Últimas

Domingo, 27 de Abril de 2008, 08h:05 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:20

CULTURA

Radical, Pitaluga se vê isolado e já pede socorro

  • Secretário cancelou mais de 100 projetos, que somam R$ 1,9 mi, inclusive muitos já executados
  • Decisões isoladas e sem autorização dos membros do Conselho Estadual de Cultura piora a relação
  • Carta aos deputados motiva críticas e Novacki tenta contornar processo de "fritura"
  • Para não cair, Pitaluga prioriza projetos indicados pelo casal Maggi e ignora músicos tradicionais

   O secretário de Estado de Cultura, Paulo Pitaluga, em menos de dois meses já meteu os pés pelas mãos. Assumiu com uma postura radicalista e foi tomando decisões sem consultar ninguém. Chegou à Cultura querendo marcar território, mas esqueceu que ninguém governa sozinho. Acuado, resolveu pedir socorro. Nesta sexta, se reuniu com o secretário da Casa Civil, Eumar Novacki, para buscar ajudar. O principal assunto foi o cancelamento dos projetos, que gerou polêmica, principalmente por ter pessoas com propostas já  executadas.

   Essa foi uma das atitudes que provocaram desconforto e críticas à gestão Pitaluga por parte de alguns deputados. Um deles é José Riva (PR). Da tribuna, o "baixinho" disparou críticas a Pitaluga por causa de cancelamento de vários projetos culturais, aprovados no ano passado pelo Fundo Estadual de Fomento à Cultura. "Teve projetos cancelados de pessoas que já tiveram executados os projetos, contando com o dinheiro e hoje estão endividadas. O senhor secretário sabia que assumiria uma pasta com dívidas, deveria ter consciência e quitá-las, não fazer o que fez.. Tinha projeto sérios e com valores pequenos de R$ 6 mil que poderiam ter sido considerados por ele", ressalta.

  Outra ação do secretário que motivou maior desgaste com o Legislativo foi um comunicado enviado à Assembléia Legislativa, informando que não seria possível atender os pedidos dos deputados para aprovação de projeto. Novacki, porém, nega que isso tenha ocorrido e disse que Pitaluga apenas lhe contou ter enviado uma solicitação aos parlamentares para que estes disponibilizassem emendas para Cultura. "Não chegou ao meu conhecimento nenhuma informação a respeito desta atitude do secretário. O que ele me disse é que enviou um documento para Assembléia para buscar mais recursos na área da Cultura através de emendas. O que é um direito dele buscar formas de disponibilizar mais verbas para o setor", justifica.

  O secretário-chefe da Casa Civil também disse que solicitou a Pitaluga que busque respaldo de sua equipe técnica e jurídica para justificar o cancelamento de mais de 100 projetos, que somam R$ 1,9 milhão. Novacki revelou que não houve nenhuma avaliação dos projetos que seriam anulados, nem mesmo para saber se haviam sido realizado. "Em tese, entende-se que se não houve o repasse dos recursos não foi possível realizá-lo e não é necessária a prestação de contas", considera. Além disso, segundo o edital de 2007, que dita as normas de atuação do Conselho, os projetos aprovados devem ser executados e liquidados no mesmo ano. Só que a última lista de aprovação ocorreu no final de dezembro, o que não dá prazo para o proponente realizar a ação e prestar conta.

   Novacki contou ainda que outro problema foi o gasto maior do que a receita. "Foram aprovados um número X de projetos, em que o montante era maior do que o orçamento". Não se pode esqucer que houve corte no orçamento depois da aprovação dos projetos, piorando ainda mais a situação da pasta até então tocada por João Carlos Vicente Ferreira.

  Conselho

  Além dos deputados, conselheiros também estão na bronca com as atitudes de Pitaluga. Ele aprovou várias resoluções ad referendum do Conselho Estadual de Cultura, ou seja, sem a aprovação dos demais membros da entidade. Isso gerou mal-estar, principalmente com os eleitos pela classe artística.

  Desde o início, Pitaluga declarou guerra a músicos tradicionais e de peso no Estado, como Henrique, Claudinho e Pescuma, Dois a Um e Nico & Lau. São todos já consagrados, mas que conseguem recursos do Fundo para realização de seus eventos, como ocorreu no ano passado, quando Dois a Um teve aprovado um projeto de R$ 150 mil para gravação do DVD.

  Mas sabe-se também que há muitos "apadrinhamentos políticos". Artistas que buscam respaldos de autoridades para conseguir recursos do Fundo e em geral as ordens vêm de cima para baixo. Portanto, o secretário de Cultura é apenas uma figura representativa, que perde suas forças perante os pedidos de pessoas influentes do próprio governo.

  Só que apesar de todo radicalismo, Pitaluga já afinou o discurso. Ele teria sugerido, em conversa por telefone com alguns conselheiros, que "olhassem com carinho" para projetos do governador Blairo Maggi e da primeira-dama Terezinha Maggi, com a argumentação de que estes não seriam imprestáveis. E isso não demorou a acontecer. Dias depois da publicação do PROAC-2008, quatro projetos referentes ao Auto da Paixão, chegando a quase R$ 500 mil, foram aprovados. O secretário chegou a alegar que o dinheiro seria devolvido, e que foi a única forma encontrada para disponibilizar o recurso de forma mais rápida.

 Outra crítica de alguns segmentos é que, do pequeno orçamento da secretaria, R$ 1,5 milhão vai para a Orquestra do Estado de Mato Grosso, que hoje já conta com apoio de empresas como a Votorantim e Pantanal Energia. Com isso, outros grupos pequenos deixam de ser ajudados e ações de maiores alcances, como cursos de capacitação, não podem ser realizados por falta de recurso.

  O que chamou a atenção também foi as duras críticas que Pitaluga proferiu contra seu antecessor João Carlos. Apesar de serem amigos e membros do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso (IHGMT), Pitaluga não poupou o ex-secretário e falou mal dele para quem quisesse ouvir, o que também gerou um mal-estar, até mesmo dentro da Secretaria e com demais políticos e amigos de Ferreira.

Postar um novo comentário

Comentários (33)

  • Maria Luiza | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
    0
    0

    Acho também q passou da hora da farra acabar. A lei de incentivo , como o própio nome diz , não deve servir para sustentar poucos com muito mas , dar a oportunidade de muitos , com bons trabalhos , darem a largada inicial. Infelizmente não foi o ocorrido nos últimos tempos. Poucos ficaram mamando as custas do governo e muitos ficaram sem um merecido incentivo. Política cultural não deve se resumir no simples ato de aprovar ou reprovar progetos. Deixa o secretário trabalhar !

  • sou vereador Celso Fontes | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
    0
    0

    Vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas.
    Queira, por gentileza, refazer o seu comentário.

  • Neide Cunha, CPA | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
    0
    0

    PAULO É ARROGANTE E PAVIO CURTO. NÃO TEM JOGO DE CINTURA E ACHA QUE É DEUS. BOA A SUA MATERIA JORNALISTA ROMILSOM, PORQUE MOSTRA O DESPREPARO DE SECRETÁRIOS DO GOVERNO MAGGI.

  • Delço | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
    0
    0

    Acho que o Pitaluga está certo. Essa matéria deve ter sido colocada por quem jamais terá novamente um projeto aprovado no Conselho, já que se beneficiaram ilegalmente de suas verbas. Se estão metendo o pau no Pitaluga é porque ele está tentando acertar, moralizar e dar um mínimo de dignidade à cultura de Mato Grosso.

  • Paulo Roberto | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
    0
    0

    Romilsom: Você deveria publicar a bandalheira que era a aprovação de projetos no tempo do João Carlos. Só era aprovado para os grandes da música de MT. E isso não é fomentar cultura. Fomento (Fundo Estadual de FOMENTO à Cultura) é dar oportunidade aos jovens, aos iniciantes. Essa notícia é coisa de deputado que pensa pequeno, é coisa daqueles que não mais terão chance de mamar. Ouça o outro lado, Romilso. Ouça nós os produtores culturais e você vai saber coisas do arco da velha ...

  • Mané | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
    0
    0

    Sou funcionário da Secretaria de Cultura e isso o que foi publicado não é bem assim. Procure saber quem estava por trás do Pescuma, Henrique, Claudinho, Dois a Um, etc. Eles levaram quase 2 milhões do fundo no ano passado. Gravaram CDs e DVDs por 8 vezes o valor demercado. Oito vezes sim senhor. Cuiabá inteiro sabe disso. Acho que só você não sabe ou finge que não qeur saber. Chega dessa turma e vamos apoiar os novos.

  • Cleusa Maria da Silva | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
    0
    0

    Parabens pela materia, ficamos supreso quando chegamos ao prédio a onde funciona o Conselho Estadual de Cultura, quando soubemos que o Senhor Secretario mandou a disposição da Secretaria de Administração dois funcionários da casa que tem mais de 30 anos de serviços, prestado na Secretaria de Estado de Cultura, acusando injustamente pelas aprovaçãos dos projetos culturais a quem cabe especificamente o direito de aprovação são os Conselheiros de Cultura tanto da classe governamental como artistica.

  • Wagner S. Carvalho | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
    0
    0

    Seria interessante o Secretário Chefe da Casa Civil Cap. Novack, que já demonstrou para que veio, tomasse conhecimento das denuncias que tramitam no Ministerio Publico Estadual,referente ilicitos praticados no Conselho Estadual de Cultura, sob a Presidencia de Joao Carlos Ferreira, como por exemplo o processo nº 001270-01/2007 - MPE
    A funcionária Luiza Pereira sempre esteve no Conselho Estadual de Cultura, pessoa de maxima confiança de João Carlos Ferreira, beneficiando-se do cargo para aprovar varios projetos de seu interesse em nome de laranjas e hoje na administração de Paulo Pitaluga , a mesma e famosa LUIZA, é a Secretaria Executiva do Conselho Estadual de Cultura, dando continuidade as maracutaias, juntamente com o Sr. Robério que providencia os pagamentos dos projetos culturais.
    Tai o covil formado, só que agora sob a presidencia de Paulo Pitaluga, homem arrogante que vive dos favores dos Governantes!

  • Amado Amador | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
    0
    0

    Boa matéria mesmo. Agora, quanto ao secretário Pitaluga, duramente criticado desde a escolha para esse cargo, realmente, se o dinheiro para cultura é pouco, a primeira coisa é buscar aumentá-la, o que é possivel se demonstrar o apoio que oferece aos pequenos projetos culturais.

    Aliás, dizem que a revista Estação Cultura,um dos poucos espaços para literatura mato grossense, tocada por Wander Antunes (e esse cara é um artista local, reconhecido fora de Mato Grosso, e, não aqui), deixará de existir por conta do secretário Pitaluga.

  • Maria do Socorro Pereira | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
    0
    0

    A arrogância é tipica dos insanos e ignorantes!
    Paulo Pitaluga está causando mal para os Deputados, Proponentes, Conselheiros(Ah! aqueles que estavam acostumados a mamar em tetas vigorosas!) e aos Funcionários, que diga-se de passagem, todos com mais de 20 anos de serviço público prestado ao Estado de Mato Grosso. Ele e sua trupe desconhecem o Estatuto dos Servidores Públicos e tomam medidas contrárias,sob as vistas de uma advogada que tem mais 40 anos la - a Dra. Mitzi Figueiró, que sempre esteve servindo e se servindo de quem esta no
    Poder!
    Pagot!!! funcionários tem títulos eleitorais! Eles votam!!
    PS: a Luiza Pereira Secretaria Executiva do Conselho Estadual de Cultura, não é daqui, é de MS e não vota aqui e nao tem nenhum voto a lhe oferecer...a não ser das miniaturas dos sapos e bruxas que ela cultuam em sua sala!
    A Mitzi Figueiró em 2010, já será amparada pela Lei eleitoral é será dispensada de votar!!
    Paulo Pitaluga?? também estará dispensado!

MPE suspende censo previdenciário

jose antonio borges 400 curtinha   O procurador-geral de Justiça, promotor José Antonio Borges (foto), suspendeu o censo previdenciário cadastral dos membros e servidores inativos e pensionistas do MPE. O recadastramento deveria ter iniciado no último dia 11 para ser concluído no final de fevereiro. Borges tomou...

Juca e os 7 secretários da Câmara

andre pozetti 400 curtinha   O presidente Juca do Guaraná definiu sete dos nove secretários que vão ajudá-lo a administrar a Câmara de Cuiabá. O secretário de Administração é Bolanger José de Almeida. O coronel PM da reserva Edson Leite conduz o Patrimônio e...

Morre mais um pastor da Assembleia

pastor jose alves de jesus 400   A Covid-19 transforma mais um pastor da Igreja Assembleia de Deus em vítima fatal. Morreu nesta terça José Alves de Jesus (foto), que presidia há vários anos o Campo Eclesiástico Autônomo da Igreja de Primavera do Leste e região. Ele estava hospitalizado com o...

Mauro e os "cabeças chatas" do CE

mauro mendes 400   O governador Mauro Mendes está disposto a conhecer a experiência da  educação pública  do Ceará, que há anos apresenta os melhores índices no Ideb e é orgulho dos irmãos Ciro e Cid Gomes, ex-prefeitos de Sobral e ex-governadores. Até pretende...

Seduc e microônibus para municípios

alan porto 400 curtinha   A secretaria estadual de Educação, sob Alan Porto (foto), tem buscado parcerias com prefeituras para construir quadras poliesportivas, laboratórios de informática e escolas, além de ampliar salas de aula, adquirir ares condicionados e microônibus escolares, de modo a atender...

Emanuel é quem mais realizou obras

emanuel pinheiro 400 curtinha   Um levantamento da empresa Percent Pesquisa & Consultoria, feita em Cuiabá entre os últimos dias 13 e 14, destaca que, na percepção de 49% dos cuiabanos, o prefeito reeleito Emanuel Pinheiro (foto) foi o que mais fez obras e serviços. Em segundo lugar, com 19,8%, é citado...

ENQUETE

facebook whatsapp twitter email

O Governo de MT optou pela implantação do BRT em Cuiabá-VG em detrimento do VLT. O que você acha disso?

Estou de acordo

Discordo

Tanto faz

Não se trata de pesquisa eleitoral, mas de um mero levantamento de opiniões de leitores do RDNews e do Blog do Romilson, com participação espontânea dos internautas. Resultado sem valor científico.