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Sexta-Feira, 29 de Dezembro de 2006, 00h:00 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

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Percepções sobre 2006 e 2007 (2)

      O jornalista Onofre Ribeiro escreve hoje (29) no Diário de Cuiabá que "a crise do agronegócio acabou setorizada, com reflexos sobre o conjunto econômico, mas não foram efeitos mortais".

Confira na reprodução abaixo.

     Em 2006 a economia de Mato Grosso foi surpreendida pelos efeitos da crise sobre o agronegócio e teve a impressão de que o estado falira. Engano. A crise do agronegócio acabou setorizada, com reflexos sobre o conjunto econômico, mas não foram efeitos mortais. Ficou claro que os setores da indústria, do comércio e dos serviços têm vida própria.

Porém, a crise serviu para algumas percepções importantíssimas:

      1- o setor agrícola se uniu e foi à luta com movimentos de protesto. O tratoraço foi um deles, além de seminários políticos em São Paulo e em Brasília para discutir a crise e a busca de soluções econômicas e políticas. No mínimo, fez o governo federal entender que fora de Brasília existe vida produtiva e cidadã;

      2- o setor buscou alternativas inteligentes e inovadoras, como os biocombustíveis, uma das coisas mais espetaculares da história brasileira recente. Surgiu nas fazendas o chamado “biodiesel caipira”, uma mistura de álcool, ou de diesel a óleo de soja esmagado ali mesmo. Hoje já se tem uma usina de produção de biodiesel no estado, mais 25 consultas para projetos pequenos, médios e grandes para produção de biodiesel. Isso dribla o preço maluco do diesel na produção agrícola. Mato Grosso poderá, em dois anos, tornar-se grande exportador de álcool de cana e de biodiesel. Espera-se 1 milhão de novos hectares plantados com cana nos próximos dois anos;

     3- o setor industrial está se juntando ao agrícola, através de dois projetos pioneiros de aglomerado agroindustrial para abate de 2 milhões de frangos/dia em 2007. Isso reflete em compra firme de grãos e na transformação de grãos em carne. A agregação tecnológica e de valor no estado será fantástica diretamente e através das cadeias acessórias e de projetos semelhantes já encaminhados;

     4- o reflorestamento, o manejo sustentado e a agregação de valor à madeira, são resultados da malfadada “Operação Curupira”, de junho de 2005, que arrasou com o setor de base florestal. Mas ele está se resgatando por sua por sua própria força e empreendedorismo;

    5- o setor energético está avançando muito acelerado, quer por 12 usinas hidrelétricas pequenas em construção, por uma grande a se iniciar em 2007 em Aripuanã, e a de Couto Magalhães, no rio Araguaia, na reta final das discussões. Isso, fora dois grandes linhões, um para o Sul e outro para o Noroeste.

     Ainda continua jogando contra a economia mato-grossense a infraestrutura de transportes, que usa rodovias construídas entre 20 e 30 anos. Elas transportavam a produção de 2 milhões de toneladas de grãos, e hoje mais de 26 milhões. É um gargalo total.

     Contudo, uma coisa está bem clara: a economia mato-grossense a cada dia se desvincula mais da política e se globaliza, apesar da carga tributária e dos juros altos. O empreendedorismo, porém, é maior do que a má vontade oficial.

     Mato Grosso saiu da crise e terá em 2007 a recuperação do 1 milhão de hectares agrícolas não-plantados em 2006/2007. Será um ano de atividades econômicas muito diversificadas e não ligadas a este ou àquele setor produtivo. Tempos promissores! As crises sempre foram boas professoras. Como a dor, que ensina gemer.



    * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da revista RDM (onofreribeiro@terra.com.br)

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