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Segunda-Feira, 23 de Novembro de 2009, 17h:15 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:24

Rumo a 2010

Procuradores de tablado

   As campanhas eleitorais em Mato Grosso, historicamente, têm uma forte característica. A partir do lançamento das candidaturas chega também todo tipo de aflição e desgraça, como praga que alcança o povo, de dois em dois anos. Como os candidatos carecem de argumentos fortes ou mortais para tentar abater o adversário, nada melhor que a máxima  do "se está pior,melhor". Ora, só as mazelas favorecem a  criação de mil e um modos de abrir espaços na mídia, criar cenários nefastos, apontar culpados para, depois, apresentar soluções assumindo pose de super-heróis.

   Já não mais produzem efeitos as saudosas greves na Educação, antes movimentos que precediam a alquimia partidária dos palanques e esquinas. Num país (ou estados, ou municípios) onde política educativa escorreu ralo adentro e a produção de ensino é precária, essas greves perderam a potência capaz de implodir governantes ou candidatos, e  não mais oferecem seguros e consistentes argumentos para a ataques. O apetite voraz pelo poder tem substituto ainda melhor para gerar o caos e para, dele, tirar proveito. A "nova" fórmula, brutal, eficaz, mortal e perfeita para sensibilizar o povo é a saúde: sai de cena a improdutividade do ensino e o mais novo mote, cujo nível de penúria sempre existiu, ganha vez.

   As manchetes dos jornais (e telejonais) falam, com mau-agouro, de mortes, falta de atendimento médico, de ventos agourentos e dias sombrios. Às vezes verdadeiros, outras vezes a mais completa charlatanice, oradores dão entrevistas com acidez e expressões tão venosas que serão poucos os gestores a não cambalear ou cair feridos de morte. Nos hospitais públicos as pessoas vão se acabando, tipo fileira de dominós: morrem crianças, impúberes e adultos, enquanto rebentam, como larvas, pregadores ardilosos, dizendo-se defensores dos fracos e oprimidos.

   Em fúria, procuradores de justiça, ávidos de palanque ou ribalta, exalando intensa fragrância político-partidária, buscam réus, com igual desejo com que, tipo insetos- da- luz, se bandeiam para os holofotes prontos a iluminá-los para as câmeras de TV. Em Cuiabá, enquanto alguns políticos, procuradores e jornalistas investem contra a falta de assistência, remédios e estrutura em unidades de saúde, muitos políticos apinham vans no interior do Estado, a trazerem moribundos, acidentados, desenganados, doentes, ociosos e até gente com "piti", vulgo "manhosos", para os "hotelzinhos" da Capital, onde ali, arranjados em engraçados currais, ficam no vai-e-vem para o Pronto Socorro local e policlínicas.

   Essa situação, entretanto, não é combatida, tampouco lembrada nos falatórios de políticos e candidatos ou paladinos do MP. Deputados que deveriam cobrar estrutura para seus municípios não sofrem qualquer incômodo por parte dos mesmos procuradores de justiça, membros do Ministério Público, igualmente candidatos a qualquer coisa, mais parecendo interessados em atazanar, pura e simplesmente, ou torcendo para a constância do caos.  Afinal, mortes,  queixas e choro das vítimas do congestionamento nos hospitais, PSC e unidades de saúde são o mais esperançoso e completo insumo eleitoral até que se prove o contrário. Que vergonha!

   Há sim relaxo no atendimento, má gestão em alguns setores da saúde, mas o problema não é apenas esse. Médicos não podem trabalhar sem salários, porque sem pagamento salarial vigias dormem, motoristas não dirigem, babás não cuidam, jornalistas não escrevem, músicos não tocam. Médicos, enfermeiros e auxiliares não vivem de brumas ou promessas. O problema, como se vê, é resultado da cadeia de fatores, imprecisões, improbidade, má gestão, falta de consciência e ambição eleitoral. O problema da saúde em Cuiabá, não decorre tão somente de gestão, mas de capacidade de oferta bem menor que a enorme quantidade de demandas. São muitas causas, incluindo aí os que falam em soluções e vão para jornais, sites e telejornais, infalíveis e destemidos. Esses são, em particular ou em parte, os mesmos que se nutrem da incúria, da desgraça e do pranto de outrem. São pessoas que, após seu "teatrinho", à sós, certamente, sorriem felizes e fartos do caos que ajudam a instalar.

   Jorge Maciel é jornalista em Cuiabá.

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