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Quinta-Feira, 22 de Novembro de 2007, 09h:16 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:19

Artigo

Ponte Branca, rememorando

      Quem se lembra da Ponte Branca, aquela que existia em Cáceres, bem ali no entroncamento da rua General Osório com a rua Riachuelo, ponto de transição entre a região central da cidade e o bairro da Cavalhada e ao lado da Praça (praça?) Luis de Albuquerque (de Melo Pereira e Cáceres) lembra algo? Pois é o nosso fundador conforme documentos de 1778.

     Mas retomando as lembranças, a citada ponte sobre o córrego (só córrego?) Sangradouro, que sempre representou um símbolo de união entre partes da mancha urbana da nossa cidade, também espelhava um sinal da influência cultural e de técnicas de construção de outros povos. Os nossos “antigos” a chamavam ponte de pedra, ponte de alvenaria ou ponte romana, passando a ser chamada de Ponte Branca, desde que recebeu revestimento e pintura na cor que deu origem ao nome.

      Esta ponte suportou ao tempo e às cargas sobre ela aplicadas (trem-tipo para os engenheiros), dando vazão ao córrego Sangradouro sob ela, e a pessoas, carroças, carros de boi, carros e caminhões sobre a mesma. Foi palco e testemunha de muitos fatos, histórias, estórias e lendas, repetidas nas falas de tanta gente que como autor ou personagem, nos deixou grande legado popular, vide “Relatos de Memória & Lembranças da Cidade” do trabalho “Memória e Oralidade” - Dep0. de História da UNEMAT (6.10.2006).

     Pois bem, conforme Livro de Contratos que pode (ainda pode?) ser encontrado no Arquivo Municipal, assinado em 7 de abril de 1910, tendo como celebrantes o Sr. Luiz da Costa Garcia e a Intendência Municipal de São Luiz de Cáceres, com as seguintes especificações: “Uma ponte de alvenaria com 12 x  4,5 m e 4 m de altura, assentado o seu taboleiro sobre duas abóbadas de 0,75 m de espessura, levantadas sobre 3 paredes de 80 centímetros, cada uma de grossura, tendo os alicerces das mesmas um metro de profundidade abaixo da superfície do solo e ficando um vão livre de 5 metros entre elas”... ”Será construída de pedra canga e tijolos requeimados, devendo aquela ser lavrada e esquadriada na parte da ponte que fica acima da superfície do solo e a argamassa empregada será composta de uma parte de cal por três de areia”.

     Revendo o artigo do Professor Natalino Ferreira Mendes, publicado no Jornal Correio Cacerense Nº. 5.729 de 07/12/1997, extraí: “O cenário em que se insere a Ponte Branca está mudando com as obras de canalização do Sangradouro. A engenharia humana e a arte se unem para dar à vetusta Ponte Romana um contexto urbanístico que lhe realçará a beleza arquitetônica, preservando, ao mesmo tempo, para a posteridade, uma obra de valor histórico e cultural que, de há muito, integra o visual de uma das partes mais antigas da cidade de Albuquerque".

      Pois bem, sabem o que aconteceu? Apesar dos esforços da comunidade pela preservação daquele patrimônio, na madrugada do dia 19 de maio de 1998, a velha ponte foi demolida pela Prefeitura Municipal, e Cáceres perdeu uma de suas referências históricas. A Curadoria do Meio Ambiente à época havia instaurado inquérito civil, após comprovar que a obra (canalização do Sangradouro) foi iniciada sem a competente Licença Ambiental e sem qualquer Estudo de Impacto Ambiental.

     Apesar da demolição, uma ação civil pública contra a prefeitura e a empresa construtora teve continuidade, resultando no Termo de Ajustamento de Conduta – TAC, firmado entre a Curadoria do Meio Ambiente e o Município de Cáceres-MT, constando medidas referentes ao Córrego Sangradouro e à reconstrução da Ponte Branca, entre outras.

     A decisão judicial datada de 11/08/98, grafada nos autos de “Ação Civil Pública Reparatória de Danos ao Meio Ambiente nº. 158/98”, que entre outros termos, consta um com o título “Da Ponte Branca”, obriga a Prefeitura a construir réplica da mesma, com a mesma técnica utilizada originalmente e institui uma “Comissão Pró-Reconstrução da Ponte Branca”, encabeçada pelo Professor Natalino Ferreira Mendes e pelo engenheiro Adilson Domingos dos Reis, com o objetivo de fazer respeitar as características históricas, inclusive concernentes à sua localização, conforme anexos do processo, e arquitetônicas da Ponte Branca, e a mobilização da sociedade civil para subsidiar a reconstrução...

      Os trabalhos para tal reconstrução deveriam ser iniciados a partir de 30.9.98, com comunicação à Curadoria do Meio Ambiente de Cáceres-MT, e o término não poderia exceder a três meses...
Rememorando, nove (9) anos já se foram, uma gestão passou incólume e uma outra (outra?) está para se findar... e a nossa Ponte Branca continua somente na memória popular... Mãos à obra? Ou vai ficar para uma nova GESTÃO com todas as letras maiúsculas?

Adilson Reis
Engenheiro Civil e de Segurança do Trabalho
Cacerense, Especialista em Análise de Impactos Ambientais, Saneamento Básico, Comércio Exterior  e Historiografia.

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