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Quinta-Feira, 25 de Janeiro de 2007, 07h:55 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

PAC... grandes promessas!

    Em artigo nesta quinta (25), em A Gazeta, o economista Amado de Oliveira Filho considera que, se a maioria das promessas do PAC feitas a MT for cumprida, o Estado terá resolvido grande parte dos sérios problemas de logística. Confira reprodução abaixo.

   Em uma análise minuciosa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) lançado pelo governo federal, verifica-se a maior promessa que o Estado de Mato Grosso já conheceu em toda a sua história. Se cumprido, nosso Estado terá resolvido grande parte dos sérios problemas causados pelo seu fator locacional, que se agrava com as atividades do agronegócio, que se caracteriza como contratante de grandes volumes de transporte.

   A começar pela duplicação da BR-163/364 de Rondonópolis ao Posto do Gil que para seus usuários parece um sonho impossível. Se concluída otimizará o transporte de grãos de toda a região do Médio-Norte mato-grossense, facilitando a alimentação da ferrovia, que, como prevê o PAC, chegará a Rondonópolis, outro grande sonho, se levarmos em conta o interesse da América Latina Logística (ALL) em seu último evento em Cuiabá.

   Já a construção de um trecho da BR-242, ligando Sorriso a Cocalinho, em Mato Grosso, ou seja, ligando a BR-163 à BR-158, ambas também com conclusão garantida no PAC, é algo tão grandioso para a economia de nosso Estado que incluirá uma grande região produtiva no cenário econômico nacional com amplas possibilidades de exportação da produção. Uma promessa e tanto!

   Em sentido oposto, o PAC assegura a conclusão da BR-364 no trecho Diamantino a Comodoro, oferecendo duas alternativas de escoamento da produção, tanto pela Hidrovia da Hermasa, como através da BR-163, alcançando o Porto de Santarém. As alternativas de escoamento da produção ganharão também a construção de um alcoolduto/polioduto ligando Cuiabá a Paranaguá, no Paraná, permitindo a exportação de biodiesel.

   A infra-estrutura logística, mesmo sem novidades no segmento hidroviário, apenas com a dragagem da hidrovia Paraguai/Paraná, para Mato Grosso está de bom tamanho. Porém, o PAC é composto ainda pela infra-estrutura energética e social-urbana, que trataremos em outra oportunidade, mas pode-se afirmar que nestas Mato Grosso não tem grande participação. Agora a pergunta que se faz: tudo isto é possível?

   Sem sombras de dúvidas um dos empecilhos o ministro Mantega já denunciou à Nação, quando dizendo: "Viu, Meirelles? O mercado está esperando a queda das taxas de juros!". Esta questão é de grande relevância, já que mais de R$ 240 bilhões terão que vir de investidores privados. Outros empecilhos serão os estados das grandes economias, especialmente os da região Sudeste, que espernearão em função das perdas de receitas pela desoneração tributária prevista, além dos já conhecidos de natureza política.

   Uma observação nada positiva do plano é o anúncio de seu valor global, de mais de R$ 500 bilhões. Este montante é também resultado da somatória dos orçamentos das estatais, que quando se observa o nível de detalhamento das obras que serão realizadas, percebe-se claramente que estamos vendo o orçamento plurianual da Eletrobrás, Petrobras, Caixa Econômica Federal, Dnit, etc, que seria realizado no período. O lado bom é que ao abrir isto à nação, quem sabe sejam de fato executadas dentro de um cronograma que atenda aos diversos agentes econômicos.

   Se tudo der certo, Mato Grosso se tornará um dos estados mais viáveis da Federação, os investimentos privados serão vistos em todo o Estado, teremos finalmente uma competição entre os custos de fretes rodoviários, ferroviários e hidroviários, mesmo estando as hidrovias fora do Estado de Mato Grosso. Precisamos acreditar, esta é a única forma de conseguirmos a sustentabilidade econômica ao agronegócio mato-grossense.

  Amado de Oliveira Filho é economista em Cuiabá e escreve às quartas-feiras em A Gazeta (amadoofilho@ig.com.br)

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