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Quarta-Feira, 06 de Junho de 2007, 09h:08 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Quem somos e o que queremos

       A opinião pública brasileira - e particularmente a mato-grossense - ainda não assimilou com clareza a formação do Bloco de Esquerda integrado pelo PCdoB, PSB, PDT, PMN, PRB, PHS e PAN. Muitos acreditam que é um mero bloco parlamentar para dar mais visibilidade e voz a esses partidos no Congresso Nacional. Já outros imaginam que se trata apenas de uma reunião de nanicos para tentar melhorar resultados eleitorais no pleito do ano que vem. Há ainda os que consideram que o Bloco de Esquerda é o presságio de uma ruptura com o PT e o Governo Lula. Ledo engano.
     Primeiro, é importante informar quem é esse bloco e o que ele representa. Os partidos que o integram formam a chamada esquerda partidária brasileira, embora reconheça que PT e PPS, fora do bloco, também se alinham no campo da esquerda. (O PPS está fora por uma opção política equivocada de se opor ao governo Lula).
     Juntos, os sete partidos do bloco somam 78 deputados federais, 8 senadores, governadores e grande número de prefeitos e vereadores em todo o país. Constitui-se, portanto, numa força política expressiva.
     Sua finalidade fundamental é articular e aglutinar essas forças de esquerda para impulsionar medidas e ações políticas que garantam o avanço do Brasil e do Governo Lula; e ao mesmo tempo se constitua num contraponto concreto às políticas conservadoras – no momento em que a luta de classes em escala global, e particularmente na América do Sul, ocorre de maneira intensa.
     No seu espectro ideológico, o bloco se afirma como uma referência de valores como a soberania nacional, a autodeterminação dos povos, a inclusão social, o desenvolvimento sustentado, o combate à fome, às oligarquias financeiras e ao capital predador, entre outros. São pontos convergentes a todos os partidos do bloco.
     No plano político, o bloco se identifica como parte da coalizão que dá sustentação ao governo do presidente Lula, ao qual ajudamos a eleger e do qual participamos. E aqui reside uma particularidade do bloco: por se tratar de um governo de coalizão, é natural que haja contradições no seu seio, e que as diferentes forças políticas, embora aliadas pela convergência de governo, travem uma luta política e ideológica sobre inúmeros temas. É o que chamam de unir sem misturar. Somos aliados, mas somos diferentes.
     O bloco de esquerda visa, nessa dimensão, garantir que a esquerda consiga exercer influência real nos rumos do Governo Lula, sendo o fiador dos compromissos assumidos pelo presidente com o povo brasileiro e os movimentos sociais durante a última campanha.
     Tarefa que, reconheça-se, não cabe apenas ao PT, uma vez que, na condição de partido do presidente, partido majoritário do governo, precisa ter uma relação mais flexível com as demais forças que compõem a coalizão nacional.
     Não significa, portanto, que o Bloco de Esquerda esteja ou deseja romper com o PT. Ao contrário, o Bloco tem a missão de fortalecer o núcleo de esquerda dentro do governo, e também nos movimentos sociais, na sociedade. E, nesse intercurso, o PT continua sendo um aliado estratégico dos partidos que compõem o Bloco, especialmente do PCdoB.
     Isso passa pelas eleições municipais de 2008 e pelas eleições estaduais e a federal de 2010? Certamente que sim. Uma das formas dos partidos políticos influenciarem a sociedade é disputando os espaços públicos, conquistando e exercendo poder. Mas, reconheça-se também, não seria correto afirmar que o bloco só se coligará entre si. O bloco, ao contrário, deverá formar um núcleo para as mais amplas coligações.
     Para nós do PCdoB está claro que o Brasil vive um momento peculiar da sua história, com avanços concretos na luta popular, com uma experiência fundamental de governo. Entretanto, nossa maior preocupação política no momento é garantir que o rumo do governo Lula seja balizado pelo pensamento progressista, pelo compromisso social, e que nosso país construa solidamente um projeto nacional de desenvolvimento alternativo ao neoliberalismo.

 

Professora Janete é dirigente estadual do PCdoB de Mato Grosso ( jocd@terra.com.br )

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