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Domingo, 11 de Fevereiro de 2007, 08h:59 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

PFL pelo PD

   Para o professor Lourembergue Alves, a mudança de PFL pelo PD representa uma simples troca de nome, assim como ocorreu com o velho MDB. Confira reprodução abaixo do seu artigo publicado em A Gazeta deste domingo (11)

   O PFL deverá mudar de nome, passando a se chamar, a partir de sua convenção, é claro, Partido Democrata (PD). Esta é grande notícia da semana, que ocupou espaços preciosos nos jornais e revistas, se fez presente no noticiário das emissoras de televisão e de rádio e foi lida pelos "navegadores" efetivos e casuais da Internet. Não é o primeiro a fazer isso, outros já o fizeram, tal como o PL e o Prona, ao se fundirem, transformaram-se em PR que, por ser uma agremiação da base aliada do governo Lula, vem sendo engrossado por dissidentes de partidos pequenos oposicionistas, particularmente o PPS. É claro que o Partido da Frente Liberal não passa por nenhuma fusão partidária, muito embora a sua nova sigla seja fruto de uma "metamorfose", diriam seus ideólogos, porém, contraditoriamente, sem sofrer internamente mudanças estruturais e substanciais.

   Troca-se tão-somente a denominação, do mesmo modo que procedera, durante o regime burocrático-militar, o MDB ao acrescentar a letra "P" no início do nome, pois incorporara o PP; sem, contudo, perder suas características natas, tanto que ele continua fragmentado nas regiões, com o poder concentrado nas mãos de cada chefe político regional. O PFL igualmente tem lá seus coronéis locais, afinal este partido nasce de uma dissidência do PDS, o herdeiro da Arena, surgida após a derrota do senhor Paulo Maluf para o senhor Tancredo Neves no Colégio Eleitoral em 1985, e possui raízes nas oligarquias rurais do Norte-Nordeste. Tal característica, certamente, não desaparecerá com a mudança do nome para PD, uma vez que de democrata a agremiação nada tem; pois as vozes coronelísticas lhe são muitíssimo forte, ressoando em todo o seu "cenário-habitat", repercutindo em demasia nos diretórios municipais, cuja dependência do diretório estadual é quase total, o que fortalece ainda mais os chefes partidários, essencialmente presos ao poder de mando regional. Razão pela quais os peefelistas estiveram por tanto tempo coligados ao PSDB, que por oito anos comandava administração pública federal.

   Desse modo, o PD futuro será o mesmo PFL de ontem e de hoje, seguindo religiosamente os princípios que lhe fizeram um das maiores agremiações partidárias do país, com os seus membros voltados para uma determinada parcela da população regional e nacional. O que a enfraquece como uma sociedade civil de direito privado, mas com a finalidade de prestar serviços de interesse público em benefício de todo o grupo social. Talvez, por isso, ela não exerça grande influência na sociedade, muito embora possa contar com um grande número de deputados estaduais e federais e de chefes do Executivo nos Estados, bem como de senadores, prefeitos e vereadores.

   Esses números não podem ser ignorados, tampouco o que mesura o tamanho de seu quadro de filiados. Contudo, a força de uma organização partidária não deve ser avaliada pelos seus números, mas pela influência que tiver na sociedade. Para conseguir isso, o PFL, e, daqui a pouco, o PD deverá ter em vista não apenas a exploração econômica da imensa maioria dos brasileiros. Mas também as diversas formas de opressão e de destruição do homem e da natureza, que ultrapassam a relação entre o capital e a força de trabalho.

  Tal tarefa, porém, é quase impossível de ser viabilizada, em razão de suas origens e de suas ligações com setores conservadores do ponto de vista do desenvolvimento. Assim, a mudança de nome por si só não basta.

Lourembergue Alves é professor da Unic e articulista de A Gazeta e escreve às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos (lou.alves@uol.com.br)

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