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Quarta-Feira, 18 de Julho de 2007, 13h:00 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

VARIEDADES

Por que tanta violência no trânsito?

   Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 35.000 pessoas morrem ao ano no Brasil vítimas de acidentes de trânsito. Porém, esse número contabiliza somente as vítimas que morrem no momento do acidente. Se for incluído o percentual de mortes que acontecem depois de socorridos e levados ao hospital, podemos acrescentar um terço a mais de mortes no total. No mundo o número passa de 400.000 mortes. É uma guerra perpétua.
     Quando tentamos buscar respostas para essa brutalidade encontramos inúmeros fatores que contribuem para esse triste desfecho. Começamos com a educação básica que é deficiente, a má formação dos condutores e a pouca (ou nenhuma) fiscalização dos Detrans nesse quesito, falta de educação e conscientização, imprudência, juntamos a isso o consumo de bebidas alcoólicas e de drogas, mas o que mais contribue é a certeza da impunidade... Nosso  Código de Trânsito Brasileiro é bom, mas deve ser cumprido à risca, a fiscalização deve ser intensa, sem trégua. Temos leis brandas demais e os infratores safam-se sem punição, o que minimiza o poder do CTB.
     Não podemos esquecer da responsabilidade do poder público. A falta de investimento na malha viária das cidades e rodovias contribue e muito para a estatística da violência no trânsito. Por outro lado o Estado é falho na questão da fiscalização. Recentemente o poder executivo federal, amenizou a punição para quem comete infrações por excesso de velocidade. Já o judiciário, cada vez mais, dificulta a fiscalização eletrônica. A obrigação de avisar ao condutor da localização de radares móveis contribue para a impunidade, pois o infrator, sabedor da localização do mesmo, pode correr e reduzir a velocidade nos pontos indicados pelas placas. Concluimos que o poder público tem medo de punir os infratores. Ou seria medo de perder os votos dos infratores?
     Em países da Europa e nos Estados Unidos da América, o trânsito é tratado com seriedade pelas autoridades. Basta ver o que a mídia noticia diariamente. Nem as celebridades escapam do rigor da lei. Recentemente vimos os casos de prisões de famosos, como da cantora Britney Spears, do astro George Michael, do ator e diretor de Hollywood Mel Gibson, da patricinha bilionária Paris Hilton... Ninguém escapa. E no Brasil? Bom, aqui a coisa é diferente.
     Neste país (plageando nosso presidente) reina a lei da carteirada. Basta ser funcionário público, advogado, assessor parlamentar, e lá vem a famosa "você sabe com quem está falando?" Um motorista do ministério público se acha promotor de justiça, um porteiro do fórum se acha um juiz... Dá-lhe carteirada. Já os profissionais da Magistratura, sem comentários... Esquecem todos estes senhores, do teor do artigo 5º da nossa constituição: "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza....".
     Outro ponto negativo é a influência que apresentadores de televisão exercem sobre os motoristas. Geralmente são pessoas com ambição política e portanto fazem um jornalismo sensacionalista. Criticam as ações do poder público, principalmente no quesito fiscalização. Em exibições que beiram uma comédia pastelão, gritam e esbravejam contra a fiscalização, criticam os governantes e denigrem a imagem dos agentes fiscalizadores. O resultado é a antipatia da população em relação a esses profissionais e o crescente desrespeito ás leis de trânsito. Casos de violência são constantes. A pouco tempo atrás uma agente de trânsito de Olinda/PE foi assassinada ao cumprir seu dever e autuar uma motocicleta que cometera uma infração. O condutor, um policial militar, sacou sua arma e disparou contra a vítima indefesa.
Essa é nossa triste realidade.
 
      Silvio Furtado de Mendonça Filho é agente de regulação e fiscalização, bacharel em Ciências Econômicas e pós-graduando em Gestão Pública

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