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Sábado, 18 de Agosto de 2007, 09h:41 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

Artigo

Redividir o Brasil: Para quem?

     Um assunto tem tomado meus pensamentos, insistentemente: a pretensa criação de novos Estados que tramita pelo Congresso, estando os Projetos prontos para aprovação. Aqui, nascerá  Mato Grosso do Norte. Mais 4 Unidades da Federação sofrerão a mesma retalhação: Bahia, Maranhão, Piauí, e Pará, sendo que este último seria redividido ou seriam  "criados",  mais dois Estados, sendo eles,  Carajás e Tapajós.
     Não é preciso dizer que o Brasil vive um caos que vem de há muito,  sendo "estruturado" pelos últimos Governos  em todos os sentidos,  e não acho que vaias resolvam problemas. Acho sim, que muitos "homens públicos" merecem um julgamento bem mais incisivo e definitivo que este, sem paixões partidárias ou pessoais, sob pena de estarmos sendo manipulados não mais por aqueles que queremos fora do poder, mas por aqueles que desejam retornar a ele. Temos que ir às ruas, exigir a representatividade que não temos e dizer NÃO.      
     Serão, acreditem,  mais 144 cadeiras de Deputado Estadual, 48 vagas de Deputado Federal e 18 de Senador. Pior que isso, esses projetos de Decreto Legislativo, que contemplam  a realização de plebiscito, foram aprovados nas respectivas Comissões de Constituição e Justiça e podem fazer parte da pauta de votação, ao mister da vontade deles, a qualquer momento.
     O Jornal O Estado de São Paulo nos dá as informações sobre esse novo fenômeno político brasileiro com clareza,  além de questionar sobre  todas as lacunas dessas pretensiosas e infundadas propostas e porque ninguém explica quem pagará por tudo isso, além do fato de  muitos desses Projetos serem  antigos e apresentarem lacunas. 
     Mais Estados, mais políticos, mais gastos que serão impostos a nós, quando sequer conseguem resolver  os nossos atuais  problemas ambientais, sociais, econômicos, políticos, de infra-estrutura, de desemprego e de miséria, o que seria o mínimo a fazer,  pois são eleitos e pagos para isso. 
Além dos gastos milionários a serem despendidos, esses famigerados processos causarão ao cidadão, transtornos inumeráveis, e tudo por causa de  uma ação injustificável de políticos em busca de novos horizontes que lhes propiciem a continuidade no poder.   
     Estado de Direito e  Soberania Nacional não podem ser peças de uso pessoal da prataria de burgueses enlouquecidos pelo poder e pelo dinheiro. Vamos dizer NÃO  à criação de novos Estados e exigir sim, o fortalecimento e desenvolvimento  dos que já existem e que têm problemas criados por eles próprios, políticos e politiqueiros, de todos os partidos ou linhas ideológicas que com isso contribuíram,  seja por ação ou omissão.  Pegaram o cavalo arreado e não querem apear. Falta espaço e sobram políticos com más intenções. Falta vergonha na cara dessa gente. Falta dignidade e trabalho pelos Estados que já representam, se isso é representar.  
     A criação de novas Unidades Federativas exigirá gastos com a criação de estruturas  milionárias para  abrigar Órgãos dos Três Poderes e ainda, garantir cargos e mais cargos para uma legião de apaniguados políticos, e tudo isso custará muito, mas muito dinheiro, o nosso dinheiro. Vejam bem aqui, em nosso Estado, o então Deputado Estadual Silval Barbosa, hoje vice-governador, como defendeu a divisão de nosso Mato Grosso. Com ele, muitos outros que nem a coragem de assumir posição pública tiveram. Certamente serão futuros dirigentes do pretenso novo Estado de Mato Grosso do Norte e trabalham em silêncio e covardemente a favor dessa nova onda e não vale a pena citar seus nomes. Enquanto isso, na Alemanha, o Governo pretende fazer o oposto.   
     Como pagaremos essa conta Senhores? Como poderemos aceitar começar tudo de novo, quando  vemos que sequer se preocupam em nos esconder a roubalheira instalada no Brasil e que estamos sem rumo e sem leme, mas acima de tudo, sem comando?
     Vamos acompanhar as palavras de Dostoiévski, em  apontamentos para Os Irmãos Karamazov: "Está bem então: eliminem o povo, reprimam-no, reduzam-no ao silêncio. Porque o iluminismo europeu é mais importante do que o povo" . Aqui, tudo é mais importante que o povo ou suas necessidades, ou ainda, os interesses da Nação.   
     Redividir o Brasil, criando novos Estados, triplicar nossas dívidas interna e externa e ainda ter que aturar os mesmos homens do poder, é exigir demais de qualquer mentecapto ou analfabeto político, quanto mais de gente que pensa, sem cor partidária, em um Brasil com as mesmas estrelas estampadas em sua Bandeira. Em um País uno e forte,  para o seu povo e não para seus mandatários, que usam seus cargos e poderes inerentes, para seus próprios interesses.
                
Oriana Paes de Barros é procuradora federal aposentada e pecuarista
        
     
  
 

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