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Quarta-Feira, 16 de Maio de 2007, 12h:15 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Os que ficamos

     Rio de Janeiro - Apesar de iniludível e corriqueira a ponto de ser seção no jornal, a morte está por sempre associada ao espanto -e à falta do que dizer para os que ficamos.      Talvez seja o poeta pernambucano Manuel Bandeira (1886-1968) o autor do manual de instruções mais necessário, episódico produtor de um guia de auto-ajuda.
     Bandeira escreveu versos espetaculares sobre o tema, como o que fala das lágrimas "nascidas menos da saudade do que do espanto da morte". No poema "Morte Absoluta", traz inquietações para quem vai e para quem fica: "Que céu pode satisfazer teu sonho de céu?", provoca. Lança ainda o temor de uma existência inútil e a ameaça de "morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra, em nenhum coração, em nenhum pensamento, em nenhuma epiderme".
     Em "Consoada", Bandeira dá até a dica de como agir "quando a indesejada das gentes chegar", seja ela "dura ou caroável [meiga]": "Talvez eu tenha medo.  Talvez sorria, ou diga: alô, iniludível!"
     Usual, a morte é sempre extraordinária, ao menos para sua vítima.
     Está em cartaz em São Paulo, no Sesc da avenida Paulista, a peça "Vemvai - O Caminho dos Mortos". Dirigida por Cibele Forjaz, a obra foi criada a partir de uma coletânea de estudos, textos e experiências da relação dos índios com a morte.
     Com soluções cênicas belas e inesperadas -a começar pelo espaço, o oitavo andar de um prédio cenografado como se fosse escombros-, o texto é uma viagem quase lisérgica sobre a visão ameríndia da morte, que por diversas vezes tangencia o canibalismo. Tem tiradas como a que diz que "não ser canibal não significa não pensar canibal". No entanto, a melhor é aquela que deveríamos guardar como palavra de consolo que sempre nos falta e como a arma secreta contra a indesejada: "A morte é um truque".

 

Plínio Fraga é jornalista da Foha de S. Paulo

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