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Segunda-Feira, 05 de Março de 2007, 07h:56 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

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PAC, pac, pac da educação

    O governo federal pretende pôr em prática um conjunto de medidas para melhorar a qualidade de ensino no país, sobretudo na educação básica (fundamental e média), por meio de aporte orçamentário e mudanças em regulamentações. O plano está sendo apelidado de PAC da educação, em alusão ao Programa de Aceleração do Crescimento. Conta com R$ 500 milhões. Nesse montante não estão inclusas as verbas do Fundo da Educação Básica (Fundeb), principal projeto do atual governo na área.
     O MEC anuncia ainda que negocia outros R$ 400 milhões com a área econômica. Recursos, pelo visto, não faltam. O que falta mesmo é vontade política e a determinação em bem aplicar o orçamento. Assim como o PAC original, o da educação tende a andar a passos lentos. Não consegue nem seguir os passos do pac, pac, pac... da modelo na passarela.

 

    Esse novo pacote de investimentos na área educacional é propagado como uma nova aposta do MEC para reverter os maus desempenhos dos alunos em exames nacionais, cada vez mais com piores notas. Nessa discussão, bem que o governo poderia dar espécie de um apoio técnico mais consistente às cidades com as maiores dificuldades no ensino, aquelas que têm mais problemas com fatores como evasão, repetência e desempenho nos exames nacionais (como a Prova Brasil).

     Aliado a isso, deveria também investir na formação de professores e em tecnologia. Nossos gestores, de um modo geral, se contentam com o orçamento de 25% ao setor. Acham que cumprindo o limite mínimo de investimentos na educação está de bom tamanho.

    São muitos os desafios na área educacional. O país está se arriscando a viver um apagão nesta área vital para o futuro brasileiro, a exemplo do que aconteceu no setor de energia elétrica.

     Faltam hoje pelo menos 30 mil professores da quinta à oitava série do ensino fundamental e de todo o ensino médio no Brasil. É uma realidade que só tende a se agravar com o crescente aumento de matrículas nessas etapas escolares. Para atender ao número de alunos hoje existentes na rede pública, que corresponde a 90% do universo de matrículas, são necessários mais de 230 mil professores no ensino médio e cerca de 500 mil nas turmas de quinta à oitava série. O desfalque é maior nas áreas de ciências e matemática.

     Há duas explicações para a falta de professores: a explosão do crescimento do ensino médio e outros mercados de trabalho que têm atraído os docentes. No Brasil, se faz pouco para acelerar a formação de professores e prevenir um colapso iminente.

     Outra preocupação é quanto ao analfabetismo. Apenas 25% dos brasileiros acima dos 15 anos têm domínio pleno das habilidades de leitura e de escrita. Isso significa que só um em cada quatro brasileiros consegue entender totalmente as informações de textos mais longos e relacioná-las com outros dados. Uma recente pesquisa do Ibope revela que 38% dos brasileiros podem ser considerados alfabetos funcionais, pois não conseguem utilizar a leitura e a escrita na vida cotidiana. Desses, 8% são absolutamente analfabetos, e 30% têm um nível de habilidade muito baixo, ou seja, conseguem somente identificar uma informação simples em um só enunciado, como um anúncio. O triste é que de um a três anos de estudo, o percentual dos que não têm condições básicas de alfabetização atinge 83%.

      A história mostra que as políticas públicas na área educacional também têm fracassado na tentativa de atrair adultos. Nos últimos 25 anos, o Brasil fez a transição da ditadura militar para a democracia e teve seis presidentes. Todos tentaram atacar o problema do analfabetismo adulto. Não conseguiram, porém, atrair os analfabetos para a sala de aula.

Romilson Dourado é jornalista, editor de Política de A Gazeta e escreve neste espaço às segundas-feiras


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