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Sábado, 30 de Junho de 2007, 08h:51 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

Artigo

Quanto pior, melhor!

     Depois da ministra-sexóloga, foi a vez do ministro da Fazenda diagnosticar ser a culpa do crescimento econômico pelo caos aéreo brasileiro. Essa frase faz parte da coleção de acintes que demonstram o desprezo à população brasileira por suas autoridades. Nunca significam o que foram efetivamente dizer, são seguidas de explicações do “que queriam dizer”. Essas ofensas perpetuam-se porque, assim como eu, cada brasileiro culpa “o brasileiro”, - assim mesmo, na generalização -, pela acomodação, afastando-se do rol dos acomodados. Assim como as más companhias, o brasileiro acomodado é sempre o outro.
     Muitos articulistas já mencionaram, por isso se dispensa a comparação aos países desenvolvidos, já que, segundo a ótica do ministro, no famoso grupo G-8, os mais ricos do mundo,  aviação não existiria.
     Foi embasado em raciocínio semelhante que houve mudança na metodologia de avaliação da riqueza e quase levou o Brasil a ser a primeira economia do mundo. Ficou somente entre os oito mais mais ricos. No mesmo período, a revisão de outras estatísticas fez a rede pública de ensino de São Paulo sair da 21ª para a 12º posição num ranking nacional; os assaltos a banco pularam de 487 para 1.053 de 2003 a 2006. Fica claro que toda estatística oficial deve aguar até, no mínimo, uma revisão.
 Como enfatizou nosso presidente, chegará um dia em que se anunciará o ano, o mês, a semana e o dia que este problema será solucionado. Até lá, pagar-se-á caro por passagens em aviões que decolarão com 40 horas de atraso, ou em vôos simplesmente cancelados. As autoridades produzirão suas pérolas, mais do que irônicas, irresponsáveis!
     E rezar para que o IBGE volte à metodologia antiga, o Brasil deixe o grupo dos mais ricos do mundo e volte ao seu posto real de país miserável, ou chamado em desenvolvimento, para que o caos aéreo tenha uma solução. Pela ótica de Guido Mantega, literalmente, quanto pior, melhor. Infelizmente, essa lógica se aplica à política brasileira, sem margem de dúvida.

Pedro Cardoso da Costa é bacharel em Direito e reside em Interlagos (SP)

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