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Quinta-Feira, 14 de Maio de 2009, 09h:23 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:23

Rumo a 2010

Sabe o que é?, a mídia às vezes exagera!

   Uma jornalista de Várzea Grande em Mato Grosso, cidade grudada à Cuiabá, está impedida, por decisão de um juiz, de publicar qualquer coisa a respeito do prefeito, processo idêntico ao já aberto pelo mesmo prefeito contra um site de notícias.

   Um protótipo de político em Cuiabá, registrou boletim de ocorrência contra um jornalista alegando difamação, porque este jornalista noticiou seus deslizes posturais.

    Uma deputada ligou para a redação de um jornal, reclamou de algumas matérias com a editora e disse algo como: vou marcar uma audiência com o dono do jornal para expressar meu descontentamento.

    Um deputado estadual está pedindo a um site, uma indenização de algo em torno de R$ 5 milhões por calúnia, difamação, ou algo que valha. Esse mesmo deputado tentou bater em outro jornalista durante um almoço de sábado em um conhecido restaurante de Cuiabá.

     A sede de um site em Rondonópolis foi invadida pela polícia que confiscou de lá fitas que comprometiam uma autoridade.

     Todos esses casos aconteceram de janeiro deste ano pra cá, fora outros casos que não chegaram ao meu conhecimento, mas que certamente existem. E o que está sendo feito para repelir tais açoites à liberdade de expressão e para repudiar que políticos usem a justiça como ferramenta de intimidação? Mas quem deveria reagir? Em dezembro do ano passado aconteceu comigo, e em um texto cobrei uma postura do sindicato dos jornalistas de MT, não de defesa a mim, posto que não preciso, mas uma postura diante da clara ameaça à liberdade de expressão. Mas o sindicato, e em especial um dos que hoje passa pela mesma situação, estava muito ocupado querendo um lugar para chamar de seu e obcecado em caçar quem se atrevesse a escrever sem portar de um diploma de jornalista, mesmo que este diploma tenha sido adquirido em uma esquina. Uma preocupação pequena diante do monstro que estava sendo gerado, um monstro que pode atingir em cheio os próprios interessados. Não a mim que escrevo por paixão, mas atinge aquele que de fato escolheu o noticiar e o expressar como profissão.

      Absortos nessa luta menor, mal conseguiram enxergar a trama que estava por trás da omissão escolhida, preferiram interpretar meu texto como “patético”, repleto de “provocações insanas” de uma articulista, mas, “afinal de contas, o que faz um articulista?”, questionou um como se eu, por ser uma economista e não jornalista, fosse assim uma espécie de dalit e pertencesse a uma casta inferior, impura e intocável por eles, nobres superiores detentores de...um diploma de jornalista. Outro se gabou: ela não é jornalista, “mas foi lá no sindicato que foi buscar apoio na sua empreitada contra” fulano. Pobre rapaz diplomado, mas entendo, para alguns é mais fácil enaltecer a importância da alegria de um sarau esporádico que as agruras de um enfrentamento. Pobres rapazes, eles não leram Martin Niemöller.

      Hoje Mato Grosso vive uma censura intimidativa, ameaçadora, castradora e o pior, extorsiva, pois usa para castrar, exatamente a instituição que existe para libertar: a Justiça.  Infelizmente este é o preço, alto é verdade, mas o preço pela escolha da subserviência que, graças a Deus, de peito cheio de orgulho digo, não participo e jamais participarei. Pobre sindicato, antes pautado pela tradição em lutar pela liberdade de manifestação, hoje refém de seu próprio servilismo governamental, mas, sejamos justos, com um local para fazer um churrasco nos fins de semana.

    Mas o meu senso de justiça e meu apreço pela liberdade de expressão como mantenedora da democracia, estão acima de qualquer coisa, inclusive de atrocidades já cometidas em troca de jabá por alguns que hoje penam.  Não lhes perguntarei se tens razão ou não, se exagerastes na crítica ou na denúncia, isso veremos depois, por hora, me coloco à disposição de todos os que estão enfrentando pessoas públicas que agora usam a justiça para camuflar a falta de tolerância com a crítica, e repudio essas demonstrações de ímpetos fascistas.

     Adriana Vandoni é economista, blogueira, articulista e especialista em administração pública pela Fundação Getúlio Vargas (www.adrianavandoni.com.br)

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Comentários (4)

  • Paulo Roberto de Mello | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Saber redigir é uma arte que poucos, independente da profissão, possuem. O artigo foi bem articulado. Mas entendo que o assunto, liberdade de imprensa, é sério demais para servir como pretexto de ataque a um sindicato que tem uma história de luta em favor do profissional jornalista e, dispõe de uma presidenta que sempre mereceu o respeito de toda a categoria. Acho que deixando de lado o ataque desnecessário, a Adriana tocou num assunto espinhoso e crucial para a mídia mato-grossense e vital para a democracia. Trata-se de uma realidade fática. A perseguição existe. Entendo, no entanto, que não só o sindicato tem o dever de protestar, mas todo jornalista que se preze e, por fim, o conjunto da sociedade. Sem liberdade de imprensa não existe uma democracia digna deste nome. E ainda estamos muito próximos da grosseria autoritária da ditadura militar para relaxar a vigilância.

  • Selmo de Oliveira | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Liberdade de expressão é de direito, agora quem tem o famoso rabo preso fica querendo tirar a liberdade de alguns corajosos jornalista e economista(no caso da Adriana) que no meu ver uma pessoa capacitada de expor seus artigos. Nao fiquem intimidados com esses desqualificados, seus artigos são de grande valia para MT e tbem para o BRASIL. Essa época de Militarismo e ditadura acabou. Agora para melhor, voces já notaram que nesse GOVERNO o que tem de jornalista sendo ameaçado, perdendo emprego porque falou mal de Politicos corruptos e sem escrupulo? Parabéns Adriana e Edina voces são corajosas.

  • marcio rios | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Nome: MARCIO RIOS
    Postado em: 19/06/2009 13:06:42
    E-Mail: rios2501@yahoo.com.br
    Cidade:Cuiabá
    Estado:MT

    Comentário:

    SEGUNDO O ARTIGO 5º DA CONSTITUIÇÃO TODOS TEMOS O DIREITO DE EXPRESSAR NOSSAS OPINIÕES, A FORMAÇÃO DE JORNALISTA PELAS UNIVERSIDADES É SEM DÚVIDA FUNDAMENTAL, MAS NÃO PODE CERCEAR A LIBERDADE DE INFORMAÇÃO; SOU FORMADO EM COMUNICAÇÃO- RADIO&TV E ACHO QUE ESSA EXIGENCIA REALMENTE ERA ABSURDA, QUEM ENTENDE MELHOR DE ECONOMIA QUE UM ECONOMISTA? OU POLÍTICA QUE UM CIENTISTA POLÍTICO? QUEM ESTÁ CHORANDO AGORA É SÓ A PARCELA DE PROFISSIONAIS QUE NÃO QUEREM SE CAPACITAR, DESINFORMADOS QUE USAVAM A LEGISLAÇÃO PROPOSTA PELA DITADURA PARA MANTEREM-SE COMO ÚNICOS DETENTORES POR DIREITO DE DISSEMINAREM A INFORMAÇÃO.

    A EXIGÊNCIA DO DIPLOMA FOI INSTITUÍDA PELA DITADURA MILITAR, JUSTAMENTE PARA FAZER O QUE MUITOS ESTÃO DIZENDO QUE A DERRUBADA DO DIPLOMA FEZ, PORTANTO, ANTES DE EMITIREM UMA OPINIÃO, AS PESSOAS DEVERIAM CONHECER MELHOR A HISTÓRIA DO PAÍS.

    ESCREVO PARA DIVERSOS JORNAIS NO ESTADO E O DIPLOMA NUNCA ME IMPEDIU, PORÉM EXISTE UMA RESERVA DE MERCADO ONDE APENAS OS FORMADOS (E NEM TODOS SÃO PREPARADOS), PODERIAM ASSINAR COMO JORNALISTAS E TRABALHAR EM TEMPO INTEGRAL NESSA FUNÇÃO, AS COMPARAÇÕES FEITAS ENTRE PROFISSÕES SÃO FRUTO DO DESPREPARO DAS PESSOAS QUE AS FAZEM, POIS ENTRE AS PROFISSÕES CITADAS NÃO EXISTEM COMPARAÇÕES, E AS OBSERVADAS AQUI SÃO HORRENDAS. O PRÓPRIO MERCADO DE AGORA EM DIANTE SELECIONARÁ OS MELHORES...



    ECONOMISTAS PARA FALAR SOBRE ECONOMIA, CIENTISTAS POLÍTICOS, GEÓGRAFOS, HISTORIADORES, O MERCADO DE COMUNICAÇÃO É MUITO AMPLO. E PARA AQUELES QUE PARTICIPARAM DA CONSTRUÇÃO DE UM PERÍODO DEMOCRÁTICO NESSE PAÍS, ONDE O JORNALISMO ERA REALIZADO COM AMOR, ÉTICA E CARÁTER ESSA DECISÃO AMPARADA PELO INSTRUMENTO DE LUTA CONSTRUÍDA EM 88 ATRAVÉS DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, SIGNIFICA UM AVANÇO, A RECUPERAÇÃO DE UM ERRO NÃO VERIFICADO NA ÉPOCA, A GARANTIA PLENA DOS DIREITOS DEMOCRÁTICOS PROMULGADOS ENTÃO.



    O JORNALISMO E SEU MERCADO NÃO VÃO ACABAR APENAS SE MODIFICARÃO E AQUELES DESCONTENTES PELO MEDO DE PERDEREM SEUS EMPREGOS OU NÃO SE MANTEREM NO MERCADO TERÃO REALMENTE QUE MUDAR SUA VISÃO RETRÓGRADA. A DEMOCRACIA SÓ SE MANTÉM ATRAVÉS DE UM CONTROLE SOCIAL, ATRAVÉS DAS LUTAS POPULARES E A EVOLUÇÃO POLÍTICO DEMOCRÁTICA É ASSIM, ATRAVÉS DOS ORGANISMOS DE BASE...



    ANTES DE DIZEREM ALGUMA COISA SEM SENTIDO... ESTUDEM...CAPACITEM-SE...

    DEVO CONCORDAR COM UM COMENTÁRIO QUE VI AQUI NO RDNEWS, COMENTÁRIO DO SR AGNELLO DA CIDADE DE JACIARA-MT, QUE DIZ: “FACULDADE NÃO ENSINA ÉTICA. ÉTICA É DE CARÁTER. TEM JORNALISTA SAFADO POR AI COM DIPLOMA NA PAREDE. POR QUE NOS PAÍSES DESENVOLVIDOS NÃO HÁ A OBRIGATORIEDADE E O JORNALISMO É BEM FEITO?”



    ANTES DE DIZEREM ALGUMA COISA SEM SENTIDO... ESTUDEM...CAPACITEM-SE...



    DIPLOMA NÃO PODE SER GARANTIA DE EMPREGO OU SER USADO COMO RESERVA DE MERCADO, FORA AS PROFISSÕES QUE LIDAM COM A VIDA HUMANA COMO MEDICINA, ENFERMAGEM, ENGENHARIA E AFINS DEVERIAM TER COMO OBRIGATÓRIO O DIPLOMA, QUE VENHA A DERRUBADA DE OUTRAS OBRIGATORIEDADES, QUERO PODER ME DEFENDER SOZINHO EM UM TRIBUNAL SE ASSIM DESEJAR, QUE A DEMOCRACIA EM TODAS AS SUAS NUANCES SE APERFEIÇOE!



    EM TEMPO, SOU FORMADO EM COMUNICAÇÃO SOCIAL , HABILITADO EM RÁDIO&TV, PÓS GRADUADO EM CINEMA PELA UNB, COM MBA EM ELABORAÇÃO E GESTÃO DE PROJETOS, COORDENADOR DE PESQUISAS, ANALISTA POLÍTICO, ATUALMENTE CONCLUINDO GESTÃO PÚBLICA...


  • luiz carlos bacanelo | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Este artigo nada mais é do que a triste realidade da atual situação da imprensa. Politico querendo indenização, justiça sendo manipulada pelos caciques que querem calar a liberdade de expressão e tantas outras ações que prejudicam não só a imprensa, mas o povo. Pobres mortais, nós a imprensa, unicos reais defensores da democracia e da verdade. Valeu pelo artigo, nota 10 a este site que o repetiu, pois imprensa unida, incomoda. Incomoda apenas aqueles que tem algo a esconder.

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