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Quarta-Feira, 08 de Agosto de 2007, 08h:53 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

Artigo

O que você vai fazer de diferente?

     As pessoas, hoje em dia, padecem de excesso de "vitimização" em suas relações profissionais e pessoais. E como eternas vítimas, costumam justificar seus erros dizendo que "não tiveram culpa", se algo não saiu como o previsto; que "não sabiam de nada", que "ninguém reconhece aquilo que fazem de bom", que "não tiveram recursos para conseguir os resultados", ou que "o tempo não foi suficiente".
     Todo esse discurso é próprio de quem se julga vítima; de alguém que faz parte das relações, porém não reconhece seu próprio papel e sua contribuição para os resultados.
     Os que atuam como líderes estão sempre ouvindo, no dia-a-dia profissional, alguém da equipe justificar e justificar falhas, portando-se como vítima diante dos apontamentos de problemas ou de erros.
     Parece que há uma crise de "auto-estima" generalizada, que conduz a mente da pessoa para o estado de injustiçada, como que para garantir que finalmente alguém irá reconhecer o quanto ela é importante e está sendo pouco reconhecida.
     A "vítima", naquele momento, quer ser a "pobre coitada"; sim, faz questão disso. E muitos de nós sentimos realmente pena e alimentamos essa posição, com palavras que teriam a função de dar apoio para uma melhoria, mas que levam a pessoa ainda mais para a autopiedade, fazendo-a sentir-se como uma "coitada" e assim digna de atenção e reconhecimento.
     Claro que nesse assunto poderíamos ir longe, falando, por exemplo, do quanto os pais ainda estão longe de ser hábeis na educação dos filhos, de forma a contribuir para que a auto-estima deles seja fortalecida e bem estruturada. Falta aos pais a habilidade do reforço positivo, da atenção e do elogio em doses certas, para gerar adultos com facilidade de expressar sentimentos, com segurança e autoconfiança.
     Mas você, como líder, como gestor, não tem como resolver problemas de auto-estima da sua equipe. Isso cabe a cada um, ou seja, o processo de autoconhecimento e transformação pessoal é uma escolha individual e exige dedicação plena.
     O que você pode fazer, o que realmente está em suas mãos, para ajudar as pessoas que fazem parte do seu círculo de relacionamento a saírem da posição de vitima, em vez de "oferecer o ombro" na hora do problema, lamentando junto pelos dissabores da vida, ou mesmo criticando e recriminando o outro pelos parcos resultados alcançados (o que, aliás, são os comportamentos mais comuns nos líderes), é perguntar: E o que você vai fazer de diferente?
     A princípio, essa pergunta produz um choque na pessoa que está acostumada a ouvir palavras de apoio e conforto ou palavras de cobrança e recriminação.
     O choque vem porque essa indagação coloca a pessoa numa posição de agente responsável. Somos responsáveis pelo que acontece em nossa vida, e não culpados. Mesmo quando nos omitimos é uma escolha o que fazemos; o que, portanto, nos torna responsáveis pelos resultados que virão.
     Ser responsável significa reconhecer que sempre temos uma parcela de participação em tudo, que detemos o poder da escolha, que podemos contribuir para qualquer situação que seja, mesmo que não tenhamos o poder de mudá-la completamente.
     Por exemplo: uma mãe reclama que seu filho é muito desorganizado com suas coisas, que o quarto dele está sempre bagunçado e ela está farta daquilo, que ele não a obedece, que não a respeita e que nem adianta mais pedir para que ele arrume o quarto. Este é o discurso típico da mãe vítima do filho desorganizado.
     Em que esta mãe está contribuindo para a situação? Será que ela não tem nenhuma parcela de responsabilidade? Ora, o que ocorre é que ela sempre organiza o quarto dele; reclama, mas vai lá e arruma tudo. Isso alimenta o comportamento do filho, que aprendeu que no final a mãe organiza o que foi bagunçado.
     Parando de agir dessa forma, a mãe vai fazer com que o filho, farto de tanta bagunça em seu quarto, um dia resolva se organizar. Aí, sim, ele vai começar a aprender a ser mais responsável com seu próprio ambiente.
     Como vimos, essa mãe tem algo de diferente a fazer. Ela tem a responsabilidade parcial pelo que está acontecendo, e conseguirá um resultado melhor, agindo diferentemente.
     Assim acontece em todas as nossas relações. Sempre podemos aprender, avaliando de que forma estamos contribuindo para mudar uma situação que nos incomoda; e, em vez de nos posicionarmos como vítimas, de reclamar e choramingar, simplesmente podemos nos perguntar: O que vou fazer de diferente?
     E, a partir da resposta, podemos construir realidades mais conscientes, nas quais temos domínio do que nos cerca, temos o poder de escolher o que queremos vivenciar, sendo agente responsável pela própria vida.

Lorena Lacerda é coach de executivos ( lorena@grupovalure.com.br )

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