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Domingo, 22 de Abril de 2007, 07h:30 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

VARIEDADES

Reportagem mostra cenário da tragédia em MT

  A Folha de S. Paulo deste domingo (22) traz uma reportagem sobre o local onde há seis meses caiu o Boeing-800 da Gol, matando 154 pessoas, no território mato-grossense de Peixoto de Azevedo (a 740 km de Cuiabá). O repórter Hudson Corrêa escreve que os destroços do boeing permanecem no local. "São restos de poltronas, remédios, peças da fuselagem, roupas, calçados e querosene".

  O maior acidente da avião brasileira ocorreu em 29 de setembro do ano passado. O boeing e um jato Legacy chocaram-se no ar. O primeiro caiu na terra indígena Capoto-Jarinã, em Peixoto de Azevedo, matando todos que estavam a bordo, enquanto o jato conseguiu pousar sem nenhum ocupante ferido.

   Clique aqui para ter acesso a reportagem (para assinante Folha) ou leia abaixo a reprodução na íntegra das duas matérias.

Cenário da tragédia do vôo 1907 está intacto

Seis meses após queda de Boeing da Gol na floresta amazônica, destroços ainda não foram retirados de terra indígena

Para chegar ao local, são três horas de barco a motor e outras três horas por uma trilha aberta por índios logo após o acidente

HUDSON CORRÊA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PEIXOTO DE AZEVEDO (MT)

Seis meses após o maior acidente da aviação brasileira, os destroços do Boeing 737-800 da Gol permanecem no local da queda, na floresta amazônica em Mato Grosso. Parte do cenário da tragédia que matou 154 pessoas e catalisou a crise aérea pela qual passa o país continua intacta. São restos de poltronas, remédios, peças da fuselagem, roupas, calçados e querosene.
Em 29 de setembro de 2006, o Boeing e um jato Legacy da Embraer, comprado pela empresa norte-americana ExcelAire, chocaram-se no ar. O Boeing caiu na floresta -matando todos que estavam a bordo- e o jato conseguiu pousar sem nenhum ocupante ferido.
O avião caiu na terra indígena Capoto-Jarinã, em Peixoto de Azevedo (741 km de Cuiabá). Para chegar ao local, são três horas de barco e outras três horas por uma trilha aberta por índios logo após o acidente, a partir da margem do rio Jarinã.
"Quando chega ao local, venta, tem nuvens e escurece. Depois que voltamos, abre [o tempo]. Toda vez que vamos fica assim. Já vi espírito vagando lá", diz o cacique caiapó Bedjay Txucarramãe, 62, que guiou a Folha até a área da queda, próximo à aldeia Piaraçu, onde vive com 138 índios.
Também acompanharam a reportagem os índios guerreiros Bepkarokti Metuktire, 34, e Bekran-õ Metuktire, 49, além de Gilmar Fumagali, da Funai (Fundação Nacional do Índio).
A reportagem constatou que a natureza se encarregou de acabar com o mau cheiro no local, mas não com os destroços que, para os índios, poluem o ambiente (leia texto abaixo)
Os caiapós ajudaram a resgatar os corpos. As primeiras vítimas foram localizadas por eles seis dias após o acidente.

"Marco zero"
No ponto alcançado pela reportagem após duas horas de trilha, os caiapós prenderam em uma árvore, a quase dois metros do chão, uma mesa de poltrona do avião. É o "marco zero" do local onde começam a aparecer destroços, espalhados por um raio de mais de 1 km.
No caminho restante, encontram-se de restos da fuselagem a saquinhos com logotipo da Gol. A reportagem observou ainda uma calça preta, um tênis, um sapato, remédios, placas de computador, pedaços do bagageiro, tubos de plástico e peças do avião.
A Folha encontrou na trilha ao menos três buracos redondos no chão. "Aqui cavaram para tirar os corpos que ficaram enterrados [com o impacto]", diz o cacique.
Quanto mais se anda, maiores são os destroços. Até que, após um terreno pantanoso e um pequeno córrego, chega-se ao bico do avião, com a cabine e sobras de poltronas da frente.
Uma porta de saída de emergência também pode ser vista. Ali foram resgatados os corpos, praticamente intactos, do piloto e do co-piloto do vôo 1907. A alguns metros, índios colocaram um ornamento de vegetação parecido com uma cruz.
Nesse mesmo local foram localizados 60 corpos sob a fuselagem, diz Fumagali, que participou do resgate com os índios.
Toda a carcaça do bico do avião é tomada por pequenas borboletas. "É que elas ainda sentem o cheiro das pessoas que morreram", diz o guerreiro Bepkarokti. As borboletas também circulam em volta de quem se aproxima.
A 300 metros dali está a clareira aberta pela FAB (Força Aérea Brasileira) para resgate dos corpos. A reportagem encontra as asas e o trem de pouso do avião -e mais borboletas.
Nesse ponto, há uma cruz de quase três metros de altura com a inscrição "Vôo 1907-154 (vítimas)", assinada pela equipe de resgate.
Ao lado da cruz há um oratório com imagem de Nossa Senhora de Aparecida e a foto do bancário brasiliense Marcelo Paixão Lopes, 29, última vítima a ter restos mortais identificados. É uma homenagem da família, feita em outubro.
Após menos de uma hora entre os destroços, os índios querem ir embora. "Eles ficam tristes aqui", diz Fumagali.
"Nós lembramos de nossos parentes que foram acidentados de carro [11 mortos em abril de 2004]. O pessoal fica triste. Quer chorar. Vamos embora", diz o cacique.

Índios querem que Gol retire destroços

Lideranças dos caiapós afirmam que os pedaços do Boeing, espalhados por 1 quilômetro, causam danos ambientais

Aldeia perto do local da queda quer indenização por estragos. "Tem que tirar [o avião]. Para tirar, tem que pagar a gente", diz cacique

DA AGÊNCIA FOLHA, EM PEIXOTO DE AZEVEDO

Lideranças dos índios caiapós e a Funai (Fundação Nacional do Índio) em Colíder (MT) querem que a Gol retire os destroços do Boeing da terra indígena Capoto-Jarinã, área de floresta amazônica.
Os índios dizem que os destroços do avião, espalhados por 1 km, causam danos ambientais. O cacique caiapó Bedjay Txucarramãe afirmou que a aldeia Piaraçu, perto do local da queda, também quer indenização por estragos causados. "Tem que tirar [o avião]. Para tirar, tem que pagar a gente."
Segundo o cacique, o querosene do avião polui um córrego que deságua no rio Jarinã, que chega ao rio Xingu, a principal artéria das áreas indígenas ao norte de Mato Grosso.
Na clareira aberta para resgate das vítimas, onde estão as asas e o trem de pouso do avião, há forte cheiro de querosene e uma mancha do combustível de pelo menos três metros de extensão. O combustível aflora quando a mancha é pisada.
"Nós precisamos que o dono tire logo os pedaços do avião para não ter problema com o pessoal meu. Isso aí está poluindo a água. Contamina peixe. Pessoa come e adoece", afirmou o cacique Bedjay.
Em dezembro, o administrador da Funai em Colíder (MT), Megaron Txucarramãe, enviou ofício à Funai de Brasília para que a Gol seja instada a retirar os destroços. "Caso contrário, entraremos com processo por danos ambientais", diz o ofício.
Megaron também quer que o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) avalie o impacto ambiental na área.
Os destroços estão espalhados pela selva. A reportagem contou ao menos 25 placas de computador, além de pilhas, baterias e toda a fuselagem do avião, em aço e plástico.
Os índios não aceitam que entrem no local do acidente sem autorização deles. Por isso, exigem que a retirada dos destroços seja acompanhada por lideranças indígenas. "A gente respeita a cidade de vocês. Então o povo tem que respeitar a nossa aldeia. Eu nunca vou entrar numa fazenda para matar alguma galinha, gado ou alguma coisa que o fazendeiro tem", declarou o cacique.


 

NA INTERNET - Veja fotos em www.folha.com.br/071111

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