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Segunda-Feira, 08 de Dezembro de 2008, 11h:37 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:22

Artigo

O valor de cada um

   Na semana passada ocorreram dois casos emblemáticos. Um em meio ao desastre ocorrido em Santa Catarina, e por mais doloroso que toda aquela destruição causou, foi de lá que veio uma luz emblemática sobre o valor do nosso povo. O outro ocorreu na câmara dos deputados.

   Enquanto a Comissão de Ética (sic) da Câmara inocentava Paulinho da Força, aquele sindicalista profissional, que subiu na hierarquia e se tornou deputado desviando recursos do FAT (fundo de amparo ao trabalhador) e se diz vítima de perseguição política, em Santa Catarina o povo lutava para sobreviver em meio ao desastre. Um morador, já idoso tentava de todo jeito convencer um bombeiro de deixá-lo entrar na sua casa, interditada pela defesa civil. Apreensivo, o idoso explicou que precisava pegar um carnê de prestação de uma moto. Ao ver que o bombeiro ficara surpreso com aquilo, o senhor lhe disse: “olha, eu não quero perder o único bem que ainda me resta: o meu nome, eu tenho que pagar o carnê que está vencido”.

    Essa é a questão. O valor do nome. Alguns têm um nome a honrar, outros não se incomodam e muito menos perdem sono ao serem denunciados ou pegos roubando. Pior, riem e debocham. Essas pessoas que saem, sabe-se lá de onde, tornam-se políticos tendo parâmetros de honra distorcidos ou simplesmente não os tendo.

    Fartam-se do produto do seu roubo, valem-se da complacência dos seus pares e se resguardam na frouxidão da lei e no famigerado “cabe recurso”.

    Certa vez eu estava falando com o afilhado de um político de Mato Grosso, talvez o político mais medíocre que já tenha surgido por estas bandas, e durante a conversa não muito amigável, o afilhado, que ocupava a diretoria de uma estatal, referiu ao seu padrinho com uma frase: “eu confio mais no deputado Fulano que em meu pai”. Eu respondi: “cada um sabe o pai que tem e sendo seu pai, eu acredito em você”. Nunca soube se ele entendeu o que eu quis dizer, o que sei é que a falta de caráter do político acabou o levando à Câmara Federal. Deve estar fazendo lá o mesmo que sempre fez aqui, e se por acaso for pego no flagra, certamente contará com a complacência dos seus pares tão ou mais corruptos que ele.

   Essas pessoas de parâmetro de honra distorcido acreditam que o bem mais valioso que possuem é o poder e para aumentá-lo e preservá-lo, estão dispostos a tudo. Tudo mesmo. Aprenderam a seguir a cartilha de que o dinheiro compra o poder. E neste país, compra mesmo, se não compra... “cabe recurso”. O dinheiro lhes garante um próspero futuro, só não lhes compra um passado digno. Mas quem se importa com isso???

  Adriana Vandoni é economista, articulista e especialista em administração pública pela Fundação Getúlio Vargas (www.adrianavandoni.com.br)

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