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Terça-Feira, 12 de Junho de 2007, 10h:01 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Pagot, Dnit e a imprensa

     Não lembro de uma nomeação para cargo federal que tenha recebido tanta atenção da imprensa estadual, principalmente a escrita, como a de Luiz Pagot para o Dnit.
     Mato Grosso já teve gente em cargos federais antes, mas as nomeações não chegavam à sofreguidão de agora. Teve nomeação para secretaria executiva do antigo Ministério de Infra-Estrutura. Também para ministro da Reforma Agrária, para a Sudam e a Sudeco. Mas a do Pagot tem despertado mais debates e comentários.
     Mas, afinal, por que essa nomeação desperta tanta atenção e interesse nas conversas e na imprensa? Coloco diferentes posicionamentos em forma de perguntas, mesmo que não se tenha respostas sobre cada um deles.
     Será que essa nomeação desperta mais atenção por que o Pagot, na direção do Dnit, poderia resolver o problema de algumas rodovias-troncos no estado, como a 163 e a 158? Poderia também solucionar o impasse na hidrovia Paraguai-Paraná?
     É que esse órgão toma conta do setor que mais preocupa o presente e o futuro do estado: estradas ou meios de escoar a produção primária ou agroindustrial com custos menores.
     Ou essa nomeação desperta interesse por que o Pagot, amarrado aos trâmites próprios de Brasília, não teria condições de resolver nada disso, trazendo conseqüências em sua vida política? Um fato que atingiria também seu aliado político maior, Blairo Maggi?
     Ou, em outras palavras, alguns estariam torcendo por sua nomeação para que, se não houver avanços no setor de transporte do estado, atrapalharia bastante as pretensões políticas do grupo hoje no poder.
     Aquela nomeação tem implicações políticas para o momento e para o futuro do grupo. Com até mesmo a possibilidade de o Pagot ser candidato ao governo em 2010. Se sair bem, teria uma candidatura com boas perspectivas. Se saísse mal, teria enterrada essa pretensão antes mesmo daquela data.
     Tem gente que até pensa que poderia explodir um caso de corrupção no Dnit em escalões inferiores e que isso acabaria tisnando a pretensão política do grupo. Não que o hipotético caso envolvesse diretamente ao Pagot, mas, no Brasil, a história mostra que onde há muito dinheiro há sempre alguém, em algum canto de um órgão, atuando de forma não republicana.
     Na maioria das vezes o esperto se beneficia e sai ileso. Em outros casos ocorre o inverso e o fato acaba respingando em superiores hierárquicos que em alguns casos não sabiam do que ocorria em outros escalões desse ou daquele órgão.
     Será que essa polêmica e comentada nomeação é ainda por que seria a coroação da ligação política de Blairo Maggi com o presidente Lula? Com ela, sacramenta-se essa união. Sem ela, essa aproximação seria ferida politicamente.
     Será que a nomeação do Pagot desperta ainda interesse por que seria útil para os empresários do setor de transporte? E que, estendendo um pouco mais esse interesse, também satisfaria aos produtores rurais?
     Será ainda que a presença do Pagot no Dnit não satisfaz aqueles que o acham presunçoso e isso desperta bronca contra sua maneira de atuar e se comportar?
     Sei lá por que. Só sei que, seja por esse ou aquele motivo, essa nomeação é a mais comentada que ouvi até hoje no estado. O fato desperta enorme debate.
     Até acho que não foi favorável ao Pagot essa exagerada exposição na mídia. Por causa disso, ele será observado de perto no Dnit pela maioria da população. Atos positivos serão aplaudidos. Omissões e falta de ações também. Ali nasce ou morre uma nova liderança política para o estado.

Alfredo da Mota Menezes escreve em A Gazeta às terças, quintas e aos domingos ( pox@terra.com.br )

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