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Quinta-Feira, 28 de Junho de 2007, 09h:22 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

Artigo

Sei que morro... A Invasão do solo de minha pátria

     A célebre frase de Antonio João Ribeiro parece já não ter o significado que ele imprimiu. Deixou no Pantanal, principalmente em Poconé, muitos descendentes, que não passam nem perto de sua coragem, determinação, amor ao Brasil e a Mato Grosso.
    Na Urca, cidade do Rio de Janeiro, existe um busto e uma menção a ele, enquanto que aqui, quem é Antonio João Ribeiro? Até o nome dele tiraram de uma Escola em Poconé, para colocar  o do Marechal Rondon, que embora merecedor de homenagens, não justifica a mudança. 
    Mas, deixando de lado essa questão “emocional”, a sua frase, “sei que morro, mas o meu sangue, e o de meus companheiros, servirá de protesto solene,  contra a invasão do solo de minha Pátria”, é sempre atual, mas esvai-se com o tempo, pela falta de respeito aos nossos antepassados e pela ausência de coragem daqueles que, ao contrário dele, não defendem o Pantanal, quanto mais sua Pátria.
     Pobre do povo que não tem memória,  porque como disse um pensador brasileiro, que não necessito nomear pois todos os nossos patriotas devem, ou deveriam saber quem é, “um País sem passado, mais que um País sem presente, é uma NAÇÃO sem futuro “.
     Sem entrar nesse mérito, gostaria de voltar à questão dos Projetos de Lei que, por incrível que pareça, e não obstante a insatisfação dos pantaneiros corajosos, continuam dentro da nossa Casa de Leis, sob a forma de Comissão, discutindo o indiscutível: só o homem pantaneiro sabe lidar com o Pantanal. Ponto pacífico.
     Os nossos Deputados, possuem uma capacidade incrível de refutar os interesses do povo pantaneiro. Não querem, na verdade, preservar ou conservar o Pantanal, mas sim, atender a interesses de usineiros, Ong’s e todo tipo de gente ou Instituição, que deseja “usar” o Pantanal para obter recursos e assim........
    Já recebi muitos “recados” dizendo para eu “sair da questão”, porque os “interesses do Estado” estão em jogo.
    Primeiro, não gosto de recados. Segundo, digo a esses mal intencionados políticos, que a favor do Pantanal, minhas posições são inarredáveis. Não temo represálias ou posicionamentos, mesmo porque, até agora, ninguém enfrentou as minhas declarações. Quem cala, consente. Consente por omissão, por negligência, por covardia ou ainda, por falta de argumentos.
     Essa legislação que estão propondo é Inconstitucional e, com esse meu argumento, alguns já me disseram, através de “enviados especiais”, que eu deveria dizer porquê, que eu devo me posicionar dentro dessa “estrutura” que eles criaram, mas eu prefiro não dar armas aos inimigos do Pantanal, para derrotar nossos interesses. Podem esquecer essa possibilidade.
     Como, não obstante esses “interesses” escusos e desonestos, não pretendo desistir e tenho (apesar deles), o apoio dos “verdadeiros pantaneiros”, não vou desistir.
     Como não gosto de receber recados e não costumo mandá-los, Senhores Deputados, Senhor Governador, ou quem estiver por trás desses “outros” que pretendem usar o pantanal como palanque político ou para atender grupos ou pessoas, deixo bem claro aqui: deixem a nossa gente em paz. Nós preservamos o pantanal e não permitiremos que vocês, indevida e injustificadamente, se apoderem dele para promoção pessoal ou para obtenção de dividendos, que só Deus sabe dizer quais são.
     Juristas, especialistas, doutores, professores, pesquisadores, legisladores, etc., não tentem usar essa falsa causa como ambiental, porque nós, os pantaneiros de verdade, não permitiremos, e falando por mim, acredito que existem outros interesses que deveriam estar defendendo: o do povo de Mato Grosso. Do Pantanal, cuidamos nós.
     Voltarei ao assunto. Não é um recado ou uma ameaça, é uma promessa. Tudo em nome do “espírito de brasilidade”. Sou pantaneira, sim senhor. 


Oriana Paes de Barros é procuradora federal aposentada e pecuarista

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