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Terça-Feira, 22 de Setembro de 2009, 17h:16 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:24

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

Quando o tecnicismo se sobrepõe ao humanismo

   É de conhecimento público a situação de médicos brasileiros e estrangeiros formados em universidades no exterior, que de regresso ao seu país encontram a quase que intransponível barreira de atuar na profissão que escolheram e se dedicaram durante anos, longe da família, amigos e da sua terra natal.

   Muitos têm na ponta da língua a pergunta: “Se é para passar por isso, por que foram?” Julgando pelo conhecimento de causa, já que ocorreu na minha família, com minha irmã caçula, no auge do seu idealismo juvenil, afirmo que a escolha foi motivada pelo sonho de uma proposta de medicina preventiva que poderia colaborar bastante, quem sabe até mudar, a realidade da população mais carente do Brasil em relação à saúde.

   Pois bem, diante dessa batalha, depois de passar em sexto lugar em um concurso de residência médica em Brasília, no Hospital de Base, ser aprovada e classificada em concurso da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal e não poder assumir em ambos, por não ter seu diploma revalidado é mostrar sua competência concorrendo com outros colegas formados no Brasil .

   Eis que depois de um ano de preparação de dedicação exclusiva para a prova de revalidação na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) aconteceu um imprevisto: após tomar as medidas de segurança necessárias, como desligar e guardar em envelope lacrado o celular, o mesmo aciona o seu despertador e ela é eliminada do concurso, que ocorre apenas uma vez por ano. Um fiscal burocrata e inflexível da Coordenação de Concursos e Exames Vestibulares da UFMT (ORGANIZADORA DA PROVA) que não se compadeceu diante dos apelos chorosos e desesperados de uma médica e nem mesmo do diretor da própria instituição (que por sinal é médico) usando uma expressão no mínimo infeliz e absolutamente verídica: “Hoje quem manda aqui sou eu, está no edital não pode haver ruídos, você está eliminada”.
  
   Quando o tecnicismo sobrepõe o humanismo só resta chorar: pelo Brasil, pela amargura que corrói a solidariedade como ferrugem, pela pobreza humana, pelo poder dado a pessoas medíocres, tiranas e ignorantes.

   Hoje foi um dia triste na vida de uma médica, condenada por ter se formado no exterior, em um país que oferece formação visando a prevenção e não o trato de doenças já instaladas, uma médica da família, humanista, generosa, competente e patriota.

   Hoje foi um dia que um fiscal de provas, de mais ou menos uns quarenta anos, demonstrou que não é panela velha que faz comida boa, e que pouco poder nas mãos erradas pode fazer grandes estragos na vida de batalhadores, brasileiros pró-ativos que poderiam fazer grande diferença na precariedade da saúde do Brasil.

   Fico triste com pessoas inflexíveis, intolerantes que acham que a norma é dura e só tem efeitos punitivos e deve ser seguida ao pé da letra. Há o bom senso dentro de qualquer norma, mas só pessoas instruídas emocionalmente e intelectualmente sabem conciliar isso, como por exemplo, o diretor e médico Aristides Nasser, humanista de formação, especialista em ajudar pessoas independente do que está no edital, comprometido com o ser humano e não com formulários, números e ruídos sonoros. Para ele, o que conta é o sangue que corre nas veias, os batimentos cardíacos e não o eletrocardiograma. Caro fiscal Rodolfo Nery, acredito que você deveria trabalhar como voluntário nesta instituição para tentar entender melhor o que é a vida já que o regimento interno você já sabe de cor e o usa com toda a sua desumanidade.

   Meu nome é Daniella, sou pedagoga, especialista em deficiências da áudio comunicação. Trabalho diretamente com pessoas surdas e conheço de perto a realidade de não escutar por deficiência e não por ignorância ou prepotência pura.

   Daniella Maria de Oliveira Varela é pedagoga

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