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Sábado, 15 de Dezembro de 2007, 08h:21 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:19

Artigo

Quase uma patuscada

     O Brasil dos últimos anos parece ter se transformado no país da farra, da pilhéria amarga, da transgressão impune, do descumprimento das mais primárias leis de civilidade e do desprezo arrogante de um expressivo número de dirigentes daqui, de lá e de acolá para com a sociedade ao manipularem informações e estatísticas, realidades e utopias que só existem nos devaneios de quem não pode estar longe do poder.
     As transmissões das sessões do legislativo nacional nos enchem de tristeza. Na Câmara Baixa mais de quinhentos representantes em completo alarido defendendo nada e coisa nenhuma no mais das vezes. Parecem atores encenando para as câmaras de televisão um novo capítulo de algum folhetim novelesco. A Câmara Alta segue pelo mesmo viés, com discussões quase sempre histriônicas. Farto exemplo pode ser visto durante a sessão que pôs fim a CPMF: uma encenação de vaidades e interesses pessoais.
     O parlamento nacional dá a impressão de que não conhece o lado do Brasil que precisa, de forma muito célere, programar e executar  ações sob pena de se ver em frente a vários caos num período muito curto de tempo. A duplicação e a recuperação de estradas estranguladas por uma quantidade sem precedente de veículos é alguma coisa premente eis que as condições precárias de fluxo e pavimentação são promotoras das incontáveis mortes que têm ocorrido nos últimos anos ceifando prematuramente a vida de brasileiros. Estradas de ferro e navegabilidade em rios que outrora singravam progresso é outro viés a ser percorrido pelo ministério competente. Aliás, uma boa enxugada de ministérios e secretarias inexpressivas faria muito bem ao equilíbrio financeiro da nação.      Competência não se mede por quantidade, mas por qualidade de gestão. Um governo sério restringe seus gabinetes e impõe mecanismos de alta tecnologia e eficácia. Diminui o tamanho do Estado na área burocrática para aumentá-lo na área social especialmente quando o país ainda precisa avançar rumo ao desenvolvimento de ponta.
     A CPMF foi sepultada pela força de seus criadores. Vigeu tempo demais além de ter sido desviada de seu fim em metade de sua arrecadação.  Se ao longo dos anos tivesse havido transparência das aplicações com informações exatas e de fácil acesso à população talvez ainda estivesse viva.
Com quarenta bilhões a menos no caixa, o governo terá de demonstrar como fazer mais com menos. Esse é o difícil papel dos homens públicos que se apresentam ao crivo da população para gerir a vida em sociedade: ter excelência e dignidade para fazer o que deve ser feito em ordem de prioridade. E assim resgatar a honra da nação que anda tão vilipendiada.

Sandra Silva é sociologa, jornalista e acadêmica de Direito e reside em Alegrete (RS)

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