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Segunda-Feira, 17 de Agosto de 2009, 21h:29 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:23

PAC

Rosa autoriza pagar R$ 50 mil a sua aliada nas licitações

   Ana Virgínia de Carvalho, a Naná, que conseguiu habeas corpus junto ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região e deixa a prisão nesta terça (18), é considerada pelo Ministério Público como um dos braços do esquema de fraudes nos processos licitatórios das obras do PAC em Cuiabá, entre 2007 e 2008. Num dos diálogos, há confirmação de pagamento para Naná de R$ 50 mil, sob autorização do ex-presidente da Sanecap, José Antonio Rosa.

   Ela presidia a Comissão de Licitação. Por isso, estava sob constante "assédio" de empreiteiros e era "guiada" por José Rosa, acusado de interferir nos processos e de direcionar licitações. Naná e José Rosa mantinham estreita ligação. Ela chegava a agir como subordinada ao então procurador-geral do Município, já que o mantinha completamente informado dos fatos atinentes à licitação, acatando suas recomendações. Cabia a Naná desclassificar concorrentes, tudo para favorecer empresas do esquema. Ela contava com auxílio de Adilson Moreira da Silva, que ora atuava junto à Comissão, ora prestava serviços a empresários licitantes.

   Gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal com autorização judicial revelam que houve autorização de José Rosa, que não mais respondia pela presidência da Sanecap, responsável por tocar as obras do PAC, mas sim pela Procuradoria-Geral do Município, para pagamento de R$ 50 mil a Ana Virgínia, "sem motivo esclarecido". O diálogo tem a participação dos empreiteiros Anildo Lima Barros, ex-prefeito de Cuiabá e dono da Gemini, e de Jorge Pires, da Concremax, empresas que integram o Consórcio Cuiabano.

Confira a conversa de Anildo com Jorge Pires em que comentam sobre Ana Virgínia.
O diálogo é de 21 de janeiro do ano passado, às 10h14

Anildo Lima Barros - Alô!
Jorge Pires - E aí chefe...
Anildo - Chegou uma cartinha da prorrogação, assinada pela Ana Virgínia.
Jorge Pires - Estou te ligando, vamos convocar uma reunião pra hoje?
Anildo - Tem que convocar, ver o que vamos fazer, por o Marcelo pra trabalhar. Vamos sair de cena e por ele pra trabalhar...
Jorge Pires - O professor Adilson esta vindo aqui 2 horas pra olhar as planilhas, pra dar uma opinião pra nós, vamos marcar pra 2 e meia ou 3 horas...
Anildo - É muita planilha, deixe ele à tarde, vamos marcar 4 horas.
Jorge Pires - Vamos ver quanto tempo ele precisa....
Anildo - Aí marca, eu acho que ele precisa de pelo menos uma hora....um abraço.

   Numa conversa com José Rosa, em 4 de março de 2008, às 20h21, Ana Virgínia informa que ainda não terminou de olhar e abrir tudo, mas revela ter boa notícia. José Rosa, por sua vez, pede para analisar a documentação "direitinho". Confira o diálogo.
José Rosa - Oi Naná!
Ana Virgínia - Oi, o senhor me ligou?
José Rosa - Liguei, como que fechou lá?
Ana Virgínia - Olha, a gente não terminou de olhar tudo, nem de abrir tudo, mas tem só notícia boa, eu andei dando lá um olhada, fazendo uma análise mais apurada. Acho que duas dá dá pra tirar
José Rosa - A tá!
Ana Virgínia - tá bom?
José Rosa - Tá bom, mas aí é o seguinte: analisa direitinho a documentação sem problema tá!
Ana Virgínia - Certo pode deixar
José Rosa - sem nenhum problema tá bom
Ana Virginia - tá bom
José Rosa - tá bom, tchau
Ana Virgínia - tá tchau!

   Adilson Moreira da Silva, que também foi preso na Operação Pacenas, tem uma conversa estranha com Ana Virgínia em 9 de março, às 10h35. No diálogo há informação de que Anildo e Jorge Pires iriam para São Paulo no dia seguinte, com pretexto de checar se Adilson seria a pessoa que "faz as planilhas". Há referências sobre "3 caixinhas da Avon", o que, para o MPF, seriam propostas. Eis, a conversa de Adilson Moreira e Ana Virgínia:
Ana Virgínia - Alô!
Adilson - Oi dona Ana, bom dia, tudo bem, é o Adilson
Ana - Oi Adilson, como esta você, tudo bem?
Adilson- Graças a Deus tudo bem, a senhora está em casa?
Ana - Não, estou trabalhando, querido!
Adilson: Que horas que a senhora vai pra casa?
Ana - Õ Adilson, eu não sei que horas que eu vou. Ontem nós saímos daqui era seis e meia, não é Mariane? Ontem nós ficamos aqui até seis e meia, hoje eu trouxe um lanchinho pra ficar direto
Adilson - Tá bom. É que eu, no fim da tarde, precisava de uma posição quais produtos a senhora vai querer certinho, é possível né?
Ana - É possível sim
Adilson - E eu tô com aquelas três caixinhas da Avon, já aqui em casa, minha mulher já pegou ontem na transportadora, três, e seria interessante se fosse o caso hoje à noite eu passar, né?
Ana - ...eu saindo daqui, aí eu ligo pra você e sua mulher, aí eu vou dar uma olhada com você, tá bom?
Adilson - Eu preciso disso hoje à noite porque amanhã ela vai viajar então era bom ela levar
Ana: tá bom
Adilson - muito obrigado, bom dia
Ana - bom dia

   Naquele mesmo 9 de março, às 11h32, Ana Virgínia chama o professor Adilson Moreira para ajudá-la na Sanecap. Confira o que ambos conversaram, por telefone.

Adilson - Oi!
Ana Virgínia - Oi sou eu
Adilson - tudo bem?
Ana Virgínia - Tudo, o senhor tá muito ocupado?
Adilson - não, não
Ana Virgínia - o senhor não quer dá uma passadinha aqui na Sanecap? Nós tamo (sic) trabalhando aqui e tamo (sic) chamando o senhor pra trabalhar também...mas eu gostaria que o senhor nos ajudasse só num ponto. É rapidinho. Não vou tomar muito seu tempo, não.
Adilson - Sim, sim
Ana Virgínia - Tá se o senhor puder passar aqui
Adilson - depois do almoço, pode ser?
Ana Virgínia - pode ser, pode ser.
Adilson - É que eu tô começando a almoçar.
Ana Virgínia - ô tadinho, bom apetite
Adilson - logo depois do almoço
Ana Virgínia - não, precisa ter pressa não que eu vou ficar aqui até tarde. É só um documento que eu tenho dúvida e eu quero contar com a sua experiência.
Adilson - Não tudo bem, então passo aí no começo ou no meio da tarde
Ana Virgínia - tá tudo bem

  Dez minutos depois, Adilson telefonema para Ana Virgínia e pergunta se "pode ser agora" e Naná observa que ficará até mais tarde na sede da Sanecap trabalhando nas propostas

   Às 17h20, Adilson avisa que já está na Sanecap

   Em 11 de março do ano passado, às 15h02, Anildo comunica a Jorge Pires que Ana Virgínia havia informado que "ganhamos em Brasília". Anildo fala que pediu para Alisson "mandar o negócio direto lá para o gordo (Gustavo ou Baralho) e que vai preparar "os trem (sic) para Jorge Pires assinar e também diz que as coisas estão caminhando".

  No dia 18 de abril, às 8h58, a engenheira da Prefeitura de Cuiabá Eliane Nadaf entra em circuito e conversa com José Rosa. Confira o que ambos disseram:

José Rosa - Alô!
Eliane - Procurador, é Eliane Nadaf, bom dia....é uma situação: Ana Virgínia , ontem conversamos em
torno de 4 reais, dava 45 mil, ela aceita 4 e 50, dá 50 mil reais. Pode fechar?
José Rosa - Pode fechar.
Eliane - Outra situação: o Osair esta trabalhando contra a gente lá. Vou chamar ele aqui e conversar com ele.
José Rosa - Pode chamar.
Eliane - Obrigada, bom dia.

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Comentários (7)

  • DOUGLAS | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    ESTÁ TUDO BEM CONFIRMADO!!! WS NÃO TEM PARA ONDE FUGIR.
    TEM QUE DAR UM BASTA NESSA QUADRILHA QUE ROUBAM O DINHEIRO DO PAC.
    DINHEIRO ESSE QUE VAI BENEFICIAR OS BAIRROS SEM SANEAMENTO BÁSICO.
    FORA TURMA DO PSDB, ALIÁS, EXECUTIVA DO PSDB: JOSÉ ANTONIO ROSA, WILSON SANTOS, AVALONE, ANTERO, CHICA NUNES, ANILDO, PIRES...
    XÔ CORRUPTOS!!! VÔTE!!!

  • botinudo | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Nossa!!! quanta maldade, quanta sede de destruição, quanta criatividade, quanta vontade de fazer com que acreditem numa versão fantasiosa. Tem gente no MP que vive fantasias, que vêem coisas, que fazem elucubrações mentais dignas dos filmes americanos....
    Sintam-se na pele dos acusados. Um dia você vai ligar pro seu pai e dizer: Paizão, me arruma uma grana pra inscrição do concurso. Perigoso os fantasiosos do MP entenderem que você tá comprando alguma vaga no tal concurso. Dá até prá concordar com Sarney. Estamos vivendo o caos. Deixo claro que não concordo com nada do que esses senhores fizeram, porque todos sabem como eles e a maioria que passa pelo poder acabam se enricando, acaba se dando bem.
    É o fim dos tempos. Como diz aquela personagem: Jesus, nos abane.

  • Jandira Pedrollo | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Desculpem, mas creio que houve um equívoco, trata-se de outra Ana Virgínia. A Eliane Nadaf é engenheira competentíssima, não faz parte do quadro da Sanecap e, com certeza eles estão tratando de outro assunto referente as atribuções dela junto à Seminfe. Ela foi a responsável pela articulação das desapropriações para a abertura da Av. das Torres.

  • sonia miranda | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    na fala gravada com adilsone nana, ela cita mariane, ela é prima irmã de rodolfo da encomind e ela faz os projetos p as empreiteiras, não existe projetos ela assina atestando os projetos.

  • Bola Fora | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Romilson
    Esse ultimo dialogo não se refere á Ana Virginia da Sanecap. Na Prefeitura, a Engenheira Eliana Nadaf foi a pessoa responsáel por negociar as indenização da Avenida das Torres. O quatro reais do dialogo é a quantia que se propunha a pagar por metro quadrado das áreas desapropriadas. A dona de uma área, que tbem se chamava Ana Virginia, pediu 4,50, o que foi autorizado pelo Zé Rosa. E porque o Ze Rosa? porque todas indenizações tem que ser aprovada pela Procuradoria. Cuidado que essa foi mais uma das bolas foras do Julier nesse episódio e voce está como diz em jornalismo comendo barriga. Coloque uma repórter sua para investigar e voce verá que o sobrenome das duas Anas Virginias é diferente.

  • elizeu | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    o rdnews deste jeito perde credibilidade,
    pois da umas informações muito boas e insiste
    em outras, que até mesmo o juiz do TRF ja viu que trata-se de umengano e estes 50.000,00
    tratam-se de indenização a senhora ANA VIRGINIA ALVES DE MATOS por despropriação na avenida das torres.

  • Marcos | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Romilson,
    não passa de uma mera suposição a frase título desta matéria

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