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Sexta-Feira, 03 de Julho de 2009, 12h:21 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:23

PALÁCIO ALENCASTRO

Ombudsman se diz apolítica e cita falhas administrativas


Ouvidora-Geral e ombudsman, jornalista Maria do Rosário, aponta problemas e soluções à gestão Santos

    A pouco dias de ser exonerada do cargo de ouvidora-geral e de ombudsman da Prefeitura de Cuiabá, a jornalista Maria do Rosário Orquiza, destaca que não aceitaria permanecer mais um mandato à frente do órgão, mesmo com o salário de R$ 9,2 mil mensais. “Eu acho ótimo que haja renovação. O desgaste é natural, mas se o prefeito renovasse o meu contrato, aí as pessoas poderiam dizer que eu estou gostando do serviço e que já estou do lado do prefeito”, afirma a jornalista, ao salientar que possui total independência para avaliar a administração. Diz ter um perfil técnico e rebate as críticas de que teve uma atuação “light” na hora de apontar as falhas da gestão do prefeito Wilson Santos. “Sou apolítica, não-religiosa e nunca fui filiada a partido. Tenho uma postura acadêmica, técnica e de assessoria. Eu sou justa e evito fazer elogios”, enfatiza a ouvidora-geral, em entrevista no seu gabinete. 

   Ela completa um ano de mandato no próximo dia 14. Maria do Rosário considera que o “calcanhar de Aquiles” da gestão Santos são os processos paralisados nas secretarias e que, em alguns casos, chegam a serem perdidos, por falta da implantação de 100% da Gestão Eletrônica de Documentos (GED). Cita, inclusive, que esse sistema não foi implantado em todas pastas, a exemplo da Procuradoria-Geral do Município e da própria Ouvidoria. Com o recurso tecnológico, os gestores podem acompanhar os prazos para as respostas de reivindicações e pedidos e saber se foram ou não cumpridos. “O sistema emite uma sinalização verde, amarelo e vermelho, que pode chegar até o conhecimento do próprio prefeito”, explica.

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“Sou apolítica, não-religiosa e nunca fui filiada
a partido. Tenho postura acadêmica, técnica
e de assessoria. Eu sou justa e evito elogios”
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    Ao fazer o que considera uma observação e não exatamente uma crítica, a ombudsman aponta ainda  a falta de descentralização dos serviços urbanos e fiscalização por parte da prefeitura. Segundo ela, sem essas ações administrativas é que secretarias como a de Infraestrutura, sob o pedetista Josué de Souza, e a de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, comandada pelo ambientalista Arquimedes Pereira, lideram o ranking na lista de manifestações junto a Ouvidoria Municipal. São as pastas que possuem maior demanda. E os problemas vão desde coleta de lixo, até mesmo registros de briga entre vizinhos. Há também muitas queixas em virtude de ruas esburacadas, terrenos baldios e falta de iluminação. Na opinião da jornalista, é praticamente um círculo vicioso. Aumenta-se a poluição e com a fiscalização ineficiente por parte dos agentes da secretaria para notificar os proprietários dos terrenos, consequentemente, essas áreas desertas e repletas de matagal se tornam problemas de saúde pública e de insegurança. "São lugares que podem  se tornar, por exemplo, proliferação do mosquito da dengue", pondera.

   Para se ter uma ideia, desde a criação da Ouvidoria, em agosto de 2006, até maio de 2009 foram 3.349 registros, dos quais 853 direcionados à Infraestrutura e 565 ao Meio Ambiente. Somente neste ano, as duas pastas somam até agora 300 notificações de um total de 714. A Ouvidoria registrou em 2006, ano em que foi criada, 456 manifestações. Em 2007, subiu para 1.279. No ano passado, houve queda, chegando a 1.072 ocorrências. Com base nesses dados, a jornalista aponta que uma solução, aliada à modernização do sistema processual, seria a ampliação dos serviços prestados pelas cinco regionais da prefeitura. "Essas unidades possuem uma pequena estrutura de trabalho que poderia estar sendo ampliada para atender mais rápido as solicitações".

   Com um discurso mais duro, Maria do Rosário ressalta ainda que nos últimos 16 anos, a arrecadação com IPTU está praticamente estagnada. Informa em que 1993 o município arrecadou algo em torno de R$ 16 milhões por ano e, em 2008, foram cerca de R$ 18 milhões, 0,04% do total que deveria ser arrecadado e, segundo a ouvidora-geral, é o percentual mais baixo dentre todas as capitais do mesmo porte que Cuiabá, que na média, conseguem arrecadar com o imposto R$ 80 milhões por ano. A arrecadação é tão pequena que este valor é suficiente apenas para pagar os serviços de coleta de lixo anual. "A cidade cresceu, as reivindicações para asfaltos e investimentos também, mas a contribuição continuou praticamente a mesma", critica. Com esses argumentos, se diz a favor de uma política de justiça fiscal. "Cobrar mais de quem tem mais e menos de quem tem menos", orienta.

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"A cidade cresceu, as reivindicações
para asfaltos e investimentos também,
mas a contribuição continuou
praticamente a mesma"
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     Currículo    

    Formada em jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo, Maria do Rosário atua na área há 32 anos. Tem uma vasta experiência em assessoria política. É professora aposentada pela UFMT. Possui especialização em metodologia em ensino superior. Em Mato Grosso, foi assessora política por 12 anos em Barra do Garças, atuou na Assembleia Legislativa e também foi assessora de imprensa da atual secretaria estadual de Trabalho, Emprego e Cidadania e Assistência Social na gestão Dante de Oliveira. Indicada ao cargo de ombudsman pela  UFMT, ela foi escolhida pelo prefeito a partir de uma lista tríplice. Maria do Rosário foi a segunda a assumir o cargo. O primeiro foi o jornalista Eduardo Ricci, que também permaneceu por um ano como ouvidor-geral. Sobre o seu futuro, a jornalista pensa em investir em projetos pessoais e planejar escrever um livro. (Sandra Costa)


Maria do Rosário deixa o cargo com status de 1º escalão, após um ano de mandato com salário de R$ 9,2 mil
Fotos: Sandra Costa

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Comentários (6)

  • magalhães | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Essa busdandan e bem enroladinha né, o Wilso, escolheu certo, ela não fez nada, como o Wirso previa, só engordou o salario dela, mas uma parasita no governo, uma parasita cara, e com status vote. Tai minha relamação dela vou lá registrar. E ainda se declara ateu, huuummm, bem assim não suja o nome do Altissimo. Já vai tarde.

  • monica vazquez de oliveira | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    A jornalista maria do rosário é um dos melhores quadros que o governo wilson santos já teve. infelizmente, assim como vários que já assumiram cargos neste governo ws, a ombudsman não teve nenhuma estrutura de trabalho, e não é de surpreender que as secretarias de infraestrutura e de meio ambiente lideram disparado os indices de reclamações da sociedade cuiabana, afinal essas duas pastas são conduzidas por amadores, souza nunca carpiu o quintal da casa dele, só sabe fazer politicagem rasteira para derrubar pessoas, e o arquimedes não passa de um gurizão, meio ambiente para ele é fazer educação ambiental (santa ilusão!!!) sem nenhuma experiencia em gestão pública, está perdidinho no cargo, a smades está parada e ele demonstra ser uma marionete nas mãos do stopa, que possui longa folha corrida. parabéns maria do rosário, você foi grande em falar a verdade e não se intimidar por causa de carguinho qualquer.

  • Fernando Pessoa | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    No meu entendimento qualquer pessoa que se declara não religiosa e se auto proclame de JUSTA não passa de uma coitada que não sabe de onde veio e muito menos pra onde vai. Pessoas com essa característica são merecedoras de pena e jamais poderão alcançar a verdadeira sabedoria. Sinceramente, espero que essa cidadã consiga um dia alcançar a luz.

  • Adriano Moraes | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    O que essa mulher fez durante o tempo em que exerceu tal cargo ? Quem já ouviu falar de alguma providência tomada por ela ? Só aparece na hora de renovar o mandato. Que falta ela vai fazer para o povo cuiabano ?

  • LUIZ CARLOS | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Uma pessoa que atua na área jornalistica há 32 anos e passou 12 anos na assessoria em Barra do Garças; 8 anos no Governo Dante de Oliveira e mais não sei quantos anos na Assembléia Legislativa e ainda se diz apolítica, só pode estar querendo valorizar o passe. Conta outra Maria do Rosário. Agora não religiosa deve ser mesmo, porque, como mente né? E de cara limpa... Êta cuiabazão... produz cada figura. Vamos orar meu povo, um dia a gente vence esses tipinhos. Só na oração mesmo!

  • Carla Assins Nunes | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Senhora Maria do Rosario, tudo ser humano é um ser politico. Nao existe o ser APOLITICO. Talvez a senhora queria dizer que nao é PARTIDARIA. Ser politico e apartidario sao regras basicas pra quem faz politica.
    Nao compreender isso, é nao fazer politica.
    So por isso ja valeu sua demissao!

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