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Sábado, 16 de Junho de 2007, 07h:31 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

PSD, UDN e PTB

     O deputado Humberto Bosaipo afirmou em pronunciamento na Assembléia Legislativa que está escrevendo um livro, cujo teor exalta a história dos partidos políticos PSD, UDN e PTB, em voga até o golpe militar de 1964.
     Para meu conhecimento, realizei há tempos atrás uma pesquisa superficial sobre o comportamento destas siglas na vida política do Brasil. Em função disso, relato a seguir algumas considerações avalizadas pelo que li e por opinião pessoal.
     Ao interromper-se o período do chamado Estado Novo em 1945, teve lugar a fase de "reconstrução democrática", com a Carta Constitucional de 1946, o governo de estrutura democrática do presidente Eurico Dutra e o surgimento de três grandes partidos políticos que passariam a centralizar a vida pública do país nos anos subseqüentes. Os nomes dessas agremiações estão ainda bem gravados na lembrança de todos: PSD, UDN e PTB.
     As diferenças nunca foram grandes entre essas agremiações, pelo menos no que se refere aos métodos de ação, ao tropismo pelo poder e à qualidade do material humano que constituía a linha principal dos seus quadros. Mas, se aprofundarmos o estudo, descobriremos certas nuanças que fazem a diferença.
     O PSD Partido Social Democrático, por exemplo, seria um partido conservador-pragmático. Em outras palavras. Não era partido que agitava a bandeira de grandes idéias e de grandes reformas mas, não combatia as conquistas sociais alcançadas no país na época de Getúlio Vargas, por isso tampouco poderia ser considerado antiprogressista. Dos seus quadros saíram presidentes da República e alguns governadores que promoveram da melhor maneira o progresso brasileiro.
     Eurico Dutra, considerado patriota, justiceiro, escravo da Constituição, como grande feito à construção da Usina de Paulo Afonso. E do PSD sairia outro presidente da República, Juscelino Kubitschek, que se notabilizaria pela construção de Brasília e pelo grande esforço que realizou em prol da industrialização no Brasil.
     A UDN União Democrática Nacional, tão ávida do Poder quanto o PSD, era todavia marcada por outro estilo. Se contrapunha de modo extensivo à legislação social herdada do Estado Novo. Todos os seus valores proclamados soavam como antigos, como se houvesse a possibilidade e a conveniência de um imobilismo na vida político institucional da Nação.
     Pela oratória, em que seus líderes abusavam de metáforas, da antítese e do trocadilho, pelo elitismo exibido nos seus atos, parecia ser um partido mobilizado para deter a evolução e o progresso político. Procedendo com arrogância típica de grupos políticos que se presumem donos da verdade e não hesitou, inclusive, em acalentar a idéia do golpe de Estado. A UDN polarizou toda a energia de patrões inconformados com a legislação trabalhista. Como se a história pudesse retroceder.
     O terceiro dos partidos, o PTB Partido Trabalhista Brasileiro, o único a alardear um compromisso estreito com as reivindicações sociais, teve o papel meritório de provocar o debate político, mas, pela baixa qualidade intelectual de alguns de seus líderes, foi levado a possíveis excessos e comprometimentos que acabaram por levar o país, na opinião de muitos, à beira de um caos. Daí, dando asas ao golpe de 64, iniciando aí uma fase obscura da vida política nacional.
     Em tempo: em sua iniciativa, o deputado Bosaipo dá a entender que focará a fidelidade, o companheirismo, o respeito ao programa partidário e a honradez no cumprimento dos compromissos assumidos por lideranças mato-grossenses que fizeram parte da história das três agremiações. Será, com certeza, um grande serviço a ser prestado à nossa história política.

José Arimatéia é ex deputado estadual por Mato Grosso

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