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Sábado, 07 de Julho de 2007, 08h:48 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

Artigo

Os Deuses ficaram loucos

     Não obstante eu ter conhecimento do “espírito” de nossos homens públicos, escrevi um artigo, no qual enfoquei, sem instintos emocionais ou de interesse pessoal, porque não sou política e nem sou candidata a qualquer cargo, a questão das homenagens prestadas a vultos históricos de Mato Grosso, sob o enfoque dos “interesseiros”  de plantão.
     Algumas reações vieram e é óbvio que não deixariam de vir, porque assim, poderiam trazer à tona, o que desejassem trazer, em relação aos homenageados.
     Primeiro,  escrevo meus artigos, sempre assumindo posições definidas e o faço, sempre em defesa de causas do povo e do nosso meio ambiente.
     Segundo, sou uma estudiosa da História do meu Estado, porque quem não conhece e honra suas origens, não as merece. Definitivamente, sou bem clara.
     No entanto, discordo do que disseram,  o  ex-Senador Antero e o Prefeito de Cuiabá, de que “Dante foi o maior líder político de Mato Grosso nos últimos anos” e ainda, de que o foi “nos últimos cem anos”.
     Tudo bem que tenham caminhado juntos na vida política, e não obstante o que tem sido veiculado pela imprensa de que nem ele nem o Prefeito de Cuiabá tenham herdado as características e o legado de Dante, nos últimos cem anos, Mato Grosso foi governado por grandes homens. Nenhum deles virou deus. Nenhum deles pode ser transformado em um.
     O falecimento de Dante gerou um cataclismo, como  nunca se  havia visto antes.
     Nunca quis desmerecê-lo, porque seus méritos, a história se incumbirá de garantir. Discordo sim do seu endeusamento, como se fosse  ele, uma grande estrela que pode ofuscar o brilho de outros governantes e cidadãos de Mato Grosso.
     Não concordo que Dante seja o maior líder político dos últimos cem anos.
     Há que se compreender, que existem conceitos e conceitos para o termo “político”. Há que se analisar também, os termos governante, empreendedor, visionário
(que não é aquele que constrói obras, mas as projeta para o futuro), isento,  humilde,  dentre outras qualificações.
     É inadmissível que homens, como os que citei no artigo anterior,  e outros, que poderiam ter sido  citados, vivos ou mortos, caiam no esquecimento, enquanto outro, ou outros, são erigidos à condição de supremacia.
     Dante, o homem das Diretas Já, merece respeito, porém não podem elevá-lo à condição de maior líder político dos últimos cem anos. Não podem e não devem, porque não são os cargos que ocupamos que nos qualifica, mas nós é que qualificamos e valorizamos as posições que ocupamos.
     É fácil ser líder político com uma grande estrutura partidária, com um fato histórico que repercutiu, com a ascensão a diversas posições. Difícil, é ser mais que um líder, ser um marco, uma referência história, política, econômica e social, fazendo a diferença.
     Sabendo  que ele era pantaneiro, causa-me estranheza, o pouco que foi feito para o Pantanal até então. O Programa BID Pantanal, como a instituição do Código Ambiental do Estado, a Lei da Pesca e tantas outras ações, ocorreram porque os “estrangeiros” só investiriam aqui se tivessem a garantia da preservação dos nossos recursos naturais. Que esse Programa não seja uma das causas desse exacerbado desejo de homenagear.
      O homem pantaneiro, se participou de qualquer fase de todos esses processos, foi como mero espectador e o seria também, depois que eles fossem realidade.
      Aos políticos que se julgam deuses, só posso dizer que ficaram loucos, porque efetiva e literalmente, com todo respeito à sua memória, Dante não foi o maior líder político dos últimos cem anos. Ou querem e estão fazendo o que já disse anteriormente, ou não conhecem a História de Mato Grosso, que não foi escrita apenas nas últimas 3 ou 4  décadas.

Oriana Paes de Barros é procuradora federal aposentada e pecuarista

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