal como um alagado sem valor, deixando claro que o Pantanal hoje faz parte não só do ciclo ambiental, mas também do econômico, político e social do país.
     Toda medida para melhora das condições de vida faz-se necessárias para a região do Pantanal. Porém caso as ações de cuidados para com a região sejam desconsideradas, acarretará um alto risco para o meio e para os que nele vivem, sendo que esse dilema não pode servir para dificultar investimentos, e sim torna-los mais acessíveis, sempre mostrando a preocupação com os cuidados ambientais.
     O Pantanal tem muito valor, o que sempre lhe faltou foi ajuda financeira, investimento em pesquisas, cursos técnicos, estradas, melhores matrizes e reprodutores, entre outras ações. Pois boa vontade o pantaneiro tem de sobra, falta é olhar para a região como uma fonte de renda viável e sustentável.


Vladimir Bouret é Servidor Público e nas horas vagas também é pantaneiro sim senhô

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