Últimas

Sexta-Feira, 16 de Maio de 2008, 12h:48 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:20

VARIEDADES

Santa Rita diz que o eleitor sabe votar e dá dicas


Chico Santa Rita orienta candidato a definir área de atuação

  O marqueteiro Chico Santa Rita, que em 1998 saiu derrotado em Mato Grosso na estratégia montada para reeleger Carlos Bezerra senador, disse nesta quinta à noite, em palestra para 250 pessoas em Cuiabá, que eleição é uma verdadeira guerra. Ele deu ênfase à necessidade de haver sincronia com 4 componentes de uma campanha (doutrina, programa, slogan e símbolo). Enfatizou também que, para se obter êxito, é preciso que o candidato a cargo eletivo trabalhe diagnóstico, planejamento, estratégia e desenvolvimento.

   Santa Rita lançou na Capital a obra "Batalhas Eleitorais - 25 anos de marketing político", quando revela os segredos dos bastidores, os pontos fracos e fortes dos candidatos que ajudou a eleger, as estratégias, as razões do sucesso ou do fracasso deste ou daquele candidato. Sua palestra, no Hotel Deville, teve o patrocínio da KGM Comunicação, do jornalista Kleber Lima e do publicitário Geraldo Gonçalves.

   Na avaliação de Santa Rita, o trabalho de marketing político, que não deve ser confundido com propaganda, exige constante renovação, mudança de atitude, versatilidade e adaptação a novas circunstâncias. Numa campanha, diz ele, é necessário primeiro se trabalhar com a razão para depois explorar a emoção. Observa que a situações em que a eleição se torna fácil, como foi no caso do governador Blairo Maggi, reeleito em 2006 no primeiro turno. "Não sei como foi a campanha aqui (em MT), mas o Blairo não tinha adversário", diz o marqueteiro, ignorando os principais concorrentes da época, então senador Antero de Barros (PSDB) e a petista Serys Marly.

   Santa Rita diz que é fundamental numa campanha eleitoral a definição de um diagnóstico, mesmo se tratando de um candidato a vereador. Orienta o postulante ao cargo eletivo a fazer auto-reflexão, perguntando a si mesmo como inseri-lo no contexto social. Afirma que o ideal seria realizar uma pesquisa qualitativa. Aposta que o eleitor sabe, sim, votar. "É bobagem achar que o eleitor não sabe votar".

  Depois do diagnóstico, vem o planejamento, ensina o marqueteiro. Nesse caso, o candidato precisa definir orçamento e onde gastar. Enfatiza que aqueles que disputam na proporcional, como cadeira de vereador, devem usar o curto espaço no horário eleitoral para enfatizar o número. Recomenda que cada um identifique uma área de atuação como bandeira de luta, assim como a atividade. "Não adianta sair dando tiro no escuro".

   A terceira etapa de uma campanha que Santa Rita classifica como "o grande nó" é a estratégia. "É na estratégia que se ganha ou se perde uma eleição. Como usá-la, como direcioná-la para o melhor caminho no processo de conscientização?, pergunta o marqueteiro, para uma platéia composta de pré-candidatos a vereador e a prefeito. Por fim, a última etapa é o desenvolvimento da campanha em si.

  Eleições-1998

  Chico Santa Rita participou de campanhas históricas, como a levou o povo brasileiro a escolher entre o parlamentarismo e o presidencialismo e a do referendo, quando saiu vitorioso com o "não" ao projeto sobre desarmamento.

   Em Mato Grosso, a única campanha em que mergulhou de "corpo e alma" foi a de 98, quando tentou reeleger Carlos Bezerra senador. O marqueteiro conduziu uma campanha dissociada da de governador de Júlio Campos, numa aliança desastrosa. No meio da platéia estava Bezerra, o derrotado. Todo sem jeito, Santa Rita tentou justificar. Alegou que fora contra a coligação dos então adversários PFL e PMDB. Mesmo assim, os dois partidos promoveram a união entre Júlio e Bezerra, que acabaram "morrendo" abraçados nas urnas. À época, Santa Rita, que montou uma megaestrutura em Cuíabá para tocar a campanha, e o marqueteiro de Júlio, Paulo Leite, entraram em conflitos. A rixa entre os dois continua até hoje.


Marqueteiro de Bezerra em 98, Chico Santa Rita diz que foi contra àquela desastrosa aliança do PFL com PMDB
Fotos: José de Medeiros

Postar um novo comentário

Comentários (4)

  • Antônio Fernandes do Amaral | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
    0
    0

    Parabens Romilson pela brilhante materia, estive presente na palestra do Chico Santa Rita, você retratou bem o que ele falou aos presentes.
    Pena que a palestra tem que ser para gregos e troianos né, ou seja, ali tinha politicos, politiqueiros, raposas velhas e aproveitadores.
    Deveria aparecer um marqueteiro compromissado com a população para eleger candidatos do meio do povo compromissados com estes e não marqueteiro compromissado com o valor em R$ que o candidato tem.
    Pena que o Chico Santa Rita, não tenha sido enfático ao responder minha pergunta: Em Cuiabá onde os boatos dizem que para ser vereador tem que ter R$ 500.000,00 e para ser eleito tem que ter R$ 700.000,00, é possivel um candidato humilde financeiramente se eleger? o que fazer para eleger?. Santa Rita discorreu que o candidato tem que andar, visitar as pessoas, divulgar seu nome, em outras palavras os jorgão de sempre: Gastar sola de sapato.
    Antônio Fernandes
    PSDB - Cuiabá MT

  • Luciano Regis | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
    0
    0

    É assim mesmo quando o candidaro ganha todo louvor ao Marketeiro...mas quando perde a culpa é dele...heheh

  • Amado Amador | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
    0
    0

    Excelente matéria, excelente palestra, aliás, sempre é bom termos esse tipo de aula-intercâmbio - sejam cientistas, sejam picaretas -. Concordo quanto ao eleitor saber votar, pois apesar da aparente placidez das massas, eis que elas pensam e agem, cabendo ao político entendê-las e usar a força dessa maioria silenciosa.

  • Cristiano Souza | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
    0
    0

    O nobre marqueteiro esqueceu de mensiona que pra ganha eleição não basta o candidato ser bom tem que ter o essencial dinheiro$$$$$$ e muito né blairo...

Deputado, Mesa da AL e incoerência

claudinei 400   Claudinei Lopes (foto), delegado de polícia que, na onda Bolsonaro, se elegeu deputado pelo PSL, em 2018, se mostra cada vez mais incoerente. É daqueles que gostam de levantar polêmicas e críticas, mas sem consistência. Ele se manifestou, por exemplo, contra a reeleição à Mesa...

Dilmar ensaia disputa para federal

dilmar dal bosco 400   Todos os deputados estaduais querem buscar a reeleição, com exceção de Dilmar Dal Bosco (foto), que está no terceiro mandato. Integrante da nova Mesa Diretora da Assembleia, como primeiro-vice-presidente, e líder do Governo Mauro, Dilmar não esconde o desejo de disputar cadeira...

Com Covid-19 e frequentando a AL

paulo araujo 400   O deputado Paulo Araújo (foto), do PP, está com reinfecção pelo Covid-19 e, mesmo assim, continua frequentando o prédio da Assembleia normalmente, como se não tivesse contaminado. Na primeira vez que foi infectado pelo vírus, também fez igual. Colegas parlamentares e...

2 abstenções e briga pela 4ª Secretaria

silvio favero 400   Dois deputados se abstiveram na eleição da Mesa Diretora da Assembleia desta terça cujo votação foi secreta. Nos bastidores, os comentários são de que as abstenções foram de Sílvio Fávero (foto), que se lançou à disputa e, sequer, teve...

Petista, incoerência e voto contrário

ludio cabral 400   O petista Lúdio Cabral (foto), daqueles parlamentares do morde e assopra, na tentativa de marcar posição, expõe cada vez mais suas incoerências em votação na Assembleia. Na sessão que antecedeu a eleição para a nova Mesa Diretora, provocada pela decisão...

Projeto sobre VI na Saúde está na AL

gilberto figueiredo 400 curtinha   Já está na Assembleia, para votação dos deputados, o projeto do governo que garante retomada do pagamento da verba indenizatória aos profissionais da Saúde que atuam na linha de frente do combate à Covid-19 nas unidades hospitalares, ambulatoriais e...