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Segunda-Feira, 17 de Novembro de 2008, 23h:19 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:21

Artigo

Pagot, pé na estrada

  Ele não é marinheiro de primeira viagem, até porque, humoristas o apelidam de ‘Supermarinheiro’, devido sua passagem pela Marinha Brasileira entre as décadas de 70 e 80, quando fora oficial.

   Economista, pós graduado em administração, a biografia do homem que acaba de se apresentar à sociedade com a disposição de liderar os rumos do Estado nos próximos 4 anos da nova/próxima década impõe, no mínimo, uma reflexão: sua capacidade de gestão e resolutividade de ações demonstradas em todas as atividades que exerceu. Esta biografia não está sendo desenhada por publicitários. Ela já está aí, é uma história de vida real, disponível inclusive para aqueles que não querem enxergar.

  Os adversários, através de tentáculos invisíveis tratarão desmerecê-lo, o vestirão com uma camisa de continuísmo, e potencializarão as críticas ao governo do qual ele fez parte, imprimindo uma marca tão forte, que restou sendo a maior identificação do modelo administrativo adotado nos últimos seis anos em Mato Grosso. Modelo este proposto e aprovado duas vezes pelo povo mato-grossense.

   Os ataques pessoais lhe serão naturais daqui por diante, e o acompanharão como sua própria sombra. Afinal, comitês deste nível são montados muito tempo antes das eleições. Ou alguém acha que o processo de uma campanha difamatória só se resume em encontrar velhinhos para aparecer no horário eleitoral? Recorrer aos insultos, sob o manto sagrado da crítica, para disseminar sordidez, demonstra a baixaria eleitoral de 2010 antecipada.

  Botinudos, ricos, arrogantes, gauchada é o máximo que o contorcionismo mental dos opositores conseguiu atingir, na busca de argumentos, para se opor ao governo. Preconceito aos gaúchos e brasileiros de todos os lugares que aqui vivem, à parte. O movimento natural de se pedir mudança se repete em 2010 com o retorno de alguns personagens políticos derrotados naquela primeira eleição de Maggi. Mas conteúdo e consistência é um artigo muito luxuoso ainda para eles.

  Nesta última eleição vimos um pouco do que vem pela frente. O empréstimo do nome do ex-governador falecido Dante de Oliveira a slogans, ruas, palácios, etc, é sintomático, e tenta o imaginário popular a pensar que outros tempos foram melhores. A comparação será inevitável. A capacidade de atingir este imaginário, caberá aos agentes que já estão em campo, e em campanha, embora apenas Pagot tivesse a coragem e audácia de colocar a cara à tapa.

    Alguns potenciais candidatos tentam esconder a todo custo sua pretensão, por questões meramente estratégicas. Mas seus conceitos e preconceitos estão sendo a todo tempo formulados e disseminados, inclusive em forma de artigos na imprensa. As reações estão sendo tão tresloucadas, que evidencia o temor dos adversários pelo nome de Luiz Antônio Pagot.

    Sinal evidente de que ele está, há muito tempo, enraizado na luta, junto com tantos outros cuiabanos e mato-grossenses que aqui vivem, buscando meios e alternativas para problemas antigos, muitos desses problemas, herdados da incapacidade de ex gestores. Moradia e infra-estrutura são apenas dois itens onde Pagot debruçou e fez a diferença.

    Ele teve um gesto raro, que você não vai encontrar em políticos carreiristas: A coragem de se apresentar à sociedade para o debate, como fez Barack Obama nos Estados Unidos, entrando nas prévias do Partido Democrata, dois anos antes das eleições.

   Pagot se colocou à disposição, mesmo sabendo que automaticamente passa a ser alvo de todo tipo de achaques. O trabalho de construir uma candidatura passa por esses e outros tantos incontáveis revezes, tão mais importantes de se debater. O tempo é curto para quem está, literalmente andando e trocando a camisa, com o pouco tempo que lhe resta aos finais de semana.

    O caminho para ser candidato ao governo do estado está à disposição de qualquer um que queira percorrer. Criticar é fácil, colocar o pé na estrada é para poucos. A sensatez pede um debate equilibrado e sério sobre questões relevantes do nosso estado, que exigem engajamento e altruísmo. O povo está no centro desse debate, e este povo, sábio, não pode ser tratado como uma piada de jornal.

    Não concordo com os que dizem que Wilson não fez nada em 4 anos. Ele pintou os meios fios, e as luminárias, e abriu uma picada para o governo do estado e governo federal construir a avenida das Torres. No resto do tempo ficou dando entrevistas dizendo que estava pagando salários em dia. No segundo mandato Wilson fará um esforço hercúleo para herdar o espólio político de Dante de Oliveira, inclusive a utilização da prefeitura de Cuiabá como trampolim político. É uma pena que Wilson e o PSDB atuem como o batedor de carteira, que grita pega ladrão para desviar a atenção de si.

   Vê-se que o PSDB ficou animadinho com a manutenção da prefeitura de Cuiabá. Sinal de que suaram sangue para manter a única vitrola que possa  tocar suas cantilenas. Afinal, todo mundo merece um abrigo depois de perder um reinado. Se o partido de Paulo Ronan parar para refletir, não poderá fugir de um assunto incômodo: não tem como esconder a candidatura de Wilson ao governo, mas ao mesmo tempo não pode anunciá-la. Por isso, ao negar nomes, afirma conceitos e preconceitos, para que eles ganhem o imaginário popular e o encontre em 2010, quando finalmente soltará o grito da garganta, anunciando o que todo mundo já sabia.

   Ainda estamos na fase de debate interno partidário, onde há outros nomes no PR, inclusive o do presidente da Assembléia Legislativa, Sérgio Ricardo, que, ao vocalizar pretensa disputa ao governo, com todo respeito, lembra o trecho daquela música: “É uma idéia que existe na cabeça e não tem a menor obrigação de acontecer”.

   É claro que escrevo provocado pela leitura de um outro artigo, da minha querida amiga Adriana Vandonni: Continue falando, sou seu fã, me lembra muito meus tempos de movimento estudantil. E lhe incentivo citando uma frase dita por um petista em um desses Congressos da UNE, comentando as críticas dos adversários: “Na democracia, como na medicina, os radicais são livres”. Mas sugiro, entre um artigo e outro, o uso do filtro solar.

  O império da democracia permite que qualquer pessoa fale o que bem entende. Eu já fui líder estudantil e falava mal o tempo todo. Não acho que as pessoas devam reclamar de quem fala o que quer. Mas chega um tempo na vida, que se não temos algo edificante ou construtivo para falar, é melhor perder a oportunidade. As pessoas vão entender que amadurecemos.

    Envio para próximo artigo uma discussão serena sobre as questões fundamentais para nosso estado. E deixo a piada para os humoristas.

  José Marcondes Neto é jornalista e ex-servidor da secretaria estadual de Meio Ambiente

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