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Quinta-Feira, 18 de Outubro de 2007, 07h:40 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:19

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O Senado respira

     O Senado Federal está em processo de reconstrução. E precisa. A casa centenária viveu estes últimos meses em função da crise que levou à licença de seu presidente, por conta de várias denúncias. Simplesmente, o Senado ficou estagnado, à espera de uma solução, que veio na semana passada. Agora, embora não esteja livre de outras crises, pelo menos voltou a se mover.
     Não é, porém, com a volta das votações em plenário que tudo ficará em paz. É necessária a paz política, a tranqüilidade capaz de levar os senhores senadores a pensarem mais no país, em seus estados, do que na ira contra Renan Calheiros, que apenas deixou temporariamente a presidência para acabar com a paralisia. Há quem diga que ele não volta, mas nunca se sabe. Malandramente, pediu licença de apenas 45 dias, quando o Palácio do Planalto esperava pelo menos por 120 dias, para exorcizar seus demônios, como a prorrogação da CPMF.
     Renan, no entanto, é esperto. Propôs um prazo menor, a tempo de infernizar o governo, pois deverá voltar em plena discussão da CPMF, o que poderá prejudicar as negociações com a oposição. E aí Renan vai querer mais benesses. E o governo - embora rejeite isso - estará de novo com a faca no pescoço. É tudo que Lula odeia: negociar sob pressão. Mais: sob chantagem. Essa é a vida.
     Portanto, nesses 45 dias de tentativas de paz, o interino Tião Viana terá de fazer um esforço tremendo pra mudar, nem que seja um pouco, a imagem desgastada da Casa de Rui Barbosa. Tirar da cabeça da população que o Senado é uma casa de malandros em busca de privilégios. Não vai ser fácil.
     Uma pesquisa dessa semana mostrou que 23 por cento de pessoas ouvidas pela Sensus quer o fim do Senado e quase 20 por cento pedem o fechamento da Câmara dos Deputados. Certamente, esse pessoal não se lembra da ditadura que vivemos durante 20 anos, período em que o Congresso esteve fechado várias vezes. Aliás, só se fecha o Legislativo em tempo de ditadura. Há quem contemporize: 45 por cento pedem a unificação de Câmara e Senado. Se juntar tudo, quase 70 por cento querem que o Senado desapareça.
     Tião Viana terá que limpar a barra do Senado, fazer com que ele respire um pouco melhor, com algumas ações específicas. Uma delas pode ser a que dê maior transparência às suas atividades, como, por exemplo, deixar bem claro para onde vão as verbas destinadas a senadores e que não precisam de comprovação; ou mostrar de maneira absolutamente transparente como são feitas as licitações; ou como é composto cada gabinete dos senadores (se há ou não há nepotismo). Ou seja, deixar claro para a opinião pública para onde vai o dinheiro dos impostos.
     Ao lado disso, as votações. Já na primeira semana sem Renan houve avanços. Mas a oposição deu mostras de que não está disposta a abrir a guarda, já que outras batalhas vêm por aí. A briga pela sucessão de Renan, por exemplo. O PT vai querer abocanhar a tríplice coroa: presidências da República, da Câmara e do Senado? Ou o Senado fica mesmo com o PMDB? Lula disse que fica. E a CPMF? Governo e lideranças do Congresso conseguirão convencer a oposição de que o imposto é fundamental? Hoje, o governo tem 44 votos; precisa de 49. Como conseguirá esses cinco votos? Vai ser necessária muita articulação, muito diálogo e uma ginástica política tremenda pra fazer tudo isso e ainda afastar o fantasma de Renan, que ainda paira pelos corredores do Congresso e do Planalto.

Carlos Monforte é jornalista em Brasília e escreve às quintas-feiras em A Gazeta


 

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